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São Paulo enfrenta calendário desafiador para escapar do Z-4 do Brasileirão

Em resumo

  • Com 27 pontos, São Paulo está apenas 3 acima do rebaixamento após dez jogos sem vitória no Brasileirão
  • Oito dos próximos 14 compromissos serão no Morumbis, oferecendo vantagem psicológica crítica na reta final
  • Confrontos diretos contra Internacional, Vasco e Mirassol definem salvação ou queda à Série B
  • Dorival Júnior se mantém no cargo apesar da deterioração desde sua chegada, com apenas 11 pontos em 17 rodadas

O São Paulo chega à reta final do Campeonato Brasileiro em situação crítica, enfrentando a mais delicada campanha em seus últimos anos competindo na elite da série principal. Com apenas 27 pontos acumulados em 24 rodadas, o time comandado por Dorival Júnior ocupa a 13ª posição e está separado do Mirassol, primeiro integrante da zona de rebaixamento, por apenas três pontos. A realidade é cruel: dez partidas consecutivas sem vitória no torneio, e um futebol que não apenas não vence como também não cria as oportunidades necessárias para acreditar em reversão rápida.

A comparação com a fase inicial de Dorival é devastadora. Nas primeiras seis rodadas sob seu comando, o São Paulo conquistou 16 pontos. Nas 17 rodadas seguintes, apenas 11 pontos. É uma queda abrupta que vai além de questões táticas ou ajustes de rotação; sugere desintegração progressiva da estrutura conquistada nos períodos anteriores da temporada. Cada jogo que passa sem vitória aproxima a equipe da Série B, e com 14 rodadas ainda para jogar, a margem de erro diminui dramaticamente.

Quatorze compromissos que definem o destino

O calendário em perspectiva

Com 14 rodadas restantes, o São Paulo terá oito jogos no Morumbis contra apenas seis fora de casa. Num primeiro momento, essa distribuição parece favorecer os interesses do time: jogar em casa oferece vantagem psicológica e reduz o desgaste de deslocamentos. No entanto, a concentração de compromissos em casa também significa que cada tropeço no Morumbis reverberará com força amplificada perante a torcida. Os jogadores sentirão a pressão do apoio, mas também a frustração quando o resultado não vier.

Os seis confrontos diretos contra times em risco

Entre os 14 compromissos que faltam, seis serão frente a adversários que hoje ocupam posições igualmente comprometidas na tabela. O Internacional, atualmente na 16ª colocação com 25 pontos, enfrenta o São Paulo em 20 de setembro no Morumbis. O Vasco, na 19ª posição com 22 pontos, virá ao estádio do Tricolor em 18 de outubro. O Mirassol, aquele que abre a zona de rebaixamento com 24 pontos, receberá o São Paulo em 25 de outubro. Vitória, Bahia e Remo completam essa lista de confrontos entre times que lutam pela sobrevivência. Esses são os jogos que definem campanhas; são esses os duelos onde nenhuma derrota é aceitável.

Os oito compromissos contra gigantes

Complementando esse quadro, o São Paulo enfrentará oito times que atualmente ocupam posições entre os dez primeiros. Red Bull Bragantino (7º, 35 pontos), Atlético-MG (9º, 33 pontos), Palmeiras (1º, 51 pontos), Cruzeiro (5º, 39 pontos), Bahia (6º, 37 pontos), Corinthians (10º, 32 pontos), Fluminense (4º, 41 pontos) e Athletico-PR (3º, 41 pontos) completam o cenário. Esperar vitórias nesses duelos é utopia; o objetivo será somar pontos quando possível e evitar goleadas humilhantes.

O Morumbis como refúgio e câmara de provas

As próximas duas semanas ilustram bem como o calendário favorece o time taticamente. O primeiro compromisso é sábado, 29 de agosto, contra o Red Bull Bragantino, sétimo colocado na tabela. Depois, em 5 de setembro, o Atlético-MG chega ao Morumbis para a rodada 26. Apenas no dia 13 de setembro o São Paulo sairá de São Paulo, para o duelo contra o Palmeiras no Allianz Parque. Essa sequência permite a Dorival Júnior trabalhar a rotatividade e o aprofundamento tático sem os problemas de viagem. É um privilégio que equipes em crise precisam maximizar.

Retornando ao Morumbis em 20 de setembro, desta vez contra o Internacional, o time volta a ter o apoio da torcida para um confronto direto. A primeira viagem mais longa ocorre somente em 7 de outubro, quando o São Paulo vai a Belo Horizonte para enfrentar o Cruzeiro, quinto colocado com 39 pontos. Essa organização do calendário oferece oportunidade de reconstrução, mas exige aproveitamento imediato. Não há tempo para experimentos ou consolidações lentas.

Three cowboys posing at a rodeo event in Tiros, Minas Gerais, Brazil.

Os clássicos e o peso psicológico

O São Paulo disputará dois clássicos até o fim do ano, ambos carregados de significado além do placar. O primeiro, em 13 de setembro, é contra o Palmeiras no Allianz Parque. O rival está em primeiro lugar com 51 pontos, e a distância é enorme. Uma vitória seria psicologicamente transformadora; uma derrota aprofundaria a sensação de decadência.

O segundo é o clássico contra o Corinthians, marcado para 4 de novembro. Há um detalhe importante: a partida será disputada na Vila Belmiro, estádio neutro, porque o Morumbis não estará disponível por causa dos shows do BTS. Isso elimina a vantagem psicológica que o Tricolor possui em casa, reduzindo o diferencial de jogar diante de sua torcida. Mesmo assim, o dérbi continua sendo aquele jogo que não se perde sem penalidade máxima.

A deterioração sob Dorival Júnior

Os números não mentem. Quando Dorival chegou, o São Paulo conquistou 16 pontos em seis rodadas. Uma média de 2,67 pontos por jogo que sugeria estabilidade. Nas 17 rodadas seguintes, apenas 11 pontos. A queda é vertiginosa e não pode ser atribuída apenas a fatores externos. O time perdeu identidade; os jogadores não executam com clareza as instruções; a defesa fica exposta constantemente. É como se a estrutura construída inicialmente tivesse se desintegrado peça por peça.

Calleri, um dos principais atacantes, está afastado por lesão no tornozelo e não tem data para retorno. A ausência do goleador retira do time uma das poucas armas que funcionavam nos momentos de criatividade desesperada.

Permanência de Dorival e união do vestiário

Apesar da crise profunda, o São Paulo reafirmou que Dorival Júnior permanece no cargo. A diretoria não cogita trocar o técnico por enquanto, mensagem que pode soar como voto de confiança ou como falta de opções. O comando técnico terá oportunidade de reverter o quadro, mas não há garantias de longevidade caso os resultados não melhorem.

Em sinal positivo, membros de torcidas organizadas compareceram ao Centro de Treinamento para se reunir com jogadores e diretoria. A reunião representa momento de diálogo entre os segmentos do clube em crise, reafirmando que a luta pela permanência não é apenas dos jogadores, mas também da torcida que pulsa no coração do Tricolor.

Perguntas frequentes

Quantas rodadas faltam para o São Paulo se salvar do rebaixamento?

Faltam 14 rodadas até o fim do Campeonato Brasileiro, sendo oito jogos no Morumbis contra seis fora de casa.

Quando é o próximo clássico contra Palmeiras?

O clássico contra o Palmeiras será em 13 de setembro, no Allianz Parque, quando o time paulista enfrentará o líder da competição.

Por que o clássico contra Corinthians será na Vila Belmiro?

Porque o Morumbis não estará disponível na data de 4 de novembro devido aos shows do BTS, que tomam conta do estádio.

Written by
Júlia Matarazzo

Júlia Matarazzo cobre a torcida e a cultura tricolor — organizadas, clássicos contra Corinthians, Palmeiras e Santos, e o que significa ser são-paulino dentro e fora do Morumbi.