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Rui Costa reafirma demissão de Crespo e revela drama de Oscar

Em resumo

  • Rui Costa reafirmou que demitiria Crespo novamente, defendendo a decisão como necessária para manter a confiança no clube.
  • Oscar quase morreu durante treino no São Paulo por problema cardíaco, salvo apenas pela presença de seis cardiologistas do Albert Einstein.
  • Rui tentou contratar Filipe Luís antes de Roger Machado, mas o ex-Flamengo recusou por estar em momento difícil após sair do Flamengo.

Rui Costa, que comandou o departamento de futebol do São Paulo de janeiro de 2021 até sua demissão em junho de 2026, abriu o jogo em entrevista sobre seus cinco anos à frente do Tricolor. O executivo de 55 anos, gaúcho de origem, revisitou episódios polêmicos e defendeu suas decisões, começando pela demissão de Hernán Crespo, que à época era vice-líder do Campeonato Brasileiro.

Durante sua passagem, Rui Costa foi responsável por contratar jogadores como James Rodríguez, Lucas e Oscar. No mesmo período, o São Paulo conquistou o Campeonato Paulista de 2021, a Copa do Brasil de 2023 e a Supercopa de 2024.

A demissão de Crespo que ainda gera debate

Quando perguntado se demitiria Crespo novamente, Rui Costa foi direto: “Se eu tivesse os subsídios, os insumos e as percepções que eu tive com outras pessoas naquele momento, eu teria demitido”.

As razões por trás da saída

Segundo Rui Costa, Crespo questionava constantemente o planejamento do clube, pressionando por contratações e argumentando que o elenco não evoluiria sem reforços. “O Crespo várias vezes colocou de forma muito clara que não concordava com algumas coisas que estavam postas como dados de realidade. Ele queria contratações, achava que o time não podia evoluir”, explicou o executivo.

Essas discordâncias internas geraram dissintonia entre técnico e dirigência. Rui deixou claro que respeita Crespo como profissional, mas precisava de um comandante que transmitisse confiança. “Que vai no Morumbi tem que acreditar que é possível. Esse é o clube onde eu estava. Essa é a noção de pertencimento.”

Reconhecimento de possível erro tático

O ex-dirigente admitiu que talvez tivesse sido “um pouco mais hábil na construção” da situação, deixando os resultados legitimarem sua decisão naturalmente. Também reconheceu estar preparado para críticas futuras caso Crespo prove estar correto.

Oscar: quando a morte fica perto demais

O ex-meia Oscar sofreu um problema cardíaco súbito durante treinos no São Paulo, quase perdendo a vida em um episódio que poderia ter terminado em tragédia. Era um jogador de “altíssimo nível”, vindo de uma liga europeia com valores altíssimos, e Rui o convenceu a retornar com contrato compatível com sua carreira.

“Estava a cada dia melhorando, a cada dia trazendo mais qualidade. Ele jogava demais”, relatou Rui. Tudo mudou quando Oscar sofreu o mal súbito. “Ele não morreu por um milagre divino. Ele tem um mal súbito no dia em que tinha, sei lá, seis cardiologistas do Albert Einstein dentro do CT e que imediatamente o socorreram”, descreveu o executivo.

Se o episódio tivesse ocorrido em um dia normal de treino, sem médicos presentes, o desfecho seria diferente. “Se ele estivesse em um dia normal de treino, tivesse tido um mal súbito que ele teve, talvez ele tivesse falecido”, afirmou Rui.

A rustic statue of a soccer player captured in a park in Alajuela, Costa Rica.

Arboleda: sumiço e questões emocionais

Outro episódio delicado marcou os últimos meses de Rui no São Paulo: o sumiço do zagueiro Arboleda antes de compromissos importantes do clube.

Histórico de profissionalismo com exceção

Quando chegou ao São Paulo, Rui encontrou Arboleda com salário que julgava incompatível com seu desempenho técnico, mas realizou duas renovações de contrato. O zagueiro teve pequenos atrasos relacionados a viagens ao Equador, mantendo profissionalismo geral.

O problema começou quando Arboleda foi relacionado para uma concentração, não compareceu e passou a enviar justificativas posteriormente. “Foi a primeira vez que eu vi isso na minha carreira”, disse Rui.

Oportunidade perdida de diálogo

Rui afirma ter trato cuidadoso com questões humanas e lamenta que Arboleda não tenha procurado a dirigência para explicar seus problemas emocionais. “Se o Arboleda tivesse procurado a mim ou o Rafinha, especialmente a mim, porque que eu era o cara que mais conversava com ele, e tivesse me dito que estava com um problema emocional, eu seria o primeiro a garantir que ficasse dois, três meses fora do clube.”

Rui reconhece que o processo de reintegração conduzido posteriormente por Rafinha e Dorival foi bem executado.

Roger Machado no lugar de Crespo

Quando Crespo saiu, a contratação de Roger Machado despertou especulações sobre amizade entre os dois. Rui negou veementemente essa narrativa.

Uma decisão estritamente profissional

“Nunca faria isso, nunca fiz na minha carreira. Eu já até trabalhei com treinadores por quem eu não nutria uma relação que não fosse profissional”, garantiu Rui. Ele ressaltou que praticamente não tinha contato pessoal com Roger: “Depois do Grêmio, nunca mais tinha encontrado o Roger pessoalmente, a não ser em um restaurante nesse período de férias.”

Roger não foi o primeiro nome procurado. Antes dele, o São Paulo tentou contratar Filipe Luís, que estava desempregado após sua saída do Flamengo.

Filipe Luís e a recusa

Rui descreveu Filipe como “um cara extraordinário” e revelou que conversou longamente com o ex-Flamengo, que mostrou entusiasmo pela oportunidade. Porém, Filipe relatou estar em um “momento difícil” após sair do Rio de Janeiro e não aceitou a proposta.

“O Filipe não estava em clube nenhum. E nós conversamos com ele para entender o que queria. Conversamos demoradamente”, recordou Rui. Apenas após Filipe recusar é que Roger Machado foi contatado.

Vida pessoal e o custo emocional

Cinco anos longe de casa deixaram marcas profundas em Rui. Ele saiu de Porto Alegre quando seus gêmeos tinham 12 anos e voltou quando estão próximos dos 18. “Era muito importante para mim voltar para casa. Desde que saí daqui, são mais de dez anos. A primeira vez que fiquei longe da família foi exatamente nessa minha longa passagem pelo São Paulo.”

Agora aproveita o tempo com os filhos, levando-os à escola. Está mais próximo da companheira de mais de 30 anos e vivencia a idade avançada de seus pais, com mais de 86 anos. “Esse resgate da minha conexão com a família tem sido muito importante. Eu tenho desfrutado disso a cada dia”, afirmou.

A pressão, as ameaças e o impacto no trabalho

Para Rui, a pressão faz parte do cargo de executivo de futebol. Mas o que ele recebeu ultrapassou os limites do razoável. Ameaças de morte, vídeos de IA simulando seu assassinato e ameaças veladas aos filhos marcaram sua experiência no clube.

“Receber um vídeo em que há uma simulação de inteligência artificial e você está sendo assassinado, isso não me parece razoável”, afirmou. “Atletas receberem foto dos filhos saindo do colégio com a placa do carro e dizendo: ‘Vai embora, senão pode acontecer alguma coisa’. Isso não é pressão. É inaceitável, não pode ser normal.”

O impacto na família foi devastador. Seu pai, pessoa com quem teve pouco contato durante a vida profissional intensiva, chegou a chorar pedindo que Rui saísse do São Paulo. “Recentemente, eu via muito o meu pai chorar quando ele falava comigo e dizia: ‘Cara, vem para casa’”, lembrou.

Mas Rui encontrou força na lição que recebeu de seu pai: “Se eu voltar, eu não sou digno de ser o teu filho, porque tu me ensinaste a suportar essas coisas”.

Fonte: ge > são paulo

Perguntas frequentes

Rui Costa está arrependido de ter demitido Crespo?

Não. Rui afirmou que se tivesse os mesmos subsídios e percepções naquele momento, teria tomado a mesma decisão novamente, pois precisava de um técnico que transmitisse confiança aos jogadores e torcedores.

O que aconteceu com Oscar no São Paulo?

Oscar sofreu um mal súbito de caráter cardíaco durante treino e quase morreu. A presença de seis cardiologistas do Albert Einstein no CT salvou sua vida, impedindo uma tragédia que poderia ter ocorrido em um treino normal.

Por que Roger Machado foi contratado no lugar de Crespo?

Rui negou que a contratação fosse por amizade. Antes de Roger, o São Paulo tentou contratar Filipe Luís, que recusou por estar em momento difícil. Roger foi escolhido como profissional após Filipe declinar a proposta.

Written by
Ricardo Bittencourt

Ricardo Bittencourt cobre o São Paulo FC há mais de quinze anos, com foco em bastidores do clube e decisões da diretoria. Acompanha de perto o dia a dia do CT da Barra Funda e as movimentações que antecedem cada janela de transferências.