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Problemas nos gramados forçam São Paulo a afastar quatro jogadores para Cotia

Em resumo

  • São Paulo transferiu Luan, Cédric Soares, Maik e Matheus Belém para treinar em Cotia devido aos problemas nos gramados do CT da Barra Funda.
  • O campo principal passou por reparos, e a diretoria planeja reformar todos os três gramados ainda em 2026.
  • Dorival Júnior confirmou que a decisão era necessária para evitar desgaste excessivo das instalações e risco de lesões nos jogadores.

O São Paulo enfrentou a necessidade de reorganizar seu planejamento de treinos a partir da última segunda-feira. A razão: as condições precárias dos gramados do CT da Barra Funda forçaram a comissão técnica e a diretoria a tomar uma decisão operacional que exemplifica os desafios estruturais do clube. Quatro atletas — o volante Luan e os laterais Cédric Soares e Maik, além do zagueiro Matheus Belém — foram transferidos para as instalações de Cotia, onde ficam em um cronograma separado de atividades até, no mínimo, o fim da semana.

O movimento se insere em um contexto maior de limitações físicas que o centro de treinamento enfrenta desde a reapresentação do elenco no segundo semestre. Esses quatro jogadores integram o chamado “Grupo 2”, composto por atletas que não estão nos planos imediatos do técnico Dorival Júnior para a sequência da temporada. A transferência, portanto, serve tanto para preservar os campos quanto para garantir que esses profissionais continuem sob supervisão técnica adequada, ainda que em local distinto da maioria do elenco.

O estado precário dos campos da Barra Funda

O CT da Barra Funda é formado por três campos de treinamento. Esse conjunto de instalações, que deveria estar em plenas condições para atender ao trabalho diário do elenco profissional, enfrentou uma série de empecilhos que comprometeu a estrutura disponível para a realização das atividades técnicas e táticas.

O campo principal, aquele onde tradicionalmente concentram-se os exercícios mais intensos e os trabalhos com o elenco maior, necessitou passar por reparos logo na volta da intertemporada. Isso deixou apenas dois campos para a operação simultânea de toda a estrutura de treinamento — cenário que, ainda assim, apresentava complicações adicionais. Um desses campos havia passado por uma reforma entre maio e julho com o objetivo de receber o mesmo tipo de gramado utilizado no estádio do Morumbis. Apesar de já estar liberado para uso, a orientação interna era evitar uma sobrecarga de atividades durante esse primeiro período após a renovação, a fim de não comprometer a integridade do material recém-instalado.

O terceiro campo como gargalo operacional

A pressão recaiu sobre o terceiro campo, que se tornou o principal palco de treinamentos enquanto o campo principal estava em manutenção. Porém, esse campo apresentava maior desgaste e condições que geraram inquietações internas quanto aos riscos de lesão para os jogadores. Trabalhos intensivos realizados em um gramado nessas condições aumentam significativamente a possibilidade de problemas físicos, algo inaceitável para um clube da dimensão do São Paulo num momento em que busca se recuperar na temporada.

A diretoria e a comissão técnica, cientes dessa situação insustentável, reconheceram que era necessário tomar medidas para não sobrecarregar ainda mais um campo já comprometido. A alternativa encontrada foi deslocar parte do elenco para Cotia, onde o CT de categorias de base oferecia mais gramados disponíveis e em melhores condições.

Plano de renovação de todos os três campos

Com os reparos no campo principal agora concluídos, o planejamento da diretoria prevê agora justamente reformar o gramado mais antigo — aquele que vinha recebendo a maior carga de treinamento. A intenção explícita é contar com os três campos renovados ainda durante este ano de 2026. Isso sinalizaria um esforço considerável do clube para resolver uma questão que evidencia deficiências na infraestrutura, apesar da importância de ter uma base de treinamento adequada para manter o desempenho em campo.

Os quatro jogadores do Grupo 2 e seu status no clube

Os nomes afastados para Cotia integram um segmento específico do elenco: Luan, Cédric Soares, Maik e Matheus Belém fazem parte do “Grupo 2” desde a reapresentação após a intertemporada. Esse rótulo, na prática, identifica profissionais que não estão mais nos planos do técnico Dorival Júnior para a sequência da temporada e do projeto do clube.

O volante Luan, os laterais Cédric Soares e Maik, e o zagueiro Matheus Belém possuem um cronograma de atividades separado e em horários alternativos em relação ao restante do elenco. Em Cotia, continuam sob supervisão de profissionais do clube, mas geograficamente afastados. Essa estrutura garante que continuem treinando e preparados fisicamente, sem, no entanto, integrar o dia a dia das atividades principais.

A decisão de Dorival e os problemas internos

Em entrevista coletiva realizada após a classificação do São Paulo na Sul-Americana, nesta terça-feira, Dorival Júnior foi questionado sobre a medida e forneceu detalhes sobre o raciocínio por trás da decisão. O técnico confirmou que se tratava de uma “decisão interna”, de conhecimento de todos na comissão, e que era “necessária”.

Dorival ressaltou que os quatro atletas estavam recebendo “toda a atenção possível” e sendo “acompanhados por profissionais”. Mais importante, o técnico mencionou explicitamente que a mudança foi decorrência de “problemas que estamos tendo internamente”. Essa referência, muito provavelmente, diz respeito às limitações estruturais dos gramados que acabavam de se tornar insustentáveis.

A cautela na escolha de palavras — problemas “internos” em vez de especificar que se trata de deficiência em infraestrutura — sugeriu uma postura de protocolo. Contudo, o ponto essencial era claro: o clube se viu obrigado a se adaptar às circunstâncias que os próprios campos lhe impunham.

Cronograma em Cotia e perspectivas de retorno

Os quatro jogadores cumprem seu cronograma em Cotia, onde o CT de categorias de base do São Paulo oferece uma quantidade maior de gramados disponíveis para diferentes grupos de treinamento. A programação atual prevê que permaneçam no local até sexta-feira. A partir daí, existe a possibilidade de retorno à Barra Funda na semana seguinte, mas essa definição ainda depende do planejamento e da avaliação técnica que o clube venha a fazer.

A flexibilidade nessa transição reflete a natureza contingencial da medida: não é uma separação permanente, mas uma solução provisória para contornar um gargalo operacional. Se os reparos no campo principal se consolidarem e a reforma do terceiro gramado começar de fato, a volta para a Barra Funda poderia ser viabilizada.

Contexto de retomada após jejum de vitórias

Essa movimentação ocorre num momento em que o São Paulo reconstrói seu moral após um período desafiador. Horas antes da transferência de Luan, Cédric Soares, Maik e Matheus Belém para Cotia, o clube havia vencido o Bolívar por 3 a 1 no Morumbis, eliminando o adversário nas oitavas de final da Sul-Americana. Luciano e Calleri marcaram, e Sabino contribuiu em defesa, encerrando uma sequência de seis jogos sem vitória.

Essa vitória reacendeu o otimismo no clube, criando uma atmosfera mais positiva para enfrentar os desafios administrativos e estruturais — incluindo os problemas com os gramados. O retorno à vitória, portanto, fornece um pano de fundo mais favorável para a reorganização operacional que se desenrola nos bastidores.

Perguntas frequentes

Quais são os quatro jogadores afastados para Cotia?

O volante Luan, os laterais Cédric Soares e Maik, e o zagueiro Matheus Belém. Todos integram o Grupo 2 do elenco e não estão nos planos imediatos de Dorival Júnior.

Por que o São Paulo decidiu mandar esses jogadores para Cotia?

Para preservar os gramados do CT da Barra Funda. O campo principal estava em reforma, um recém-renovado deveria ser poupado, e o terceiro apresentava desgaste significativo. Cotia oferece mais gramados disponíveis.

Quando eles podem voltar ao CT da Barra Funda?

O cronograma atual prevê treinamentos em Cotia até sexta-feira, com possibilidade de retorno à Barra Funda na semana seguinte, mas a definição depende do planejamento final do clube.

Written by
Thiago Venâncio

Thiago Venâncio acompanha a base e as categorias de formação do São Paulo, uma das mais tradicionais fábricas de craques do país. Escreve sobre os talentos que despontam em Cotia antes de chegarem ao profissional.