Em resumo
- Rui Costa reconhece que a condução da saída de Crespo poderia ter ocorrido em outro momento, admitindo erro na comunicação do processo.
- Durante cinco anos no São Paulo, o executivo conquistou três títulos e participou de cinco finais apesar das dificuldades financeiras.
- Atualmente em Porto Alegre, Rui Costa busca novo projeto e enfatiza a importância de escolher corretamente a próxima instituição para trabalhar.
Rui Costa fechou o capítulo de sua passagem pelo São Paulo reconhecendo erros na gestão, mas mantendo a convicção de que suas decisões beneficiaram a instituição. O executivo, que deixou o clube em junho deste ano após cinco anos à frente do departamento de futebol, concedeu entrevista avaliando o período em que trabalhou sob as presidências de Julio Casares e Harry Massis, abordando diretamente a polêmica saída do técnico Darío Crespo.
A questão de Crespo e Roger Machado
A transição entre técnicos se tornou o ponto mais tenso da gestão de Rui Costa no Tricolor. A substituição de Crespo por Roger Machado, que permaneceu apenas menos de dois meses antes de ser demitido, transformou o executivo no principal alvo das críticas da torcida são-paulina. Rui Costa não fugiu do tema e reconheceu explicitamente que o processo teria se beneficiado de um timing diferente.
Admissão de erro na comunicação
Ao refletir sobre a saída de Crespo, o ex-executivo destacou que a forma como uma decisão é comunicada compõe a gestão. Ele afirmou que esse aspecto funciona como aprendizado para qualquer profissional atuante na função, independentemente do resultado final. A oscilação entre técnicos, seguida pelo fracasso de Roger Machado, intensificou o questionamento sobre o mérito das escolhas tomadas no período.
Defesa das decisões compartilhadas
Apesar do reconhecimento sobre a condução, Rui Costa reafirmou que a mudança não partiu de uma avaliação isolada. Segundo o dirigente, as escolhas em um departamento de futebol envolvem análise de desempenho, ambiente, perspectivas e o que a gestão considera ser o melhor rumo para a sequência da temporada. Ele mantém a posição de que as decisões foram responsáveis e sempre pensadas na instituição, ainda que admita que o momento poderia ter sido outro.
Gestão sob pressão permanente
A permanência de Rui Costa no São Paulo entre janeiro de 2021 e junho de 2026 o posicionou em um dos cargos executivos mais desafiadores do futebol brasileiro. O dirigente discorreu sobre a pressão vivida especialmente na reta final, revelando como a cobrança influenciou o ambiente, mas não as deliberações técnicas.
Separação entre emoção e planejamento
Rui Costa enfatizou que a função de executivo de futebol exige blindagem do elenco e controle de situações de crise. Ele descreveu a pressão como inerente ao cargo em clubes grandes, mas alertou que o planejamento não pode oscilar a cada resultado ou semana. O dirigente apontou que uma das partes mais difíceis da função é ter equilíbrio para separar emoção de gestão, frequentemente tomando decisões impopulares que acredita serem corretas para o projeto de longo prazo.
Monitoramento sem submissão
Segundo Rui Costa, acompanhar o ambiente, entender o sentimento da torcida, da imprensa e do dia a dia institucional faz parte da rotina, mas nunca deve determinar as escolhas. Ele ressaltou que o executivo precisa compreender essas sinalizações sem permitir que elas governem as decisões, mantendo coerência com o projeto maior mesmo quando as escolhas desagradam momentaneamente.

Balanço de cinco anos: títulos e finais
Durante sua passagem, Rui Costa participou da conquista de três títulos e da participação em cinco finais. O dirigente afirmou sair com a consciência tranquila, argumentando que trabalhou com dedicação absoluta, transparência e sempre pensando no melhor para a instituição. Encontrou um São Paulo vivendo um momento delicado sob diversos aspectos, principalmente financeiros, e integrou um processo de reconstrução que exigiu planejamento, disciplina e escolhas difíceis.
O executivo reconhece que nem todas as iniciativas tiveram o resultado esperado, citando as variáveis inerentes ao futebol que fogem ao controle gerencial. Apesar das frustrações dos últimos meses, Rui Costa carrega grande afeto pelo clube e compreende as reclamações da torcida, reiterando que cada decisão foi pensada para auxiliar a instituição em sua reconstrução financeira e desportiva.
Carreira anterior e lições do caminho
A passagem de cinco anos no São Paulo foi a mais longa de sua carreira executiva. Antes de chegar ao Tricolor em janeiro de 2021, quando foi contratado por Julio Casares, Rui Costa trabalhou no Grêmio entre 2013 e meados de 2016. Em seguida, dirigiu a reconstrução da Chapecoense logo após o acidente, entre o final de 2016 e agosto de 2018. Também teve passagens por Athletico e Atlético-MG antes de seu período mais significativo no São Paulo.
O executivo descreveu a experiência acumulada como essencial para compreender os próximos passos. Ressaltou que o papel do executivo de futebol contemporâneo vai além do futebol puro, englobando responsabilidade direta na manutenção da saúde financeira com integração entre departamento de futebol, marketing, financeiro e novos negócios.
Próximos rumos em Porto Alegre
Desde sua saída em junho, Rui Costa está em Porto Alegre com a família observando possíveis novos projetos. Seu nome foi associado ao Grêmio durante a eleição presidencial do clube gaúcho, instituição onde já trabalhou anteriormente, mas Paulo Pelaipe segue como diretor executivo gremista. O período tem sido importante para reflexão sobre tudo o que vivenciou nos últimos anos, especialmente a fase final da permanência no Morumbi.
Apesar dos últimos meses não terem sido como esperado, Rui Costa mantém-se motivado para continuar trabalhando no Brasil. O dirigente aprendeu que escolher o projeto correto é tão fundamental quanto a capacidade técnica de execução. A experiência adquirida no São Paulo e na capital paulista fornece ferramentas para avaliação mais cuidadosa das próximas oportunidades.
Perguntas frequentes
Por quanto tempo Rui Costa trabalhou no São Paulo?
Rui Costa trabalhou no São Paulo durante cinco anos, desde janeiro de 2021 até junho de 2026, sendo contratado por Julio Casares e posteriormente trabalhando com Harry Massis.
O que Rui Costa disse sobre a saída de Crespo?
Rui Costa reconheceu que poderia ter conduzido a saída de Crespo em outro momento e que a forma como a decisão foi comunicada faz parte da gestão, servindo como aprendizado para profissionais da função.
Qual foi o resultado geral da passagem de Rui Costa no São Paulo?
Durante seu período, Rui Costa conquistou três títulos e participou de cinco finais, mesmo tendo encontrado a instituição em um momento financeiramente delicado e participado de um processo de reconstrução.