Em resumo
- Rafinha foi denunciado pela procuradoria do STJD por xingar o árbitro André Luiz Policarpo Bento após a derrota do São Paulo para o Grêmio por 2 a 1.
- A denúncia é pelo Artigo 258 do CBJD, com possível punição de 15 a 180 dias de suspensão.
- O julgamento acontecerá na quinta-feira e, se condenado, Rafinha não poderá acompanhar a delegação do São Paulo durante os jogos.
- A suspensão chega em momento crítico, com o clube enfrentando jejum de vitórias e problemas financeiros.
O São Paulo enfrenta mais um problema fora dos campos de jogo. Rafinha, executivo de futebol do clube, foi denunciado pela procuradoria do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) por ofensas ao árbitro André Luiz Policarpo Bento, cometidas após o jogo contra o Grêmio, pela 22ª rodada do Campeonato Brasileiro 2026. O confronto, disputado no sábado em Porto Alegre, terminou com derrota de 2 a 1 para o Tricolor.
O incidente no túnel de vestiário
Segundo o relatório apresentado na súmula do jogo, Rafinha abordou o árbitro André Luiz no túnel de acesso ao vestiário logo após o término da partida. A conversa começou com críticas ao desempenho do juiz durante a partida, mas evoluiu para xingamentos diretos. A reclamação central do executivo era relacionada a um lance envolvendo Luciano, jogador do São Paulo, que não foi revisado pelo VAR a seu entender.
O relato na súmula registra as palavras exatas do executivo: “Pô, André. Você fez um grande jogo, deveria ter ido no VAR analisar o lance do Luciano. Tomar no c…, ca… Sou eu mesmo que estou falando, essa porra de VAR.” A fala, que começou com uma crítica mais contida, terminou em agressão verbal clara contra o trabalho do árbitro e da tecnologia de videoarbitragem.
Contexto da reclamação sobre Luciano
A insatisfação de Rafinha girava em torno de um incidente específico com o jogador Luciano no final da partida. O executivo argumentava que o árbitro teria cometido um erro ao não revisar um lance que, na sua avaliação, merecia apreciação do sistema de videoarbitragem. Tal questionamento é comum no futebol brasileiro, onde dirigentes e técnicos frequentemente discordam de decisões arbitrais, especialmente nas ações que poderiam influenciar o resultado.
Local e timing do confronto
A abordagem ocorreu no túnel de vestiário, espaço restrito onde circulam jogadores, comissão técnica e dirigentes após os jogos. Essa localização torna o confronto particularmente relevante para fins de julgamento, pois representa uma continuação do clima de tensão após a derrota, em um ambiente que deveria ser apenas de passagem entre campo e vestiário.
A denúncia pela procuradoria do STJD
A procuradoria do STJD formalizou a denúncia contra Rafinha baseando-se no Artigo 258 do Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD), que trata de “condutas contrárias à disciplina ou à ética desportiva não tipificadas pelas demais regras deste Código”. A escolha deste artigo permite ao tribunal punir atitudes que, embora não se encaixem em categorias específicas, representam violações gerais de conduta no contexto desportivo.
Artigo 258 e suas aplicações
O Artigo 258 funciona como uma cláusula geral de proteção à integridade do futebol. Por sua amplitude, permite que o STJD responsabilize dirigentes, atletas e comissão técnica por comportamentos que prejudiquem a disciplina, mesmo que não correspondam exatamente às infracções catalogadas em outras seções do código. Neste caso específico, a reclamação foi enquadrada como desrespeito ao árbitro no exercício de suas funções.
Escala de punição esperada
A condenação, caso aconteça, pode variar de 15 a 180 dias de suspensão. A amplitude da pena oferece ao tribunal flexibilidade para considerar fatores como histórico de Rafinha, circunstâncias específicas do incidente e seu grau de agressividade. Uma suspensão no patamar máximo representaria praticamente seis meses longe das atividades como executivo de futebol, enquanto a mínima permitiria que o dirigente retornasse rapidamente às funções.
Data do julgamento e próximos compromissos
O julgamento de Rafinha ocorrerá na quinta-feira. Coincidentemente, o São Paulo volta a campo no sábado, às 21 horas, para enfrentar o Coritiba no Morumbis, pelo Campeonato Brasileiro. Essa proximidade entre o julgamento e o próximo jogo cria uma situação delicada: dependendo da decisão do tribunal, o executivo pode estar impedido de cumprir suas funções na delegação já neste compromisso.
Caso seja punido, Rafinha perderá o direito de acompanhar a delegação do São Paulo no estádio durante o cumprimento da suspensão. Isso significa que não poderá exercer suas atribuições como executivo de futebol durante os jogos do clube, limitando sua presença apenas a atividades administrativas realizadas fora do ambiente de competição.
Contexto disciplinar e precedentes
Denúncias contra dirigentes por ofensas a árbitros não são raras no futebol brasileiro, mas sua frequência sublinha um padrão preocupante de desrespeito às autoridades de jogo. O STJD tem mantido consistência ao punir tais comportamentos, entendendo que a integridade do árbitro é fundamental para a ordem nas competições. Dirigentes de diferentes clubes já foram suspensos por incidentes similares, estabelecendo um precedente que Rafinha enfrenta agora.
Impacto no São Paulo em momento crítico
A denúncia chega em um momento delicado para o clube tricolor. O São Paulo passa por dificuldades no Campeonato Brasileiro, onde atravessa um jejum preocupante: apenas uma vitória nos últimos 14 jogos e cinco partidas sem vencer. Além disso, o clube enfrenta problemas fora das quatro linhas que demandam atenção urgente da administração. O Tricolor tem 45 dias para quitar uma dívida com o Novorizontino, relativa aos direitos econômicos do volante Djhordney, caso contrário sofrerá novo transfer ban imposto pela Agência de Fair Play Financeiro.
Neste cenário, a suspensão de um executivo representaria mais uma complicação em uma série de questões que precisam ser resolvidas rapidamente. A estrutura administrativa do clube precisa estar completa e focada nos desafios simultaneamente presentes no campo e na tesouraria.
Reações e próximas etapas
O julgamento de quinta-feira trará a resposta final. Até lá, Rafinha aguarda a decisão do tribunal, enquanto o São Paulo segue com sua rotina de preparação para o duelo contra o Coritiba. A situação reforça a importância de disciplina não apenas entre atletas e comissão técnica, mas também entre os dirigentes que representam o clube, especialmente em momentos de tensão após resultados negativos.
Perguntas frequentes
Por que Rafinha foi denunciado ao STJD?
Rafinha foi denunciado por xingar o árbitro André Luiz Policarpo Bento no túnel de vestiário após a derrota do São Paulo para o Grêmio por 2 a 1. O executivo criticava a decisão de não revisar um lance envolvendo o jogador Luciano no VAR.
Qual é a punição máxima que Rafinha pode receber?
Conforme o Artigo 258 do CBJD, a punição pode variar de 15 a 180 dias de suspensão, impedindo o executivo de acompanhar a delegação do São Paulo nos estádios durante o período.
Quando será o julgamento de Rafinha?
O julgamento está marcado para a quinta-feira, apenas dois dias antes do próximo jogo do São Paulo contra o Coritiba no Morumbis.