Em resumo
- Calleri, único titular em todas as 11 partidas de Dorival, sofre entorse no tornozelo esquerdo e é dúvida para enfrentar o Bragantino no sábado.
- Se o argentino não jogar, será a 12ª escalação diferente em 12 jogos — Gustavo Santana, André Silva ou Ryan Francisco disputam a vaga.
- Saídas de Alan Franco, Dória e Enzo Díaz, somadas a lesões sucessivas na zaga, forçaram mudanças em cascata desde a primeira rodada.
- O São Paulo está sem vitória há dez rodadas e conquistou apenas 11 pontos dos últimos 51 em disputa, cenário que combina variação tática com ausência de resultado.
A provável ausência de Calleri no confronto de sábado contra o Red Bull Bragantino, no Morumbis, pela 12ª rodada do Brasileirão, marca um limite delicado para Dorival Júnior: se confirmada, será a primeira vez que o treinador escala um time sem o centroavante que esteve presente em todas as 11 partidas anteriores da sua gestão. Não se trata de um simples rodízio tático — é o reflexo de oito rodadas sem vitória, crises sucessivas de lesões e saídas que obrigaram mudanças em cascata.
O jogo está marcado para as 20h. Calleri sofreu entorse no tornozelo esquerdo durante o duelo contra a Chapecoense e foi substituído ainda no primeiro tempo. Desde então, permanece afastado dos trabalhos coletivos. Na última quarta-feira, participou apenas de atividades individualizadas, enquanto o restante do elenco treinava. Os testes previstos para os próximos dias indicarão se o argentino consegue suportar a carga de uma partida oficial, perspectiva que os auxiliares técnicos veem como remota.
Três candidatos para a vaga de Calleri
Dorival tem três opções sobre a mesa. A primeira é Gustavo Santana, jovem de 20 anos que entrou no intervalo ou ainda no primeiro tempo contra a Chapecoense para substituir o capitão. Nunca tinha sido titular com o treinador até então — sua entrada foi de emergência. A segunda é André Silva, centroavante que está em baixa e perdendo espaço progressivamente, mas que mantém recusa em sair do clube. Ele foi titular duas vezes com Dorival, ambas ainda antes da pausa para a Copa do Mundo.
A terceira opção mencionada internamente é Ryan Francisco, embora com menos espaço no debate público. Entre os três, Gustavo Santana é o candidato mais provável de ser escolhido, tanto por ser o que entrou em campo contra a Chapecoense quanto por sua juventude e potencial de desenvolvimento. Qualquer que seja a escolha, Dorival não terá garantias — nenhum dos três oferece o histórico de regularidade que Calleri construiu desde sua chegada.
O padrão de mudanças desde a primeira rodada
Contar que Dorival mudou de escalação em todas as 12 partidas não exagera: é exatamente isso que aconteceu. O time inicial contra o Millonarios, na primeira partida, incluía Alan Franco, Dória e Enzo Díaz — três jogadores que sequer integram mais o elenco. Dória pediu rescisão e jogou apenas aquele primeiro jogo. Enzo Díaz foi embora após a pausa de Copa do Mundo, insatisfeito com atrasos salariais. Alan Franco saiu em condições parecidas.
Dória abriu caminho para Sabino, que se machucou e retornou à titularidade apenas sete jogos depois. Nesse intervalo, Rafael Toloi (que também se lesionou), Osorio e outros zagueiros circularam pela defesa. Cada saída gerou ao menos uma mudança, às vezes mais — foi um efeito dominó que não permitiu nenhuma repetição de time ao longo de 12 rodadas.
A estrutura de posicionamento reforçava essa instabilidade. Antes da Copa do Mundo, Dorival usava dois pontas, um de cada lado, com um atacante mais centralizado abastecendo o jogo. Após a pausa, com tempo para trabalho tático, optou por um desenho radicalmente diferente: três meias de construção, somente Artur como ponta direita e Luciano com Calleri quase como dupla de ataque genuína.
A zaga e o rodízio forçado
A saída de Alan Franco e retorno de Arboleda
Alan Franco capitaneava a zaga ao lado de diferentes companheiros nas primeiras rodadas. Sua saída deixou um vazio que Arboleda preencheu após ausência. Enquanto isso, Osorio disputava espaço com Rafael Toloi, criando um cenário onde nenhum zagueiro canhoto consolidava presença fixa. Domingos Duarte chegou posteriormente como reforço específico para essa posição, trazendo um padrão diferente de jogo e ocupação de espaço.
Laterais em transição
Enzo Díaz saiu na lateral esquerda, Wendell assumiu e manteve titularidade durante boa parte do período, mas Iago entrou em rodízio. Lucas Ramon na direita resistiu como titular em praticamente todas as escalações, tornando-se dos poucos nomes que permaneceu fixo além de Calleri. Buta apareceu eventualmente nesse mesmo setor, sinal de que nem mesmo posições que parecia consolidadas escaparam de ajustes.
O centro de zaga
Sabino retornou à ativa após lesão, Toloi teve seu próprio período de indisponibilidade, Osorio ganhou sequência, Domingos Duarte desembarcou como contrato novo. Arboleda recebeu oportunidades renovadas quando recuperado de edema no adutor esquerdo. A repetição de nomes foi inevitável apenas porque o elenco disponível é limitado — não por escolha tática consistente.
Os reforços chegam para cobrir as lacunas
Domingos Duarte, Iago e Newton representam a resposta institucional às saídas. Eles começaram a aparecer com frequência nos últimos compromissos, testados em rodadas que deixaram o time sem vitória. Newton ganhou sequência no meio-campo, parceiro ou alternativa para Pablo Maia. Danielzinho voltou e saiu, Bobadilla apareceu e desapareceu — médios experientes que não encontraram ritmo ou preferência tática contínua.
Cauly, Artur e Ferreirinha se revezaram na construção ofensiva pelo lado direito, ocasionalmente no esquerdo. Luciano consolidou posição como segundo atacante mais regular após Calleri, mas nem sua presença impediu mudanças constantes ao seu redor. Marcos Antônio circulou na construção, pablo Maia segue como opção de volume, Bobadilla variou entre início de partida e banco.
A crise dentro da crise de resultados
O São Paulo não vence no Brasileirão há dez rodadas. Nesse período conquistou apenas 11 pontos dos 51 em disputa — índice de um time que alterna empates com derrotas. A variação de escalações não seria problema se os resultados acompanhassem — times bem organizados mudam sem perder consistência. O São Paulo, porém, combinou mudanças obrigatórias com ausência de placar positivo, criando a percepção de caos tático.
A partida contra o Bragantino oferece pista sobre se a chegada de reforços como Domingos Duarte e Newton alterará essa dinâmica, ou se haverá mais uma escalação diferente que não resolve o problema central: a impossibilidade de manter estrutura defensiva e ataque coordenado enquanto metade do time original pediu saída ou se lesionou.
O que esperar diante do Bragantino
Dorival terá de decidir entre manter fé em Gustavo Santana, giovem que nunca foi titular, ou recuar para André Silva, experiente mas desacreditado. Qualquer que seja a escolha, somará a 12ª mudança em 12 jogos — número que mais reflete a crise administrativa e de lesões do que virtudes tática. O time entra o confronto de sábado em posição delicada na tabela, dependendo de resultado imediato para não aprofundar a crise. Calleri, quando voltar, será peça-chave. Enquanto isso não acontece, Dorival segue navegando uma sequência de escalações ditadas por circunstância, nunca por opção.
Perguntas frequentes
Por que Calleri é tão importante para a escalação de Dorival?
Calleri é o único jogador que foi titular em todas as 11 partidas do treinador até agora. Sua presença representa a única constante em um elenco marcado por saídas (Alan Franco, Dória, Enzo Díaz) e lesões sucessivas.
Quem pode substituir Calleri contra o Bragantino?
As opções são Gustavo Santana, de 20 anos e nunca titular com Dorival até a entrada contra a Chapecoense; André Silva, em baixa e perdendo espaço; e Ryan Francisco. Gustavo Santana é o mais provável.
Qual é a situação do São Paulo no Brasileirão?
O time não vence há dez rodadas e conquistou apenas 11 pontos dos últimos 51 em disputa, refletindo um índice de empates alternados com derrotas que complica a posição na tabela.