Em resumo
- Dorival completou dez jogos sem repetir a escalação uma única vez, resultado de saídas administrativas, lesões e mudanças táticas.
- Dória saiu após uma partida, enquanto Alan Franco e Enzo Díaz departiram após a Copa do Mundo devido a atrasos salariais.
- O técnico alterou o sistema após a Copa do Mundo, passando de duas pontas para três meias no miolo do campo.
- A 11ª escalação diferente deve ocorrer contra a Chapecoense neste domingo, com Sabino mantido na zaga por lesão de Arboleda.
Dorival Júnior completou dez partidas no comando do São Paulo com uma estatística inusitada: nunca repetiu a mesma escalação. Na vitória sobre o Bolívar na terça-feira, quando chegou à marca de dez jogos, o técnico ainda não havia colocado em campo o mesmo grupo de 11 titulares em dois confrontos consecutivos. As explicações para esse fenômeno passam por saídas inesperadas motivadas por atrasos salariais, lesões que se acumularam em sequência e uma reformulação tática que reorganizou o sistema de jogo.
As saídas iniciais que desarticularam o elenco defensivo
A primeira escalação de Dorival, contra o Millonarios, contava com Alan Franco, Dória e Enzo Díaz estruturando a defesa. Nenhum dos três permaneceu no clube após as primeiras semanas de trabalho. Essa rotatividade forçada iniciou uma cascata de mudanças que se estenderia por todo o período.
Dória sai já na primeira partida pedindo rescisão
Dória começou como titular na estreia contra o Millonarios, ao lado de Alan Franco na zaga central. Porém, após aquele jogo inicial, pediu a rescisão de seu contrato. Saiu rapidamente do projeto, deixando uma vaga que precisava ser preenchida com urgência. Sabino chegou para ocupar o cargo, oferecendo uma solução que também se mostrou temporária.
O carrossel de lesões que estendeu a instabilidade
Com Sabino fora de combate por uma lesão, Osorio e Rafael Toloi dividiram as responsabilidades de zagueiro ao lado de Alan Franco durante o período de recuperação. Toloi, porém, também sofreu um problema físico. O período entre a lesão inicial de Sabino e seu retorno abrangeu sete jogos – praticamente um mês de competição. Nesse intervalo, a defesa conheceu constante rodízio de nomes.
Atrasos salariais provocam saída simultânea de Alan Franco e Enzo Díaz
A situação se agravou de forma dramática após a pausa para a Copa do Mundo. Alan Franco e Enzo Díaz, ambos insatisfeitos com sucessivos atrasos de salários, pediram para sair do clube. Os dois que iniciaram o projeto de Dorival na defesa desapareceram simultaneamente. Arboleda, que estava afastado de atividades, retornou para substituir Alan Franco como zagueiro central. Wendell permaneceu na lateral esquerda, consolidando-se como um dos poucos elementos com continuidade durante essas mudanças.
A reformulação tática que reorganizou o meio-campo e o ataque
Além das questões administrativas e dos problemas físicos, o próprio sistema de jogo que Dorival empreendeu evoluiu significativamente. Essa transformação tática contribuiu ativamente para a impossibilidade de repetir escalações.
O esquema inicial com duas pontas laterais
Antes da pausa para a Copa do Mundo, Dorival utilizava uma formação que colocava uma ponta em cada lateral do campo – Ferreirinha na esquerda e Artur na direita – com um atacante servindo como armador mais centralizado. Esse desenho ofensivo aproveitava os nomes disponíveis naquele momento do calendário, com Calleri e Luciano funcionando mais como referência ou segundo atacante.
A passagem para três meias após a Copa do Mundo
Quando as atividades retomaram pós-Copa do Mundo, Dorival finalmente dispôs de um período mais consistente de treinos com o elenco completo. Aproveitou essa janela para reformular o sistema. Passou a empregar três meias-campistas no miolo do campo – uma mudança significativa na estrutura ofensiva. Deixou apenas Artur como ponta pela direita, retirando o segundo apontador de jogo. Luciano e Calleri passaram a funcionar quase como uma dupla de ataque tradicional, dois homens mais avançados e diretos no padrão de jogo.
A competição entre os nomes do meio-campo
Essa mudança tática reorganizou completamente o equilíbrio do time e criou uma competição intensa no setor de meio-campo. Nomes como Bobadilla, Danielzinho, Pablo Maia, Marcos Antônio e Newton começaram a disputar por espaço dentro dessa nova configuração. Cada um oferecia características diferentes – alguns mais criativos, outros mais defensivos – o que permitiu a Dorival variar as combinações dependendo do adversário.
Os dois momentos em que a repetição quase se concretizou
Em dez partidas, Dorival chegou notavelmente próximo de repetir a escalação apenas duas ocasiões. Essas quase-repetições marcam os momentos de maior estabilidade do período.
Entre o jogo contra o Boston River e o confronto seguinte com o Remo, a única alteração foi a entrada de Enzo Díaz na vaga de Wendell como lateral esquerdo. Praticamente toda a formação se manteve, marcando a ocasião mais próxima de verdadeira continuidade. A sequência defensiva, o meio-campo com Pablo Maia e Danielzinho, e o ataque com Artur, Ferreirinha e André Silva permaneceram intactos.
Depois, dos 11 que empataram com o Flamengo no Rio de Janeiro, somente Artur – que se machucou – não retornou à titularidade na derrota para o Grêmio. Quase toda a configuração se repetia: Rafael no gol, os laterais Lucas Ramon e Wendell, os zagueiros Arboleda e Osorio, o meio-campo com Pablo Maia, Danielzinho e Marcos Antônio, e o ataque com Ferreirinha, Luciano e Calleri.
Os reforços chegam para mudar o tabuleiro nos últimos três jogos
Nos últimos três confrontos – Bolívar, Coritiba e novamente Bolívar – Dorival começou a incorporar os reforços que havia chegado especificamente para cobrir as saídas anteriores e criar alternativas. Domingos Duarte entrou gradualmente na zaga, oferecendo uma opção adicional ao lado de Arboleda ou em seu lugar. Iago começou a se alternar com Wendell na lateral esquerda, fornecendo versatilidade ao setor. Newton ganhou sequência no meio-campo, preenchendo o espaço deixado pelas mudanças e oferecendo uma abordagem diferente na contenção.
A 11ª escalação diferente contra a Chapecoense é uma certeza
O São Paulo enfrenta a Chapecoense neste domingo, às 18h30, fora de casa, em partida válida pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. A tendência é que Dorival escale um 11º time diferente, confirmando a sequência de nunca repetir. Sabino deve permanecer na zaga porque Arboleda ainda se recupera de uma lesão e não retornou ao disponível.
Até agora, Sabino foi titular em apenas dois jogos diferentes. Na primeira ocasião, Alan Franco era seu companheiro de zaga. Na segunda – a terça-feira contra o Bolívar – Domingos Duarte ocupava o outro lado da defesa central. Como nenhuma dessas duplas se repete agora, com Arboleda indisponível, uma combinação inédita tomará forma em Santa Catarina.
O significado de nunca repetir para a identidade da equipe
Uma equipe que jamais repete a mesma formação em dez jogos consecutivos dificilmente consegue consolidar identidade tática ou entrosamento entre os jogadores. Defesas não desenvolvem a leitura mútua que vem do treino repetido. Ataques não automatizam as triangulações e os movimentos combinados que precisam estar na memória muscular. Cada partida é uma estreia em certos aspectos fundamentais da dinâmica coletiva.
Isso explica em parte a instabilidade de desempenho que o São Paulo demonstra no Brasileirão. O caos administrativo dos atrasos salariais, as lesões constantes que se acumulam, e as mudanças táticas forçadas criam um cenário em que improvisações nunca podem ser completamente ensaiadas ou consolidadas. É um time que joga sempre de primeira, sem a segurança de saber exatamente como o colega ao lado vai reagir em cada situação.
Perguntas frequentes
Quantas vezes Dorival repetiu a escalação do São Paulo?
Nenhuma. Em dez jogos, o técnico não conseguiu colocar em campo o mesmo grupo de 11 titulares em duas ocasiões consecutivas.
Por que tantos jogadores saíram do São Paulo?
Dória pediu rescisão após uma partida. Alan Franco e Enzo Díaz saíram após a Copa do Mundo, insatisfeitos com atrasos consecutivos de salários.
Como Dorival alterou o sistema tático?
Antes da Copa do Mundo, usava duas pontas laterais e um armador centralizado. Depois, passou a três meias no meio-campo, apenas Artur na ponta direita e Luciano e Calleri como dupla de ataque.