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Ryan Francisco aguarda novas chances após entrada polêmica contra Boca

Em resumo

  • Ryan Francisco entrou contra o Boca Juniors na segunda etapa e marcou gol que foi anulado por impedimento de Luciano após análise do VAR
  • O jovem de 19 anos passou nove meses afastado por cirurgia no ligamento cruzado e ainda busca consolidação no elenco profissional de Dorival
  • Dorival explicou que não teve situação tranquila para desenvolver Ryan gradualmente, sendo forçado a escalá-lo pela urgência da eliminatória

Ryan Francisco entrou em campo na segunda etapa da eliminatória contra o Boca Juniors pela Copa Sul-Americana e marcou o que seria o gol da esperança tricolor. O jovem de 19 anos viu sua bola ultrapassar a linha, mas o VAR interveio — as linhas traçadas manualmente mostraram Luciano em posição de impedimento, anulando o tento. A entrada do atacante na partida surpreendeu: após meses afastado e sem espaço no elenco profissional, ele voltava para tentar reverter um cenário adverso em um momento crítico da competição.

Da Copinha à recuperação

Ryan Francisco chega ao fim de 2024 e início de 2025 como um dos grandes destaques da Copinha. O atacante foi o craque e artilheiro do torneio no título conquistado pelo São Paulo, gerando expectativas enormes entre a torcida tricolor. A promessa, porém, enfrentou um obstáculo significativo: uma cirurgia no ligamento cruzado do joelho esquerdo o deixou nove meses afastado dos gramados, período que corresponde praticamente a toda a primeira metade de 2025. Trata-se de um lapso temporal considerável para um jovem atleta que depende do desenvolvimento contínuo e da manutenção de ritmo competitivo.

Seu retorno começou de forma discreta. Em abril, voltou a jogar pela equipe sub-20 para recuperar ritmo de jogo. O desembarque no time profissional, contudo, manteve-se como promessa adiada. Sua única aparição antes do jogo contra o Boca ocorreu contra o Coritiba, quando atuou apenas 12 minutos. Durante semanas, sequer era relacionado para as listas de convocados, permanecendo distante do radar de Dorival Júnior. A situação contrasta fortemente com o destaque conquistado meses antes na Copinha.

Ausência prolongada e questionamentos da torcida

Primeira convocação chega tarde demais

A primeira convocação no ano de Ryan Francisco aconteceu apenas em um jogo contra o Bolívar, fora de casa, pela Copa Sul-Americana. A partir desse momento, entrou na relação para cinco partidas — sempre no banco de reservas. Nenhuma delas lhe propiciou minutos de campo significativos. A torcida começou a questionar sistematicamente: por que um jovem da qualidade demonstrada na Copinha não recebia oportunidades consistentes no elenco profissional?

Dorival defende sua metodologia com a base

Dorival foi indagado diversas vezes sobre o atacante durante as semanas de pouca utilização. No clássico contra o Palmeiras, quando manteve Calleri no banco apesar de o atacante estar com poucas condições físicas, deixando Ryan de fora da convocação, o técnico respondeu de forma direta e enfática:

“Os jogadores quando tiverem merecimento vão estar atuando. Eu me preocupo muito com a base, em dar oportunidades a esses jogadores. Quem se escala é o atleta, não é o treinador. Estamos preparando esses garotos.”

A resposta sinalizava uma visão de desenvolvimento gradual, contrastando com a pressão imediata pela entrada de jovens talentos em situações de urgência.

A mudança de postura diante da urgência

Dois dias após essa declaração, Dorival optou por convocar Ryan para a partida contra o Boca. A decisão indicava uma mudança de postura, embora o contexto fosse claramente de urgência tática. Na segunda etapa, lançou o jovem no confronto, buscando alterar o placar negativo do embate. Ryan respondeu com vigor, balançando as redes — mas o VAR interveio com sua decisão controversa. O técnico, questionado após o jogo, explicou as razões por trás da escolha que contradisse sua fala anterior:

“Não tivemos uma situação cômoda e tranquila (para colocá-lo com calma). Ele está em um processo de preparação e temos que respeitar esse processo. Alguns jogadores estão em estágio mais avançado, como Djhordney. Não costumo fazer isso com a base, jogá-los tendo que assumir responsabilidades. Infelizmente, não tivemos esse momento (de tranquilidade) e estou tendo que arriscar de alguma forma.”

A fala deixou clara uma tensão fundamental: Ryan não chegava plenamente pronto para o elenco profissional em cenários de pressão, mas as circunstâncias — lesões de Calleri e Luciano, necessidade de reverter a eliminatória — o colocaram na linha de fogo.

Concorrência interna em aceleração

O espaço de Ryan no ataque tricolor tornou-se ainda mais disputado com a ascensão de Gustavo Santana como alternativa consolidada. O outro jovem já foi titular do time três vezes neste ano, pavimentando seu caminho no elenco profissional enquanto Calleri e Luciano se recuperam de lesões que os mantêm longe de suas melhores condições físicas. A tendência para o confronto contra o Internacional neste sábado, às 21h no Morumbis, é que Gustavo novamente receba a oportunidade de começar a partida, deixando Ryan observando do banco.

Ironicamente, enquanto lutava por espaço e continuidade em São Paulo, Ryan recebeu atenção do mercado externo. Seu estafe recebeu duas sondagens durante a janela de transferências do meio do ano: uma do futebol da Bielorrússia e outra do campeonato turco. Nenhuma se converteu em proposta formal ao São Paulo, uma decisão que mantém o jovem no clube tricolor mas que amplia o leque de possibilidades futuras. A atenção internacional, mesmo que não tenha resultado em negócio, sugere que existem clubes monitorando o desenvolvimento de Ryan além das fronteiras brasileiras.

Perspectivas para os próximos passos

O jogo contra o Boca deixou um saldo ambíguo para Ryan Francisco. De um lado, conquistou a confiança de Dorival em um momento crítico e decisivo, entrando em campo em uma eliminatória e demonstrando disposição competitiva para deixar sua marca. De outro, o gol anulado pela decisão do VAR e a eliminação do São Paulo na Copa Sul-Americana não criaram o cenário ideal para sua consolidação definitiva no elenco profissional. Um gol válido teria alterado significativamente a narrativa.

A proximidade do confronto contra o Internacional pode oferecer nova chance de aparecer e acumular minutos. Com Calleri e Luciano enfrentando limitações físicas documentadas e Gustavo Santana já consolidado como primeira alternativa, as portas para Ryan não estão completamente fechadas. A questão agora é se Dorival insistirá em dar oportunidades ao jovem recuperado ou se preferirá aguardar um momento mais tranquilo para sua inserção, como sugeriu após o jogo contra o Boca.

O atacante de 19 anos permanece em um processo de transição complexa: recuperado da lesão grave que o afastou por nove meses, observado pela torcida como herdeiro de uma tradição ofensiva forte do São Paulo, monitorado por clubes do exterior, mas ainda à procura de sua consolidação real e duradoura no time profissional. A Copinha de 2025 ficou para trás como ponto de partida. O futuro, incerto e dependente de oportunidades que podem não vir com tanta facilidade, espera pelo próximo passo.

Perguntas frequentes

Por que Ryan Francisco não vinha sendo utilizado pelo São Paulo neste ano?

O atacante ficou nove meses afastado recuperando-se de cirurgia no ligamento cruzado do joelho esquerdo, voltando a jogar em abril pela sub-20. Além disso, passou a dividir espaço com Gustavo Santana, que consolidou-se como alternativa no ataque enquanto Calleri e Luciano se recuperam de lesões.

Como foi a entrada de Ryan Francisco no jogo contra o Boca Juniors?

Entrou na segunda etapa e marcou o que seria o gol da igualdade, mas o lance foi anulado por impedimento de Luciano, com as linhas traçadas manualmente pelo VAR. Sua entrada foi surpreendente, já que vinha sem oportunidades consistentes no time profissional.

Qual foi a justificativa de Dorival para escalar Ryan em um momento tão crítico?

Dorival explicou que não havia uma situação tranquila e cômoda para inseri-lo gradualmente, mas a urgência da eliminatória, as lesões de Calleri e Luciano e a necessidade de reverter o placar o forçaram a arriscar o jovem em recuperação.

Written by
Thiago Venâncio

Thiago Venâncio acompanha a base e as categorias de formação do São Paulo, uma das mais tradicionais fábricas de craques do país. Escreve sobre os talentos que despontam em Cotia antes de chegarem ao profissional.