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Comissão de Ética recomenda expulsão de Julio Casares

Em resumo

  • A Comissão de Ética votou unanimemente pela expulsão de Julio Casares do quadro associativo do São Paulo por gestão temerária e irregular.
  • Casares é acusado de R$ 7 milhões em saques sem documentação e R$ 1 milhão em gastos do cartão corporativo em estabelecimentos de luxo, restaurantes e charutos.
  • O ex-presidente devolveu apenas R$ 560.401,74 ao clube em novembro, cobrindo uma fração mínima dos gastos questionados.
  • O Conselho Deliberativo marcará votação para ratificar ou rejeitar a recomendação da Comissão de Ética.

A Comissão de Ética do São Paulo votou, de forma unânime, pela sugestão de expulsão do ex-presidente Julio Casares do quadro associativo do clube. A decisão segue investigações internas que apontaram gestão temerária ou irregular durante sua administração de 2021 até janeiro de 2026, quando sofreu impeachment e renunciou antes do encerramento do processo em Assembleia Geral. O parecer agora segue para análise do Conselho Deliberativo, que deterá o poder de ratificar ou rejeitar a recomendação.

A votação unânime da Comissão de Ética

Os cinco integrantes da Comissão de Ética votaram pela expulsão sem divergências. Luiz Braga, Mario Celso Braga, Milton Jose Neves Junior, José Edgard Galvão Machado e Fabio Cesar de Souza Azambuja assinaram o parecer que fundamentou a recomendação. O relatório, elaborado por Luiz Braga como relator, construiu o caso contra Casares a partir de dados financeiros e administrativos que teriam violado normas internas do clube. O documento detalha achados de investigações que cobriram a totalidade do período de gestão do ex-presidente.

A base legal do enquadramento

O ex-dirigente está sendo enquadrado no Artigo 34 do Estatuto Social do São Paulo, que prevê penalidades para condutas administrativas irregulares. Esse artigo forneceu a base legal para que a Comissão de Ética pudesse recomendar uma medida drástica como a expulsão do quadro associativo. A decisão final, porém, não compete à Comissão — caberá ao Conselho Deliberativo ratificar ou rejeitar o parecer em votação própria, que ainda precisa ser marcada. O estatuto reserva ao Conselho essa prerrogativa em casos de sanções de gravidade especial.

O escopo da investigação

A investigação interna centrou-se em dois eixos principais: movimentações de caixa e despesas corporativas. Ambos apontaram para um padrão de gastos que a Comissão considerou inadequado para um presidente de futebol, levantando questões sobre a origem, a finalidade e o destino dos recursos utilizados. Os investigadores compararam registros documentais, extratos bancários e notas fiscais, buscando estabelecer se havia justificativa plausível para cada transação.

Os R$ 7 milhões em saques sem comprovação

O relatório cita a constatação de aproximadamente R$ 7 milhões sacados das contas do clube durante a gestão de Casares. Conforme documentado pela Comissão, essa quantidade significativa de recursos foi movimentada sem que a documentação disponível comprovasse adequadamente sua origem, o propósito dos saques ou para onde o dinheiro foi direcionado. Esse montante representa uma fração considerável do orçamento operacional do clube e sua movimentação sem auditoria adequada constituiria um desvio grave.

Falta de transparência nos registros

A Comissão de Ética argumenta que um presidente de uma instituição do porte do São Paulo deve manter registros claros e auditáveis de qualquer movimentação de recursos. A lacuna documental em torno desses R$ 7 milhões foi interpretada como indicativo de gestão temerária, levando a questionamentos mais amplos sobre a integridade administrativa durante o período à frente do clube. A impossibilidade de rastrear esses fundos configura, segundo a Comissão, um prejuízo material ao clube e violação dos deveres fiduciários de um presidente.

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Os gastos no cartão corporativo

Paralelo aos saques, o relatório da Comissão dedica atenção especial aos gastos efetuados no cartão corporativo do São Paulo. Conforme levantado, Julio Casares utilizou o cartão para compras em estabelecimentos que a Comissão classificou como de luxo, incluindo restaurantes badalados, charutarias, salões de beleza e até petshops. O padrão de gastos identificado não alinha-se com despesas esperadas de um presidente executivo em exercício do cargo, sugerindo apropriação de recursos corporativos para fins pessoais.

A lista de despesas pessoais

Entre as categorias de gasto estão também medicamentos de uso pessoal e despesas médicas que, na avaliação da Comissão, não guardam relação com as obrigações de um presidente executivo. Essas compras reforçam a narrativa de má utilização de recursos públicos do clube para fins particulares, um dos pilares da acusação contra Casares. O relatório enumera esses gastos como evidência de desconexão entre as funções de Casares e o perfil de despesas que acumulou.

Os números específicos revelados

Em julho de 2026, reportagem do ge revelou que Casares havia gasto R$ 1 milhão no cartão corporativo. Entre os estabelecimentos com maior frequência estava o Esch Café, uma casa de charutos, com 71 idas registradas no período. O restaurante Gero, um dos mais procurados da capital paulista, contabilizou 53 pagamentos independentes. Complementavam o quadro compras em lojas de luxo não nomeadas especificamente no relatório, mas referenciadas como parte de um padrão de despesas desproporcionais e incompatíveis com a função.

A devolução parcial e a questão da accountability

Em novembro do ano anterior, quando já era investigado pela Polícia Civil por possíveis irregularidades em sua gestão, Casares devolveu R$ 560.401,74 ao São Paulo. A devolução, ainda que representasse um gesto de recomposição, cobria apenas uma fração dos gastos que a Comissão identificou como problemáticos. Para a Comissão de Ética, esse reembolso não resolve a questão administrativa maior: o uso inadequado e não autorizado de recursos corporativos durante meses ou anos de gestão. A retirada de dinheiro é vista como agravante, não como atenuante, uma vez que ocorreu quando as investigações já estavam em curso.

A recomendação de indenização

Além de sugerir a expulsão, a Comissão de Ética recomendou que Casares seja condenado a indenizar o São Paulo. Essa recomendação apoia-se no Artigo 11 do Estatuto Social, que autoriza a aplicação de penalidade indenizatória contra associados que causem dano ou prejuízo material ao clube. O montante ainda será apurado, provavelmente levando em conta a totalidade dos gastos questionados, os saques não documentados e possíveis danos à reputação institucional do São Paulo perante patrocinadores, investidores e órgãos reguladores.

O que o Conselho Deliberativo fará

A decisão final não cabe à Comissão de Ética, mas ao Conselho Deliberativo, que precisa marcar uma reunião para votar o relatório. Se aprovado, Casares será expulso do quadro associativo; se rejeitado, a recomendação não se efetivará. O prazo para essa votação não foi estabelecido publicamente, deixando em aberto quando a questão será resolvida definitivamente.

O precedente das expulsões anteriores

Nos últimos meses, o São Paulo expulsou outros três integrantes do quadro associativo: Douglas Schwartzmann, Mara Casares e Marcio Carlomagno. Todos foram punidos por envolvimento em um esquema de exploração de um camarote clandestino no Morumbis, caracterizado como uso indevido de estrutura do clube para lucro pessoal. A recomendação contra Julio Casares segue um padrão já estabelecido de ação disciplinar severa em casos de conduta administrativa questionável. O clube sinalizava, com esses casos anteriores, intolerância a práticas que violem a confiança institucional.

Perguntas frequentes

Por que a Comissão de Ética recomenda a expulsão de Julio Casares?

Por gestão temerária ou irregular, incluindo aproximadamente R$ 7 milhões em saques sem documentação adequada e R$ 1 milhão em gastos com cartão corporativo em estabelecimentos de luxo, restaurantes e charutos, além de despesas pessoais que não condizem com a função de presidente.

Quanto tempo Julio Casares foi presidente do São Paulo?

Casares foi presidente de 2021 até janeiro de 2026, quando sofreu impeachment e renunciou antes da conclusão do processo em Assembleia Geral.

Quem tem a palavra final sobre a expulsão de Casares?

O Conselho Deliberativo do São Paulo precisa marcar uma reunião e votar a aprovação ou rejeição do relatório da Comissão de Ética para confirmar ou rejeitar a recomendação de expulsão.

Written by
Camila Forlán

Camila Forlán é analista tática, especializada em decompor esquemas de jogo, variações de formação e o estilo de cada treinador que passa pelo Morumbi. Escreve com foco em dados e vídeo.