Carregando...

Dorival tem pior aproveitamento que Roger Machado no São Paulo

Em resumo

  • Dorival completou 16 jogos com 37,5% de aproveitamento, pior que Roger Machado (52,1%) e Crespo (61,9%).
  • Eliminação na Sul-Americana contra o Boca marca segunda queda precoce em mata-mata em poucos meses.
  • Crise financeira com atrasos de salários fragmenta o elenco e limita capacidade do técnico implementar projeto consistente.
  • Próximo jogo contra o Internacional no sábado é crítico para afastar ameaça de queda e recuperar confiança.

Dorival Júnior chegou aos 16 jogos à frente do São Paulo no empate de 1 a 1 contra o Boca Juniors, resultado que eliminou o Tricolor nas quartas de final da Copa Sul-Americana. Nesta terceira passagem pelo clube, o treinador acumulou quatro vitórias, seis empates e seis derrotas ao longo de cinco meses, registrando um aproveitamento de apenas 37,5%. Este índice coloca Dorival numa posição incômoda: seu desempenho fica abaixo do de seus predecessores imediatos, em particular significativamente distante dos números alcançados por Hernán Crespo.

O aproveitamento em perspectiva histórica

Roger Machado, o técnico que antecedeu Dorival, também completou exatamente 16 partidas no comando do São Paulo antes de sua saída em maio. Naquele período conquistou sete vitórias, quatro empates e cinco derrotas, chegando a um aproveitamento de 52,1%. Apesar de superior ao de Dorival, os números de Roger Machado ainda refletem dificuldades consideráveis em manter a consistência esperada de um técnico do clube. A diferença de 14,6 pontos percentuais entre Roger e Dorival é substantiva, indicando deterioração progressiva.

Crespo, porém, estabeleceu outro patamar inteiramente. O argentino dirigiu o Tricolor em apenas 14 jogos até sua demissão em março, acumulando oito vitórias, dois empates e quatro derrotas, totalizando 61,9% de aproveitamento. A lacuna entre Crespo e Dorival é gritante: 24,4 pontos percentuais separam o desempenho do argentino do do técnico atual, uma diferença que sugere não apenas variação pontual, mas deterioração clara na qualidade da execução ou na estabilidade do projeto ao longo dos meses.

A defesa como indicador técnico

Os números defensivos revelam aspectos distintos da gestão de cada treinador. Sob o comando de Dorival, o São Paulo marcou 17 gols e sofreu 17 gols, um equilíbrio precário que expõe vulnerabilidades em ambas as fases do jogo. Roger Machado apresentou solidez defensiva superior: marcou 19 gols contra apenas 14 sofridos. Enquanto a diferença de três gols sofridos pode parecer marginal em números absolutos, em termos percentuais representa um diferencial significativo — a média de três gols em 16 jogos é a diferença entre vitória e derrota em múltiplos cenários.

As eliminações em fase mata-mata

Roger Machado deixou o cargo marcado por eliminação precoce. O técnico comandou o São Paulo na terceira fase da Copa do Brasil, quando o Tricolor foi derrotado pelo Juventude. Este resultado precipitou sua demissão, evidenciando a intolerância do clube a fracassos em competições eliminatórias. Dorival agora enfrenta circunstância similar: sua eliminação nas quartas de final da Sul-Americana encerra uma campanha que o clube esperava percorrer com maior profundidade.

Duas eliminações precoces em menos de um ano não podem ser atribuídas a acaso. O padrão sugere que não se trata de falhas pontuais, mas de questões estruturais que requerem análise profunda. Particularmente significativo é o caso de Dorival: os titulares foram poupados do jogo contra o Palmeiras especificamente para enfrentar o Boca em condições físicas ideais, mas mesmo assim o time apresentou desempenho insatisfatório.

O contexto de cada queda

A eliminação de Roger ocorreu quando o projeto ainda era incipiente e as esperanças de progresso frescas. A de Dorival acontece após meses em que o time já deveria ter se conhecido e estruturado, tornando a falha ainda mais significativa. Embora ambas sejam eliminações em fases iniciais do mata-mata, a de Dorival ocorre sob condições mais favoráveis em teoria, o que torna o resultado mais grave em termos de expectativa cumprida.

O desafio imediato: o Brasileirão e a luta contra o Z4

Com a Sul-Americana encerrada, Dorival volta suas atenções integralmente para o Campeonato Brasileiro. O São Paulo enfrenta ameaça real de queda para a zona de rebaixamento e não possui margem para reconstrução gradual. O próximo compromisso, marcado para este sábado às 21 horas contra o Internacional no Morumbis, é crítico. Uma vitória ofereceria respiro psicológico e recalibraria a trajetória; uma derrota aprofundaria a sensação de colapso.

Um aproveitamento de 37,5% não sustenta um time na série A do Brasileirão. Dorival precisa imediatamente elevar este percentual para níveis minimamente aceitáveis, numa faixa que aproxime ou iguale os 52,1% de Roger Machado. Cada ponto deixado nas próximas rodadas é crítico na luta contra o rebaixamento. O intervalo entre a eliminação e o duelo contra o Internacional é breve, o que oferece pouco tempo para mudanças estruturais, mas também limita o espaço para autocrítica paralisante.

Os bastidores: crise financeira e desconfiança

Além dos números em campo, a situação interna do São Paulo agrava o cenário enfrentado por Dorival. Rafinha, executivo de futebol, admitiu publicamente que o timing da demissão de Crespo pode ter sido equivocado. Essa confissão, embora valiosa para compreender decisões passadas, chega tarde demais para corrigir o equívoco. Ela expõe, porém, desconexão clara nas tomadas de decisão administrativas do clube.

Atrasos recorrentes no pagamento de salários amplificam a crise de confiança. O elenco, desmoralizado pela falta de cumprimento de compromissos financeiros e pela desconexão com a diretoria, tende a se fechar em seu próprio círculo para sobreviver psicologicamente. Em situações extremas, jogadores chegam a se auxiliarem financeiramente para contornar a negligência institucional — um sinal de que o clube perdeu controle sobre suas obrigações fundamentais.

O vestiário como reflexo da instituição

Um elenco fragmentado, preocupado com questões financeiras e desconfiado da liderança, oferece terreno árido para qualquer projeto técnico consistente. Nenhum treinador consegue implementar um esquema tático robusto quando seus jogadores estão emocionalmente desgastados pela falta de salário ou pela sensação de abandono institucional. Dorival herda, portanto, responsabilidade dupla: vencer partidas e restaurar confiança numa estrutura que falhou em suas obrigações básicas.

As críticas de Dorival ao desempenho contra o Boca

Dorival questionou o comportamento do São Paulo especialmente no primeiro tempo contra o Boca, apontando nervosismo excessivo como fator determinante. Criticou também a decisão do VAR sobre o gol de Ryan Francisco, manifestando dúvidas profundas acerca da marcação de impedimento. Estas observações revelam frustração simultaneamente com o desempenho tático do elenco e com decisões arbitrais que o técnico acredita terem prejudicado o time.

Quando um treinador aponta nervosismo e questiona a arbitragem na mesma análise, ele sinaliza que múltiplos fatores — internos, externos, emocionais — convergiram para o fracasso. Dorival reconhece que a queda não foi apenas déficit técnico isolado, mas instabilidade emocional e mental que desorganizou o time em momento decisivo.

Perguntas frequentes

Qual é o aproveitamento de Dorival Júnior no São Paulo?

Dorival tem 37,5% de aproveitamento em 16 jogos: quatro vitórias, seis empates e seis derrotas em cinco meses à frente do Tricolor.

Como o desempenho de Dorival se compara ao de seus antecessores?

Roger Machado teve 52,1% de aproveitamento em 16 jogos, enquanto Crespo alcançou 61,9% em 14 partidas. Dorival fica abaixo de ambos, com diferença de 24,4 pontos percentuais em relação a Crespo.

Por que o São Paulo foi eliminado da Copa Sul-Americana?

O São Paulo empatou 1 a 1 com o Boca Juniors nas quartas de final da Copa Sul-Americana, resultado que eliminou o clube da competição.

Written by
Camila Forlán

Camila Forlán é analista tática, especializada em decompor esquemas de jogo, variações de formação e o estilo de cada treinador que passa pelo Morumbi. Escreve com foco em dados e vídeo.