Em resumo
- Luciano revelou que nunca recebeu salário em dia no São Paulo e rejeitou propostas de outros clubes, mas permaneceu por amor ao clube.
- O acordo de dez parcelas de direitos de imagem atrasados, fechado por Harry Massis em fevereiro, foi honrado por apenas cinco meses antes de novos atrasos começarem.
- Jogadores ofereceram ajuda financeira pessoal uns aos outros e o elenco tentou focar no jogo contra o Boca, mas a eliminação expôs o peso dos problemas fora de campo.
A eliminação do São Paulo para o Boca Juniors na Copa Sul-Americana, com empate de 1 a 1 no Morumbis na última terça-feira, fechou uma porta e abriu outra bem mais incômoda: a dos bastidores do clube, onde a tensão entre elenco e diretoria atinge níveis preocupantes. Minutos depois de deixar a competição, o atacante Luciano foi claro sobre os motivos da insatisfação, e sua declaração resumiu o sentimento do grupo: “Nunca recebi em dia”.
A eliminação e o silêncio que fala mais que palavras
O empate frente aos argentinos eliminou o Tricolor, mas o que realmente vazou do vestiário foi a frustração acumulada durante meses de promessas não cumpridas. O clima no CT da Barra Funda não é mais de desconforto — transformou-se em tensão visível, alimentada pelos atrasos sucessivos de salários e direitos de imagem.
Luciano rompe o silêncio
Luciano não pediu desculpas apenas pela performance em campo. Em entrevista à transmissão do SBT, o camisa 10 deixou registrado o que realmente o incomoda: “Nunca recebi salário em dia aqui. Muitos jogadores que vêm para o São Paulo vêm porque querem vestir a camisa, porque querem estar aqui. Eu quero estar aqui”. O atacante revelou também ter recebido propostas de outros clubes, mas escolheu permanecer — uma escolha que agora pesa diante do descumprimento de compromissos básicos.
A declaração de Luciano não foi um desabafo isolado. Ele continuou: “Quero deixar claro: desde que estou aqui, nunca recebi em dia”. Essa frase sintetiza um problema estrutural na administração do clube, especialmente grave porque vem de um jogador que rejeitou outras oportunidades movido por comprometimento com o São Paulo.
O elenco se fecha em torno de si mesmo
Antes do jogo, o grupo havia conversado especificamente para deixar os problemas financeiros de lado durante a batalha pela semifinal. Segundo apurado pela Globo Esporte, as lideranças chegaram ao ponto de oferecer ajuda financeira pessoal a qualquer atleta que necessitasse, uma iniciativa que ilustra a solidariedade e, simultaneamente, a gravidade da situação. Os valores oferecidos foram quitados na sexta-feira — três dias após o prazo original — sinalizando que nem essa rede de apoio interno consegue compensar a desorganização administrativa.
As promessas que ninguém cumpriu
Quando Harry Massis assumiu a presidência após o impeachment de Julio Casares, no meio de janeiro, apresentou-se pessoalmente aos jogadores no CT da Barra Funda com uma mensagem de esperança. Fez uma promessa específica: não haverá mais atrasos nos direitos de imagem. O anúncio animou o grupo, que acreditou estar diante de uma mudança de gestão.
O otimismo de Massis
A promessa inicial de Massis gerou alívio momentâneo. No mês seguinte, fevereiro, o presidente foi além e fechou um acordo com o elenco: os valores atrasados referentes aos direitos de imagem do ano anterior seriam parcelados em dez vezes. O pacote incluía ainda a asseguração de que os pagamentos não atrasariam mais daquele ponto em diante.
O acordo que durou cinco meses
Durante cinco meses, o acordo foi mantido. A diretoria cumpriu as parcelas mensais dos direitos de imagem atrasados, permitindo que o clima no CT respirasse um pouco melhor. Mas, em junho, a situação mudou de novo: as parcelas pararam de chegar no prazo, e os direitos de imagem também voltaram a atrasar.
O padrão de atrasos que não cessa
Os números revelam a dimensão do problema. Hoje, o acordo de dez parcelas possui pelo menos três parcelas não pagas. Somado a isso, os direitos de imagem atrasaram nos meses de junho, julho e agosto — três meses consecutivos de descumprimento.
O cenário é ainda mais complicado para alguns atletas. Jogadores que chegaram na última janela de transferências ainda não receberam nem um mês de direitos de imagem. Em casos mais graves, o atraso acumulado chega a seis meses, um prazo que ultrapassa qualquer tolerância.
A justificativa dada pela diretoria aos jogadores aumentou a irritação: colocou a culpa dos atrasos na oposição, culpabilizando fatores políticos externos. O elenco, que deveria estar blindado de tais confusões no CT, ficou ainda mais incomodado com essa resposta.
O impacto além das contas
Quando o salário em carteira também começou a atrasar, no início de setembro, a situação extrapolou. Os valores atrasados foram pagos após três dias de espera — um detalhe que resume bem onde está o clube em termos de organização financeira e administrativa.
Nenhum acordo consegue blindar completamente um elenco quando os problemas básicos não são resolvidos. O timing foi particularmente ruim: exatamente quando o São Paulo precisava de concentração máxima para a partida decisiva da Copa Sul-Americana, o grupo estava lidando com pressão financeira pessoal. A equipe tentou — conversas internas reforçaram o foco no Boca Juniors — mas a eliminação provou que nem dedicação consegue superar tudo.
As confissões que expõem a realidade
Luciano foi o mais direto, mas outros líderes do elenco também se posicionaram após a eliminação. Rafinha, em zona mista, foi mais ponderado na abordagem, mas igualmente honesto sobre o impacto real.
Luciano: “Dediquei-me porque amo o clube”
Para Luciano, a mensagem foi mais que desabafo profissional. Ele deixou claro que sua permanência no São Paulo não foi motivada por ganhos financeiros: “A gente ajuda quem a gente precisa. A gente tentou deixar os problemas fora de campo para focar no Boca. A gente queria ter vencido para dar a vitória para a torcida. É pedir desculpas”.
Essa frase diz muito sobre o estado emocional do elenco. Não se trata apenas de queixa sobre falta de pagamento — é sobre a sensação de que o esforço de deixar os problemas para trás não foi valorizado com uma vitória que justificasse o sacrifício.
Rafinha: “Claro que atrapalha”
Rafinha abordou a questão de forma mais reflexiva, reconhecendo que o impacto financeiro afeta qualquer profissional em qualquer lugar: “Claro que o jogador, quando entra em campo, não pensa em nada disso. Ele está em campo, quer deixar 100%, quer performar da melhor forma possível. Mas, claro que atrapalha. Não posso ser hipócrita e falar que não atrapalha”.
Continuou: “Não atrapalha só no São Paulo, em qualquer clube, em qualquer profissão hoje em dia atrapalha. Mas esses jogadores que o São Paulo tem aqui não são movidos só a dinheiro”. Rafinha reconheceu, assim, que o elenco continua comprometido, mas também deixou claro que há limites para o quanto pressão financeira pessoal pode ser absolvida por dedicação profissional.
Perguntas frequentes
Por quanto tempo o acordo de Massis sobre direitos de imagem foi mantido?
O acordo foi honrado por cinco meses, mas já possui ao menos três parcelas atrasadas, juntamente com os direitos de imagem referentes aos meses de junho, julho e agosto.
Qual foi a reação do elenco aos atrasos?
O elenco se fechou e as lideranças ofereceram ajuda financeira pessoal a qualquer atleta que necessitasse, enquanto tentavam manter o foco no jogo decisivo da Copa Sul-Americana.
O que Luciano disse após a eliminação?
Luciano revelou que nunca recebeu salário em dia no São Paulo, mas escolheu permanecer no clube porque ama a instituição e deseja conquistar um título.