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Processo de Ruan Tressoldi contra São Paulo por negligência médica

Em resumo

  • Ruan Tressoldi demanda R$ 14 milhões de indenização acusando o São Paulo de negligência médica durante sua passagem pelo clube no primeiro semestre de 2025.
  • O zagueiro alega ter continuado jogando apesar de dores após partida contra o Palmeiras em 11 de maio, submetido a infiltrações e PRP, procedimento experimental na época.
  • O São Paulo nega negligência e sustenta que Ruan apresentava alterações pré-existentes no joelho documentadas em exames admissionais, com origem degenerativa.
  • Juiz determinou perícia para esclarecer questões médicas sobre origem da lesão, adequação dos procedimentos realizados e responsabilidades de cada parte.

Ruan Tressoldi, zagueiro atualmente no Atlético-MG, ingressou com ação judicial contra o São Paulo acusando o clube de negligência médica. A lesão em questão ocorreu durante sua passagem pelo Tricolor no primeiro semestre de 2025. O processo demanda R$ 14 milhões de indenização. O clube nega completamente as acusações levantadas.

A primeira audiência foi realizada na terça-feira. Naquela ocasião, Ruan testemunhou e confirmou que de fato sofreu uma lesão enquanto participava de partidas pelo São Paulo. Também confirmou que o departamento médico do clube ofereceu tratamento tanto médico quanto fisioterápico para seu problema. Após ouvir o depoimento, o juiz encerrou as perguntas e emitiu determinação para que uma perícia fosse realizada, visando elucidar questões técnicas centrais do caso.

Os procedimentos sob controvérsia

Infiltrações e PRP experimental

O cerne da acusação de Ruan refere-se aos procedimentos médicos aos quais foi submetido e à forma como o clube administrou sua participação em partidas depois que começou a relatar desconforto.

Segundo o processo, o zagueiro foi submetido a infiltrações para aliviar o incômodo. Complementando esse tratamento, recebeu aplicações de plasma rico em plaquetas, procedimento conhecido como PRP que, à época, era classificado como experimental pelas autoridades médicas brasileiras, incluindo o Conselho de Medicina.

Continuação em campo e falta de seguro

Ruan contesta que tenha havido apropriado repouso após esses procedimentos. Ele alega que continuou atuando em campo apesar de reclamar de dores. Segundo sua narrativa, essa situação crítica começou a se desenvolver durante partida contra o Palmeiras ocorrida no dia 11 de maio, momento em que começou a comunicar problemas físicos ao clube.

Outro aspecto central da acusação refere-se à cobertura de custos. O zagueiro alega que o São Paulo não contratou um seguro obrigatório para cobrir eventuais lesões ocupacionais. Essa falha teria deixado o jogador desprotegido. Quando seu contrato com o clube se encerrou, Ruan precisou arcar pessoalmente com a realização da cirurgia necessária, desembolsando mais de R$ 20 mil de seus próprios recursos financeiros.

A sequência de eventos em maio

A partida contra o Palmeiras

A cronologia central do caso desenrola-se ao longo do mês de maio de 2025. No dia 11, o São Paulo enfrentou o Palmeiras. Durante esse confronto, Ruan começou a informar ao clube sobre o desconforto físico que estava experimentando.

Libertad e o exame de 15 de maio

Alguns dias depois dessa partida, o zagueiro foi escalado como titular em confronto contra o Libertad do Paraguai. Nessa sequência de compromissos, um exame clínico foi realizado no dia 15 de maio, servindo como documentação do estado físico do atleta naquele momento.

O final na partida contra Náutico

A mudança significativa na participação de Ruan ocorreu na rodada imediatamente posterior. Enfrentando o Náutico, seu tempo de jogo foi drasticamente reduzido. O jogador saiu do banco de reservas e entrou apenas aos 44 minutos do segundo tempo, último período possível da partida. Esse foi seu derradeiro compromisso pelo Tricolor na temporada.

O exame de 15 de maio figura como prova central no processo. Datado um dia após o jogo contra o Libertad, o documento serve como marcador temporal para estabelecer a sequência de tratamentos, investigações e participações em campo. Ele ajuda a posicionar cronologicamente quando exatamente Ruan estava sob qual forma de tratamento médico.

A defesa apresentada pelo São Paulo

Alterações pré-existentes

O Tricolor apresenta narrativa distinta dos eventos. O clube sustenta que Ruan já apresentava alterações estruturais no joelho no momento em que foi contratado. Essa alegação é suportada por exames admissionais realizados quando o jogador chegou ao clube.

Para o São Paulo, a condição diagnosticada apresenta natureza degenerativa e não resulta de um evento traumático que tivesse ocorrido em campo durante uma partida. Essa perspectiva é fundamental na defesa, pois modifica significativamente a responsabilidade do clube.

Investigação rápida e tempo de jogo controlado

Conforme fontes ouvidas pela reportagem, o São Paulo reagiu com diligência quando foi informado sobre a nova queixa de dores do jogador. A investigação aconteceu em menos de 24 horas após o jogo contra o Libertad. Nessa avaliação rápida, o clube constatou uma melhora clínica no estado do atleta.

Diante dessa avaliação, o Tricolor escalou o jogador contra o Náutico, mas deliberadamente com tempo de jogo controlado. Essa abordagem refletia uma tentativa de balancear a participação em campo com o gerenciamento cuidadoso da lesão.

O fator Sassuolo e o impasse na cirurgia

A complicação do empréstimo e direitos econômicos

Um elemento complicador na história é o papel do Sassuolo, time da Itália, que mantinha os direitos econômicos de Ruan durante seu empréstimo ao São Paulo. Essa situação criou restrição clara: qualquer decisão maior sobre a carreira do jogador, incluindo uma cirurgia que pudesse afetar seu valor ou disponibilidade, dependia da aprovação prévia do clube italiano.

A proposta não concretizada

O São Paulo havia planejado a realização do procedimento cirúrgico necessário, porém não podia executá-lo sem o aval formal de Sassuolo. Diante dessa complicação, o Tricolor apresentou proposta ao clube italiano: manter Ruan no Brasil sob responsabilidade do São Paulo, que custearia a cirurgia, a recuperação completa e a remuneração contínua do atleta. A proposta, porém, não se concretizou, deixando o jogador em situação indefinida.

A perícia como etapa decisiva

A determinação do juiz de solicitar perícia marca a próxima etapa fundamental do processo. Esse procedimento técnico deverá incluir análise de especialistas para esclarecer questões médicas críticas: a origem precisa da lesão, a adequação técnica dos procedimentos realizados, as responsabilidades de cada parte envolvida e se houve, de fato, negligência no atendimento oferecido.

O depoimento inicial de Ruan, ainda que breve, confirmou alguns pontos importantes de sua narrativa. Em particular, confirmou que o Tricolor ofereceu formas de tratamento médico e fisioterápico. Porém, a questão fundamental permanece: se tal tratamento foi apropriado, suficiente e realizado dentro de protocolos adequados.

A perícia será responsável por determinar se a lesão preexistia à passagem de Ruan pelo clube, conforme alegado pelo São Paulo, ou se foi substancialmente agravada durante sua estadia. O resultado desse laudo pode ser decisivo para o resultado final da ação judicial, influenciando se o clube será responsabilizado pela indenização solicitada.

Perguntas frequentes

Por quanto Ruan Tressoldi processa o São Paulo?

O zagueiro demanda R$ 14 milhões de indenização por negligência médica durante sua passagem pelo Tricolor no primeiro semestre de 2025.

Qual foi o gatilho da ação judicial de Ruan?

Ruan alega que sofreu lesão enquanto jogava pelo São Paulo e continuou em campo apesar de dores após partida contra o Palmeiras em 11 de maio. Recebeu infiltrações e tratamento com PRP, procedimento considerado experimental, e arcou pessoalmente com custos de cirurgia ao fim do contrato.

Como o São Paulo se defende das acusações?

O clube sustenta que Ruan já apresentava alterações no joelho quando foi contratado, conforme comprovado por exames admissionais. Afirma que o problema é degenerativo e não resultado de trauma em partida. Também argumenta que investigou a queixa em menos de 24 horas e escalou o jogador com tempo controlado.

Written by
Camila Forlán

Camila Forlán é analista tática, especializada em decompor esquemas de jogo, variações de formação e o estilo de cada treinador que passa pelo Morumbi. Escreve com foco em dados e vídeo.