Carregando...

Marcos Antônio não virou ponta no novo esquema de Dorival

Em resumo

  • Marcos Antônio marca por fora pela esquerda na defesa, mas tem liberdade ofensiva para circular em diferentes zonas do campo.
  • O novo sistema de Dorival usa duas linhas de quatro com pressão alta de Luciano e Calleri, abrindo corredores para os laterais.
  • Quando Artur não joga, a dinâmica muda e Marcos pode marcar pela direita, alterando seu fluxo de transição rápida.
  • São Paulo venceu o Bolívar 3 a 1 e avançou para as quartas da Sul-Americana, mas segue sem vencer no Brasileirão desde abril.

A implementação do novo sistema tático no São Paulo, após a pausa para a Copa do Mundo, trouxe questionamentos sobre o emprego dos jogadores. Um deles envolve especificamente Marcos Antônio: frequentemente avistado pelo lado esquerdo do campo, o meia teria virado ponta? Dorival Júnior respondeu de forma direta à questão, deixando claro que não há tal conversão, mas explicando a lógica por trás daquelas aparições.

O Novo Papel de Marcos Antônio

A confusão tática surge porque o sistema de Dorival privilegia apenas um atacante de origem — habitualmente Artur. Do outro lado do campo, quem frequentemente ocupa espaços laterais é Marcos Antônio. Porém, essa presença recorrente não significa conversão de posição. A explicação envolve tanto a função defensiva quanto a liberdade ofensiva que o meia ganhou nesta estrutura.

Marcação por Fora e Dinâmica de Transição

Na fase defensiva, Marcos Antônio assume uma responsabilidade bem delimitada: fechar o setor esquerdo do campo, marcando por fora. Essa posição inicial muda conforme o jogo evolui. Quando o São Paulo recupera a posse em transição rápida, o meia frequentemente encontra-se já naquele espaço e parte de lá para participar do ataque. Essa sequência naturaliza sua aparição pela esquerda sem que haja obrigação de posicionamento permanente. É a defesa que o coloca lá; o ataque é que flui a partir daquele ponto.

O próprio Dorival explicou a dinâmica com clareza: “O Marcos não tem obrigação nenhuma de estar naquele espaço, a não ser para iniciar uma marcação. O Marcos é o jogador que marca por fora, pela esquerda ou, quando não temos o Artur, pela direita. É uma necessidade que temos, defensivamente, de ter um jogador por fora. Marcos tem liberdade de movimento, não tem obrigação de posicionamento nenhum. Quero deixar isso bem claro.”

A Abertura Calculada de Corredores Laterais

A intenção tática de Dorival é deixar um dos corredores laterais aberto para a infiltração do lateral-defensor no ataque. Quando Artur atua como titular, o atacante fica colado à linha pela direita, enquanto o lateral daquele lado apoia por dentro, auxiliando na construção de jogadas. Lucas Ramon ou Buta exercem essa função defensiva-ofensiva conforme a escalação. Do lado oposto, o lateral-esquerdo — Wendell ou Iago — é quem oferece amplitude, percorrendo o corredor com responsabilidade ofensiva. No apoio interior, não existe regra fixa; os meios-campistas têm liberdade para circular e aparecer onde o fluxo do jogo demanda.

Luciano compartilha dessa mobilidade com Marcos Antônio. O camisa 10 pode aparecer em diferentes zonas, desde que cumpra suas obrigações defensivas. A vitória sobre o Bolívar ilustrou bem essa flexibilidade: o primeiro gol saiu da infiltração de Danielzinho, o volante, num corredor que havia sido estrategicamente deixado aberto. Dorival explicou o lance: “O Marcos não tem obrigação de estar pela esquerda. Eventualmente, alguém vai ocupar aquele espaço. Também vamos abrir o corredor para os laterais buscarem jogadas de fundo. Assim saiu o primeiro gol, com a infiltração do nosso volante (Danielzinho).”

Liberdade Tática Dentro de um Padrão

O sistema permite que Marcos Antônio não fique preso a uma faixa do campo. Sua responsabilidade principal é a de fechar defensivamente pela esquerda, mas o posicionamento ofensivo é fluido. Isso diferencia a tática de Dorival dos esquemas mais rígidos, nos quais cada jogador tem uma zona fixa e intocável. A ideia é aproveitar o momento do jogo — se há espaço para atacar pela esquerda, quem estiver ali vai ocupá-lo.

O Funcionamento da Defesa em Duas Linhas

Dorival estruturou sua defesa em um padrão repetitivo: duas linhas de quatro jogadores, com pressão defensiva mais alta exercida por Luciano e Calleri. Nesse desenho, Artur marca pela direita enquanto Marcos Antônio fecha a esquerda. A transição de fase — de defesa para ataque — é o que explica tanto a mobilidade aparente do meia quanto a efetividade que o sistema vem oferecendo.

Esse padrão de marcação oferece estabilidade defensiva. Com dois atacantes pressionando na frente, os meios-campistas têm menos espaço para criar, e a transição rápida para o contra-ataque se torna viável. Marcos Antônio, ao recuperar a bola já posicionado lateralmente, tem a chance de participar rapidamente do ataque sem precisar percorrer longas distâncias.

Ajustes Necessários Quando Artur está Ausente

A dinâmica tática se altera quando Artur não está disponível. Dorival testou Ferreirinha e Victor Sá como titulares nas oitavas de final da Copa Sul-Americana, o que impactou tanto o funcionamento ofensivo quanto o desempenho defensivo de Marcos Antônio. Ambos os atacantes alternativos preferem o lado esquerdo, forçando o meia a deslocar-se para marcar pela direita. Isso significa que ele passa a partir de lá em momentos de transição rápida, alterando seu fluxo natural de jogo.

Essa reconfiguração mantém a lógica do sistema intacta, mas muda o caminho percorrido. O resultado é uma flexibilidade tática que permite a Dorival adaptar-se a diferentes cenários sem desmontar completamente sua estrutura. Marcos Antônio prova ser um jogador versátil o suficiente para funcionar em ambas as laterais, dependendo de quem estiver escalado na frente.

O Contexto de Pressão e o Retorno à Vitória

Dorival enfrentava uma pressão considerável por resultados. Seis jogos consecutivos sem vencer comprometem não apenas o técnico, mas a confiança de todo o elenco. A implementação de um novo sistema tático, em tais circunstâncias, era um risco calculado. A vitória contra o Bolívar validou a escolha.

A Goleada que Classificou para as Quartas

O confronto contra o Bolívar era mata-mata nas oitavas de final da Copa Sul-Americana. O São Paulo havia enfrentado adversidade no jogo de ida: empatou 1 a 1 em La Paz, na altitude que tira o fôlego dos visitantes. Na volta, em casa, o time se superou. Com o novo sistema já em funcionamento, aplicou uma goleada de 3 a 1 que garantiu a classificação com margem confortável para as quartas de final. O próximo adversário será o Boca Juniors — um duelo que carrega peso histórico e grande tradição no futebol sul-americano.

O Jejum que Persiste no Brasileirão

Apesar da vitória convincente na Sul-Americana, o São Paulo segue em jejum prolongado no Brasileirão. A última vitória na competição ocorreu em 25 de abril — nove rodadas atrás — um período que gerou tanto desgaste quanto questionamentos sobre o desempenho do time na principal competição do país. O novo esquema, embora tenha funcionado bem contra o Bolívar, ainda não se converteu em pontos aproveitáveis na liga nacional.

O próximo teste será no domingo, às 18h30, contra a Chapecoense na Arena Condá, pela 24ª rodada. Esse jogo é importante não apenas para quebrar um jejum que se arrasta há meses, mas também para validar se a tática de Dorival com Marcos Antônio funciona consistentemente na competição que mais importa para o Tricolor.

Perguntas frequentes

Por que Marcos Antônio aparece frequentemente na esquerda?

Ele marca por fora nesse setor na fase defensiva. Quando o São Paulo recupera a bola em transição rápida, muitas vezes se encontra já naquele espaço e participa do ataque de lá.

Marcos Antônio virou ponta no novo sistema de Dorival?

Não. Marcos é um meia com liberdade de movimento que marca por fora defensivamente, mas não é obrigado a ocupar uma posição fixa no ataque.

Como muda a atuação de Marcos quando Artur não joga?

Quando falta Artur, Marcos pode ser escalado para marcar pela direita em vez da esquerda, alterando seu caminho nas transições rápidas.

Written by
Thiago Venâncio

Thiago Venâncio acompanha a base e as categorias de formação do São Paulo, uma das mais tradicionais fábricas de craques do país. Escreve sobre os talentos que despontam em Cotia antes de chegarem ao profissional.