Em resumo
- Paulinho foi emprestado ao Torreense (Portugal) após acordo frustrado com Botafogo-SP que gerou repercussão negativa nas redes sociais.
- O empréstimo não tem custo inicial, mas inclui opções de compra estruturadas: 600 mil euros (60%), 200 mil euros (20%) e 300 mil euros (20%).
- Lesão no joelho na final da Copinha e falta de espaço no profissional levaram Dorival a liberar Paulinho, que atuou apenas uma vez em 2026.
O São Paulo finalizou as negociações para emprestar o atacante Paulinho ao Torreense, clube da segunda divisão portuguesa que disputará a Liga Europa na próxima temporada. Aos 21 anos e destaque na Copinha deste ano como artilheiro, o jogador segue um caminho comum aos jovens atletas que precisam ganhar experiência europeia, mas a trajetória até este acerto envolveu reviravoltas inesperadas e pressão das redes sociais.
O acordo que não se concretizou: Botafogo-SP
Antes de chegar ao acordo com o Torreense, Paulinho estava encaminhado para o Botafogo-SP em uma negociação que começou como empréstimo. A transação, porém, evoluiu para uma cessão gratuita e definitiva do atacante ao clube do interior paulista. O anúncio gerou uma enorme repercussão negativa nas redes sociais, com torcedores do Tricolor questionando a saída permanente de um jovem promissor sem compensação financeira.
Diante da intensidade das críticas e da mobilização dos seguidores tricolores, o São Paulo optou por recuar na negociação. A reversão da decisão salvou o vínculo do jogador com o clube e abriu espaço para outras possibilidades, que se concretizariam semanas depois.
Os termos do empréstimo português
Estrutura financeira do acordo
O empréstimo para o Torreense segue um modelo sem custos iniciais, mas com cláusulas de compra estruturadas em etapas. O clube português pode adquirir 60% dos direitos econômicos de Paulinho por 600 mil euros, o equivalente a R$ 3,5 milhões. Os 40% restantes dos direitos também estão abertos à compra, divididos em dois períodos: 200 mil euros (R$ 1,2 milhão) pelos primeiros 20% no primeiro ano após a aquisição dos 60%, e 300 mil euros (R$ 1,8 milhão) pelos últimos 20% no segundo ano.
Lógica estratégica do São Paulo
Essa arquitetura contratual permite que o Tricolor mantenha parte dos direitos econômicos enquanto desloca o risco de desenvolvimento do jogador. Se o Torreense decidir investir, compra o controle majoritário e pode revender posteriormente. Caso o clube português não exerça as opções, Paulinho retorna ao São Paulo com experiência europeia agregada, ampliando seu valor de mercado. Para o jovem atacante, representa a oportunidade de atuar em ambiente competitivo, algo que Dorival Júnior considera essencial para atletas com seu perfil.
Comparação com o modelo brasileiro
O contraste com a proposta do Botafogo-SP ilustra a diferença entre ceder um jogador domesticamente sem retorno e estruturar uma saída internacional com salvaguardas. A Europa oferece prestígio competitivo e visibilidade para o currículo do atleta, além de proteger financeiramente a instituição que o formou.

Quem é o Torreense
O Torreense não é um clube tradicional português, mas conquistou destaque recente. Na temporada passada, sagrou-se campeão da Taça de Portugal ao derrotar o Sporting, garantindo assim uma vaga na Liga Europa. A façanha posiciona o clube entre os que disputarão a segunda competição europeia de clubes, conferindo oportunidades reais de exposição internacional.
Jogar na segunda divisão portuguesa, contudo, não é sinônimo de campeonato fraco. Portugal possui tradição no futebol europeu, e a liga secundária concentra equipes combativas e bem estruturadas. Para um atacante jovem em recuperação de lesão, o Torreense representa um cenário intermediário entre o futebol brasileiro e as ligas de elite europeia.
Paulinho fora dos planos de Dorival
A liberação de Paulinho responde a uma decisão ampla do treinador Dorival Júnior. O técnico permitiu que atletas acima de 20 anos — aqueles que não podem mais descer ao futebol sub-20 para recuperar ritmo — fossem emprestados. Essa política reflete a realidade do elenco profissional do São Paulo, que opera sem excesso de atacantes de qualidade comprovada.
Nesta temporada, Paulinho atuou apenas uma única vez pelo time profissional, demonstrando que não figurava entre as opções prioritárias. Sua trajetória como artilheiro da Copinha não se traduziu em continuidade nas competições maiores, fenômeno recorrente no futebol brasileiro onde o salto da base para o profissional exige adaptações significativas.
Lesão interrompe sequência de 2023
A ascensão de Paulinho sofreu um revés importante na reta final da Copinha. O jogador sofreu um estiramento ligamentar no joelho durante a final do torneio sub-20, o que o afastou dos campos por aproximadamente dois meses. A lesão comprometeu sua pré-temporada e seu acesso aos jogos do Brasileirão, deixando-o em desvantagem quando Dorival e sua comissão avaliavam o elenco.
O tempo de recuperação coincidiu com a chegada de reforços e a consolidação de outras opções ofensivas, criando um cenário onde o retorno de Paulinho ao ritmo competitivo se tornaria demorado. O empréstimo europeu, nesse contexto, oferece uma solução para ambos: o jogador ganha minutos e confiança longe da concorrência intensa, enquanto o Tricolor abre espaço no elenco.
Perspectivas para o futuro
A passagem de Paulinho pelo Torreense será decisiva para sua carreira. Caso se destaque na Liga dos Açores e na competição de Liga Europa, seu valor subirá significativamente, abrindo caminhos para grandes ligas europeias ou retorno reforçado ao Brasil em clube de maior expressão. Se o desempenho for modesto, o Torreense provavelmente não exercerá as opções de compra, e ele retornará para renegociar seu futuro.
O contrato com o Torreense marca um ponto de inflexão: Paulinho deixa para trás o status de promessa copeira e enfrenta o desafio de ser um centroavante competitivo em ambiente europeu. Para o São Paulo, representa a capitalização de um ativo da base sem desempenho imediato no profissional, em um negócio que preserva receita potencial enquanto libera espaço no plantel.
Perguntas frequentes
Qual era o acordo anterior de Paulinho antes do Torreense?
Paulinho estava encaminhado para o Botafogo-SP em negociação que começou como empréstimo e se transformou em cessão gratuita definitiva. O anúncio gerou repercussão ruim nas redes sociais, levando o São Paulo a desistir do negócio.
Qual é a estrutura financeira do empréstimo ao Torreense?
O empréstimo não tem custos iniciais. O Torreense pode comprar 60% dos direitos por 600 mil euros (R$ 3,5 milhões), mais 20% por 200 mil euros (R$ 1,2 milhão) no primeiro ano e 20% por 300 mil euros (R$ 1,8 milhão) no segundo ano.
Por que Paulinho foi liberado para emprestar?
Dorival Júnior liberou atletas acima de 20 anos para empréstimo. Paulinho atuou apenas uma vez no profissional em 2026 e sofreu estiramento ligamentar no joelho na final da Copinha que o afastou por dois meses.