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Presidente do Conselho do São Paulo se declara impedido de julgar caso de Dedé

Em resumo

  • O motivo do impedimento é direto: Olten Ayres enfrenta suas próprias acusações de quebra de estatuto e gestão temerária, com julgamento definitivo marcado para 6 de julho de 2026.
  • A Comissão de Ética rejeitou a expulsão de Dedé do quadro associativo e recomendou uma suspensão de 120 dias por dano à imagem do clube.
  • O colegiado determinou que Dedé causou dano à imagem institucional ao fornecer uma declaração que foi posteriormente usada pela FGoal na Justiça contra o clube.
  • Dedé foi denunciado inicialmente por autorizar operações comerciais sem contrato formal adequado.

Olten Ayres de Abreu Jr., presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo, declarou-se impedido de presidir a sessão que julgará o conselheiro vitalício Dedé (Antonio Donizeti Gonçalves) nesta semana. A decisão ocorreu em 1º de julho de 2026, logo após a Comissão de Ética encaminhar o caso ao plenário, gerando um impasse processual que traz à tona conflitos de interesse dentro da estrutura de governança do clube.

O Impedimento de Olten Ayres e Seus Motivos

O motivo do impedimento é direto: Olten Ayres enfrenta suas próprias acusações de quebra de estatuto e gestão temerária, com julgamento definitivo marcado para 6 de julho de 2026. Presidir o julgamento de Dedé enquanto aguarda sua própria condenação criaria um conflito de interesses insuperável, razão pela qual o presidente optou por se afastar voluntariamente da condução dos trabalhos.

A Comissão de Ética já havia determinado o afastamento temporário de Olten Ayres da presidência do Conselho Deliberativo com efeito imediato, reforçando sua fragilidade processual. Com essa decisão, a sessão que julgará Dedé será presidida por outro membro do colegiado, transferindo o controle do processo para uma liderança sem pendências éticas em análise.

A Recomendação da Comissão de Ética e Suas Nuances

A Comissão de Ética rejeitou a expulsão de Dedé do quadro associativo e recomendou uma suspensão de 120 dias por dano à imagem do clube. O colegiado de cinco integrantes concluiu que não houve “gestão temerária” comprovada, apesar dos argumentos apresentados durante a apuração, mas reconheceu que a declaração individual de Dedé sobre a operação FGoal foi utilizada pela empresa em litígio contra o São Paulo.

A votação na Comissão refletiu divergências significativas sobre a gravidade da conduta. Luiz Braga e Milton José Neves Júnior votaram pela expulsão; José Edgard Galvão Machado e Marcelo Nelli Soares votaram pela suspensão de 120 dias; e o presidente Antônio Maria Patino votou apenas por uma advertência por escrito. A maioria de três votos prevaleceu, rejeitando a pena máxima e estabelecendo a suspensão como punição intermediária.

O Fundamento da Punição: Imagem Institucional em Primeiro Plano

O colegiado determinou que Dedé causou dano à imagem institucional ao fornecer uma declaração que foi posteriormente usada pela FGoal na Justiça contra o clube. Essa conclusão afastou a configuração de gestão temerária ou prejuízo financeiro direto comprovado, focando a análise na violação de deveres de lealdade para com a instituição.

A pena sugerida é a suspensão mínima de 90 dias, acrescida de um terço adicional, totalizando 120 dias, justamente pelo status de Dedé como conselheiro vitalício e membro da diretoria. Essa majoração reflete o entendimento de que conselheiros com responsabilidades administrativas devem ser punidos com maior rigor quando violam princípios éticos fundamentais.

Contexto da Operação FGoal e o Litígio Corporativo

Dedé foi denunciado inicialmente por autorizar operações comerciais sem contrato formal adequado. Posteriormente, a acusação evoluiu para o fato de que ele teria fornecido informações à empresa FGoal durante um litígio entre ela e o São Paulo, prejudicando a posição negocial e a reputação do clube perante terceiros.

A operação FGoal transformou-se no centro de uma disputa institucional que extrapolou questões comerciais simples, envolvendo questões de confiança, transparência e lealdade dos membros do conselho. A Comissão de Ética considerou essa conduta como um ato que violava deveres fundamentais de um conselheiro vitalício.

Histórico de Conflitos e Precedentes Processuais

O caso de Dedé não ocorre em isolamento dentro da estrutura de governança do São Paulo. O próprio Dedé havia protocolado, anos antes, um pedido de reabertura de investigação contra o conselheiro e advogado José Francisco Manssur, acusando-o de vazar informações pessoais à torcida organizada Independente em 2016.

Esse processo havia sido arquivado em 2017 pelo Conselho Deliberativo e pela Comissão de Ética, mas Dedé solicitou sua retomada baseado em um Inquérito Policial que supostamente comprovaria a confissão do vazamento. O histórico de conflitos entre conselheiros revela uma instituição com mecanismos de governança sob pressão constante.

O Caminho Adiante no Conselho Deliberativo

O caso de Dedé agora está nas mãos do Conselho Deliberativo, que deverá votar a proposta de suspensão de 120 dias recomendada pela Comissão de Ética. Com Olten Ayres impedido, a sessão será presidida por outro membro do colegiado, garantindo uma condução sem conflitos de interesse diretos.

Os conselheiros terão a autonomia de aceitar, rejeitar ou modificar a recomendação da Comissão de Ética. A decisão final sobre a punição de Dedé refletirá o posicionamento institucional do Conselho Deliberativo sobre o que constitui violação ética grave em uma organização de futebol profissional.

Próximos Passos e Datas Críticas

A votação no Conselho Deliberativo está agendada para ocorrer nos próximos dias, em paralelo ao julgamento definitivo de Olten Ayres, marcado para 6 de julho de 2026. Essa sobreposição de processos éticos cria um momento delicado para a governança do São Paulo, com múltiplos membros da liderança sob escrutínio simultâneo.

A resolução desses casos será determinante para o futuro da estrutura de controle ético do clube. O resultado do julgamento de Dedé e a definição da punição de Olten Ayres sinalizarão ao mercado e à torcida qual é o padrão real de accountability dentro da instituição tricolor.

Written by
Marina Calábria

Marina Calábria é especialista em mercado da bola, cobrindo negociações, valores de contrato e a movimentação de empresários envolvendo o Tricolor Paulista. Já cobriu janelas de transferência na Europa e no Brasil.