Em resumo
- São Paulo perdeu para o Grêmio por 2 a 1 e ficou sem vencer há oito partidas consecutivas no Brasileirão.
- A ausência de Artur por lesão forçou mudanças táticas que reduziram a qualidade ofensiva: Ferreirinha não ofereceu o mesmo padrão do titular.
- Bola parada foi decisiva contra o São Paulo: Carlos Vinícius abriu sozinho para o empate e uma falta cobrada por Pavón resultou no gol da virada.
- Bobadilla melhorou o time quando entrou no lugar de Danielzinho, criando chances em escanteios, mas o time já estava perdendo.
O São Paulo começou à frente no estádio do Grêmio, mas terminou derrotado por 2 a 1 na 22ª rodada do Brasileirão 2026. A partida deste sábado em Porto Alegre repetiu um padrão que vem atormentando o clube: sair na frente e sofrer a virada. Esta é a oitava partida consecutiva sem vitória, e a trajetória cai como uma lápide sobre os objetivos tricolores na competição nacional.
A ausência que mudou o jogo
Dorival Júnior enfrentou o Grêmio sem contar com Artur, seu lateral-direito ofensivo de origem. A lesão forçou o técnico a escalar Ferreirinha, mudança que reverberou em toda a estrutura ofensiva do time. Enquanto Artur é a escolha natural para ocupar a posição pela direita, Ferreirinha inverteu completamente a lógica tática: o time passou a contar com apenas um ponta esquerda em campo.
No campo, a distribuição melhorou em alguns aspectos. Marcos Antônio se alternava com Danielzinho para ocupar os espaços do lado direito, ganhando liberdade e movimentação. Porém, a qualidade ofensiva despencou. Ferreirinha não entregou o mesmo padrão que Artur habitualmente oferece. O resultado foi um ataque travado, incapaz de gerar oportunidades claras para finalizar.
Números que revelam falta de criatividade
A ofensividade são-paulina ficou reduzida a números modestos. Calleri, o principal centroavante, conseguiu finalizar apenas uma vez. Luciano, apagado durante toda a partida, tentou apenas duas vezes. O único gol do São Paulo nasceu de um presente do Grêmio: Pablo Maia retomou uma bola após erro gremista no ataque. Ferreirinha e Luciano articularam o lance, e o desvio de cabeça de Gustavo Martins, pressionado por Marcos Antônio na pequena área, acabou sendo contra.
Bola parada: o fantasma que assombra Porto Alegre
Se o gol são-paulino foi sorte, os dois gols do Grêmio foram fruto de desorganização sistemática. O empate surgiu logo no retorno do intervalo, em um escanteio que Carlos Vinícius abriu sozinho na segunda trave para cabecear para o meio. Não havia marcação. Não havia organização defensiva. Apenas um vazio que o rival preencheu com precisão.
A dupla de zaga composta por Arboleda e Osório falhou múltiplas vezes, especialmente o zagueiro equatoriano, que acumulou erros. O treinador reconheceu publicamente que faltam detalhes para o time voltar a vencer—e quando fala em detalhes no plural, o tom denota uma frustração que vai além do óbvio. Bola parada transformou-se em pesadelo na sequência de oito partidas sem ganhar.
A trave que quase salvou
Quando Dorival começou a mexer na equipe, introduzindo Bobadilla na vaga de Danielzinho e Cauly substituindo Ferreirinha, o time finalmente encontrou algo próximo ao futebol. Bobadilla jogou pelo lado esquerdo com mais presença ofensiva, rodando a bola sem errar passes. O meia criou duas grandes oportunidades em escanteios cobrados no final da partida, quando o São Paulo já corria atrás do placar após Pavón chutar uma falta—e a barreira abrir no pior momento possível.
Arboleda e Bobadilla criaram chances claras. Lucas Ramon desviou de cabeça em uma delas, e a bola tocou a trave. Foi tão perto, tão doloroso quanto ficar longe de oito rodadas sem vencer.

O gol que chegou cedo demais
O São Paulo abriu o marcador em momento em que parecia controlar o jogo, mas esse controle era ilusório. O gol saído de um erro defensor do adversário não refletia superioridade. Ao contrário: serviu apenas para dar falsa segurança. A partida que se desenrolou em seguida mostrou um time incapaz de sustentar a vantagem, um padrão que se repete desde o compromisso anterior contra o Athletico-PR, quando também saiu na frente e sofreu a virada.
As mudanças que quase funcionaram
Dorival Júnior compreendeu a necessidade de mexer no esquema. As primeiras alterações—Bobadilla e Cauly entrando—melhoraram significativamente a circulação de bola e a geração de chances. A equipe começou a se organizar melhor no aspecto ofensivo, rodando a bola com menos erros e criando situações perigosas. Mas chegou tarde demais, quando o Grêmio já havia aberto o caminho da vitória.
A alternância que não bastou
Wendell, que completou 50 jogos com a camisa tricolor nesta temporada, consolidou-se como titular após período de revezamento com Enzo Díaz. O ganho de espaço do lateral esquerdo demonstra que Dorival segue ajustando a equipe conforme as circunstâncias, mas os acertos pontuais não salvam o navio que segue naufragando em decisões maiores.
Uma sequência que preocupa demais
Oito partidas sem vencer representa uma queda libre em um campeonato competitivo como o Brasileirão. O São Paulo, que alimentava esperanças de reagir e brigar por posições na frente da tabela, vê-se agora empurrado para baixo. O Grêmio, com a vitória, deixou o Inter mais próximo da zona de rebaixamento, enquanto o time paulista segue acumulando pontos perdidos.
Dorival reconheceu que a preocupação é excessiva. Os detalhes que faltam—e ele sabe que não são poucos—vão além de decisões tátiques simples. Envolvem consistência defensiva, aproveitamento ofensivo e, sobretudo, a capacidade de fechar partidas quando se sai na frente. Contra o Grêmio, nenhuma dessas dimensões funcionou de forma integrada.
O caminho para reagir
A ausência de Artur deixou claro o quanto o ataque depende de sua qualidade ofensiva. Ferreirinha não preencheu o vazio. Os ajustes táticos que Dorival implementou—aumentar a liberdade de Marcos Antônio, tentar outras formações—não conseguiram ser decisivos em tempo hábil.
O que segue agora é a necessidade de reconstruir uma mentalidade. Sair na frente em partidas e sofrer viradas não é acaso; é sintoma de falta de concentração coletiva, de desorganização defensiva e de dificuldade em gerenciar vantagens. Estes são os verdadeiros detalhes que Dorival Júnior precisa resolver antes da próxima rodada.
Perguntas frequentes
Por que o São Paulo mudou seu sistema ofensivo contra o Grêmio?
Artur estava lesionado e não pôde jogar. Com a entrada de Ferreirinha no lugar do lateral-direito de origem, Dorival Júnior inverteu o sistema, passando a contar com apenas um ponta esquerda em campo.
Quantas finalizações o São Paulo teve na partida?
Calleri finalizou apenas uma vez, e Luciano, apagado, chutou duas vezes. O gol do São Paulo saiu de um erro do Grêmio retomado por Pablo Maia no ataque.
Como o Grêmio marcou seus dois gols?
O empate surgiu em escanteio logo no retorno do intervalo, com Carlos Vinícius sozinho na segunda trave. O segundo gol veio após a barreira abrir em uma falta cobrada por Pavón, quando o São Paulo já perdia.