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São Paulo segue tímido com juventude: menos de 4 jogos por sub-23

Em resumo

  • São Paulo utilizou 12 sub-23 mas com apenas 40 jogos acumulados (3,3 por atleta), o menor índice entre os grandes.
  • Palmeiras oferece 8,7 jogos por sub-23 (11 atletas, 96 jogos), enquanto Corinthians concentra em 9 nomes com média de 9,8.
  • Vasco lidera em total de participações (137 jogos) e equilibra quantidade de atletas (16) com frequência (8,6 média).
  • O levantamento mede uso efetivo, não qualidade de formação: a diferença está em transformar oportunidade em continuidade competitiva.

O Campeonato Brasileiro de 2026 já colocou 206 jogadores diferentes com até 23 anos em campo. O levantamento, feito pelo Gato Mestre considerando a idade do atleta no dia de cada partida, revela não apenas a presença da geração emergente, mas também expõe diferenças profundas entre os modelos de gestão da juventude nos clubes da Série A. Para o São Paulo, o número sinaliza uma abordagem conservadora: o Tricolor utilizou 12 nomes nessa faixa etária, acumulando apenas 40 jogos — uma média de 3,3 partidas por atleta, a menor proporção entre os grandes clubes.

O dilema entre quantidade e protagonismo

Simplesmente contar quantos jovens entraram em campo mascara a verdade sobre o espaço concedido à juventude. Há clubes que pulverizam oportunidades entre muitos nomes, outros que usam poucos atletas mas com frequência consistente, e ainda aqueles que testam vários sem transformar nenhum em peça recorrente. A distinção importa porque revela uma segunda etapa crítica do trabalho de formação: a transformação da oportunidade em continuidade.

Grêmio lidera em quantidade, mas não em protagonismo

O Grêmio ocupa o topo em número de atletas diferentes — 18 nomes — porém com 112 jogos acumulados, uma média de apenas 6,2 partidas por jogador. O Cruzeiro apresenta cenário semelhante: 17 atletas, 114 jogos, média de 6,7. A liderança em quantidade não se traduz em presença efetiva.

Vasco encontra o equilíbrio

O Vasco combina volume de oportunidades com frequência. São 16 jogadores diferentes acumulando 137 jogos — a maior soma entre todos os 20 clubes — e média de 8,6 partidas por atleta. O levantamento posiciona o Vasco como o clube que melhor transformou a juventude em presença no Brasileirão.

Corinthians concentra e sustenta

O Corinthians segue uma lógica inversa do Grêmio. Utilizou apenas nove jogadores até 23 anos, número que o coloca na parte intermediária do ranking de quantidade. Mas esses nove atletas acumulam 88 jogos, média de 9,8 partidas por jogador — a mais alta entre os 20 clubes. O clube não dispersa oportunidades; aposta em um grupo reduzido e oferece continuidade.

O modelo conservador do São Paulo

O contraste entre o Tricolor e o Palmeiras é dos mais reveladores do levantamento. Ambos utilizaram números próximos de atletas diferentes — 12 no São Paulo e 11 no Palmeiras. Ali terminam as semelhanças.

Os 12 jovens do São Paulo acumulam 40 jogos. Os 11 do Palmeiras chegam a 96. A diferença de 56 jogos revela modelos completamente distintos. Enquanto o Verdão efetivamente transforma a oportunidade em presença, o Tricolor oferece oportunidades pontuais sem conversão em sequência competitiva. A média de 3,3 jogos por sub-23 do São Paulo é menos que a metade da média do Palmeiras, que chega a 8,7.

Entre os grandes clubes do estado, o São Paulo fica atrás também do Corinthians em consistência. O Timão, com maior percentual de aproveitamento dos nomes que escolhe, oferece praticamente três vezes mais continuidade a cada jovem. Essa diferença estrutural pode explicar trajetórias profissionais distintas: um jogador no São Paulo passa por uma ou duas aparições e sai; no Corinthians ou Palmeiras, ganha rodagem consecutiva antes de uma eventual transferência.

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Entre os gigantes: Flamengo e Fluminense ainda mais tímidos

O São Paulo não é o clube grande menos generoso com a juventude. Flamengo utilizou apenas seis jogadores até 23 anos, com 32 jogos acumulados. Fluminense foi ainda mais contido: cinco nomes, 34 jogos. Ambos os cariocas, porém, apresentam médias maiores — 5,3 no Flamengo e 6,8 no Fluminense — sugerindo que os poucos atletas que chegam ao campo possuem protagonismo maior.

Para o São Paulo, porém, a questão não é só quantidade ou só frequência, mas a combinação: ofereceu oportunidades a 12 nomes, mas sem transformar essa quantidade em presença significativa de nenhum deles. É uma abordagem que não casa experiência com volume.

Casos que desafiam as métricas: Coritiba e a aposta concentrada

O Coritiba oferece uma leitura complementar sobre formação. O clube utilizou 13 jogadores diferentes, sétimo maior número da Série A. Esses 13 acumulam 108 jogos, média de 8,3 por atleta. Coxa está acima de clubes que possuem mais nomes jovens no elenco, quando o critério é frequência de utilização.

Entre os coritibanos, Lavega e Tiago Cóser estão entre os sub-23 com mais partidas disputadas no campeonato, com 22 e 21 respectivamente. Lucas Ronier também aparece com 18 partidas no recorte. O Coritiba exemplifica como um clube de menor expressão pode construir protagonismo juvenil através da consistência.

Os indivíduos: quem mais jogou

Robert Renan, do Vasco, lidera o ranking individual com 23 jogos. Logo depois aparecem Breno Bidon (Corinthians), Arthur Dias (Athletico) e Lavega (Coritiba), todos com 22. Tiago Cóser (Coritiba), Allan (Palmeiras) e Matheus Martins (Botafogo) têm 21 partidas.

Entre os 20 primeiros figuram nomes como Evertton Araújo (Flamengo), Victor Hugo (Atlético-MG), Giay (Palmeiras), John Kennedy (Fluminense), Herrera (Bragantino) e João Cruz (Athletico). A presença recorrente de jogadores indica que passaram da condição de simples aposta eventual, ganhando espaço dentro da estrutura competitiva de seus clubes.

O que o levantamento revela sobre formação

Os números não medem qualidade de formação, investimento na base ou quantidade de jogadores revelados. Medem, exclusivamente, utilização efetiva na Série A. A metodologia do Gato Mestre — considerar a idade do atleta no dia de cada partida — evita classificações equivocadas e acompanha a utilização real ao longo da competição.

A distinção entre testar e apostar é essencial: um clube pode colocar muitos garotos em campo porque possui elenco jovem, está experimentando opções ou sofre com lesões. Outro pode usar menos atletas mas transformar alguns deles em peças recorrentes da engrenagem competitiva. É nessa segunda categoria que se revelam clubes com política de formação consistente.

Para o São Paulo, o levantamento funciona como espelho. Não questiona a qualidade de seus meninos — essa é discussão diferente. Quantifica o espaço que eles efetivamente ocupam na Série A. E esse espaço, segundo os dados do Gato Mestre, permanece limitado em comparação com rivais diretos que adotam modelos de maior confiança na juventude.

Perguntas frequentes

Quantos atletas sub-23 o São Paulo utilizou e qual foi sua média de jogos?

O São Paulo utilizou 12 atletas com até 23 anos, acumulando 40 jogos, o que resulta em uma média de 3,3 partidas por jogador — a mais baixa entre os grandes clubes.

Qual é a diferença entre os modelos de formação do São Paulo e do Palmeiras?

Ambos usaram números semelhantes de jovens (12 e 11), mas o Palmeiras os utilizou com muito mais frequência: 96 jogos contra 40 do São Paulo, média de 8,7 contra 3,3.

Qual clube liderou em total de participações de sub-23 no Brasileirão 2026?

O Vasco liderou com 137 jogos acumulados, distribuídos entre 16 atletas diferentes, média de 8,6 partidas por jogador.

Written by
Thiago Venâncio

Thiago Venâncio acompanha a base e as categorias de formação do São Paulo, uma das mais tradicionais fábricas de craques do país. Escreve sobre os talentos que despontam em Cotia antes de chegarem ao profissional.