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Patrick Cruz renova contrato e descarta volta ao Brasil por enquanto

Em resumo

  • Patrick Cruz renovou contrato com o Kendal Tornado após marcar 15 gols e dar 7 assistências em 21 partidas, consolidando-se como atacante confiável na Indonésia.
  • Ex-joia da base do São Paulo descarta retorno ao futebol brasileiro por enquanto, argumentando que a idade pesa menos nas decisões do futebol asiático que nas do Brasil.
  • O atacante se sente realizado profissionalmente e fluente em indonésio, encontrando na Indonésia clima, apoio de torcida e estabilidade que não teria no Brasil aos 33 anos.

Patrick Cruz vive dias de estabilidade e satisfação do outro lado do mundo. Aos 33 anos, o atacante que passou por São Paulo e Corinthians encontrou na Indonésia as condições necessárias para manter uma carreira consistente e se sente cada vez menos inclinado a retomar o futebol brasileiro. De férias em Minas Gerais, o mineiro conversou sobre seus planos e deixou clara sua intenção de permanecer no Sudeste Asiático por mais tempo.

Uma temporada marcante no Kendal Tornado

A campanha do Kendal Tornado FC na última temporada consolidou a reputação de Patrick Cruz como um atacante confiável. Em 21 partidas disputadas, o brasileiro balançou as redes 15 vezes e contribuiu com sete assistências, resultando em média superior a uma participação em gol por jogo. O desempenho colocou o time na briga pelo acesso da segunda para a primeira divisão da Indonésia, objetivo que não foi completamente atingido, mas que deixou a porta aberta para novas oportunidades.

O trabalho impressionante de Patrick chamou atenção o suficiente para que o clube oferecesse renovação contratual. Pela primeira vez em sua carreira profissional, o atacante assinou uma extensão de vínculo, comprometendo-se a permanecer no Kendal Tornado na próxima temporada. A manutenção de ambas as partes reflete confiança mútua em projetos que ainda podem ser alcançados.

Objetivos que não foram conquistados

O acesso para a divisão de elite continua sendo alvo para a próxima campanha. Patrick comentou sobre suas ambições junto ao clube: “Sempre foi um objetivo meu voltar para a Indonésia, só que eu queria fazer minha carreira, conhecer outros lugares, pessoas novas. Voltei para a Indonésia esse ano e, graças a Deus, a gente fez um trabalho muito bom. Espero que a gente possa alcançar os objetivos que não foram conquistados ano passado, com um maior êxito.” O discurso revela determinação de quem traçou um caminho alternativo no futebol e colhe seus frutos agora.

O retorno à Indonésia como escolha de vida

Antes de fixar raízes novamente no país asiático, Patrick experimentou outras realidades do futebol internacional. Após sua primeira passagem pela Indonésia em 2016, quando conquistou a Copa Surdiman com o Mitra Kukar, o atacante rodou pela Malásia, Rússia, Malta, Vietnã e Tailândia em busca de oportunidades e experiências. O caminho foi construído com deliberação, não com desespero, e culminou em seu retorno consciente ao país que o acolheu inicialmente.

A repatriação não foi apenas futebolística, mas também pessoal. Patrick aprendeu o idioma local a ponto de dominá-lo fluentemente, fala que evidencia sua integração à comunidade e não apenas sua presença como profissional do esporte. Suas redes sociais refletem essa adaptação, repletas de registros de paisagens paradisíacas e momentos de vida cotidiana que revelam alguém confortável com seu novo lar.

Aceitação e apoio da torcida

Um fator determinante para sua satisfação é o acolhimento do público indonésio. Patrick diferencia nitidamente o comportamento das torcidas: “Lá é muito parecido com o Brasil em questão de clima, e eu já falo indonésio. E o fator principal para mim, é a torcida. Eles são muito apaixonados pelo futebol, muito apaixonados mesmo, até mais que no Brasil. Porque no Brasil, se o time está ganhando, está ótimo. Mas se está perdendo, todo mundo é ruim, ninguém presta. Lá não, eles te apoiam. O estádio está sempre cheio.” Essa lealdade incondicional, aliada ao clima tropical similar ao das cidades brasileiras, criou um ambiente onde o jogador se sente especial e reconhecido, mesmo distante da família.

Dynamic moment captured during a soccer match with player dribbling past opponent on a green field.

Da queda à reconstrução na Ásia

A trajetória de Patrick é marcada por reviravoltas significativas. Criado nas categorias de base do São Paulo na mesma geração de Casemiro, Lucas Moura e Rodrigo Caio, ele era considerado uma joia em desenvolvimento. Sua mudança para o Corinthians ainda nas categorias juvenis revelou esperança de maiores oportunidades, mas a carreira profissional não seguiu o roteiro esperado.

Os primeiros anos como profissional foram derrotadores. Desvia para os holofotes e a fama crescente o levaram a excessos financeiros que culminaram em endividamento profundo. Em novembro de 2024, Patrick havia relatado esse período crítico em uma conversa anterior, revelando como se afundou nas dívidas e chegou a abandonar o futebol após perder seu contrato com o Corinthians. Retornou ao trabalho braçal, operando máquinas em uma fábrica de sacolas em Uberaba, sua cidade natal, antes de receber o convite transformador do Mitra Kukar.

Do trabalho manual ao futebol internacional

Esse ponto de ruptura marcou um antes e depois. A proposta indonésia não foi apenas um resgate profissional, mas uma mudança de perspectiva. Patrick chegou ao Sudeste Asiático em 2016 e conquistou a Copa Surdiman, obtendo revalidação como jogador. Aquela primeira experiência plantou sementes que germinaram anos depois, quando decidiu retornar deliberadamente à Indonésia como destino, não como escape.

Realismo sobre perspectivas de retorno ao Brasil

A pergunta sobre um eventual retorno ao futebol brasileiro foi respondida com franqueza. Patrick não descarta completamente a possibilidade, mas o faz sob condições muito específicas. Aos 33 anos, reconhece que as dinâmicas do mercado brasileiro funcionam diferentemente: “Eu tenho que ser bem realista, porque eu já tenho 33 anos de idade. As coisas no futebol do Brasil e da Indonésia são um pouco diferentes em relação a isso.” Ele explica a diferença fundamental: “Na Ásia, se você está fazendo os seus gols, se você está dando resultado, você vai ficar lá até quando quiser parar de jogar bola. No Brasil, você pode estar muito bem, mas se tem um menino que é uma promessa e que pode dar mais frutos pra equipe, eles vão colocar o garoto.”

A questão etária pesa de forma distinta em cada mercado. Enquanto na Indonésia sua permanência depende exclusivamente de seu desempenho em campo, no Brasil a idade funciona como fator decisivo para diretores, presidentes e treinadores. Patrick calcula realista: em condições físicas e técnicas satisfatórias, poderia estender sua carreira por mais dois ou três anos na Indonésia, mas no Brasil esse cálculo seria imediatamente comprometido pelo fator idade.

Uma exceção para ficar perto da família

A única razão que o faria reconsiderar um retorno ao Brasil seria a possibilidade de estar próximo aos seus. Seus pais residem em Uberaba, no Triângulo Mineiro, e sua esposa estuda em Ribeirão Preto. Durante toda a carreira profissional, eles acompanharam seus jogos por computador ou telefone, nunca pessoalmente. Patrick admite que aceitaria um projeto brasileiro reduzido, talvez para os últimos um ou dois anos de carreira, se garantisse estar fisicamente bem e pudesse contribuir realmente com a equipe enquanto reencontrasse a proximidade familiar. “Se tivesse um projeto legal para eu jogar perto dos meus pais, perto da minha esposa, e eles pudessem assistir aos jogos… Talvez um ano ou dois anos, para terminar a carreira, se eu estiver bem fisicamente, claro, não pensando só em mim, também pensando em ajudar a equipe, acho que eu toparia sim.”

Reflexão sobre uma carreira alternativa

Apesar de o destaque conquistado nas categorias de base do São Paulo nunca se materializar da forma esperada, Patrick não expressa arrependimento ou frustração. Reflete sobre sua jornada global com gratidão: “Eu conheci amigos, pessoas, lugares, culturas, que acho que, se eu tivesse ficado lá, eu não teria conhecido. Poderia ter sido maravilhoso, mas às vezes eu não teria conhecido tudo o que eu conheci.” Essa perspectiva ampla, forjada pela adversidade e pela reconstrução, marca a maturidade conquistada após anos navegando incertezas.

O atacante sintetiza seu estado atual com clareza: “Eu sou um cara muito realizado e feliz. E eu posso parar de jogar futebol amanhã, que sou muito grato a Deus por tudo que eu vivi.” Essa declaração encerra um ciclo de transformação pessoal que começou em uma fábrica de sacolas e alcançou estabilidade e reconhecimento em um outro continente, validando escolhas que, vistas de fora, poderiam parecer desvios, mas que dele fizeram exatamente quem é hoje.

Perguntas frequentes

Qual foi o desempenho de Patrick Cruz no Kendal Tornado na última temporada?

Patrick Cruz disputou 21 partidas, marcou 15 gols e deu 7 assistências, totalizando 22 participações em gol, uma média superior a uma por jogo. O Kendal Tornado brigou pelo acesso da segunda para a primeira divisão da Indonésia.

Por que Patrick Cruz descarta voltar ao futebol brasileiro?

O atacante citou realismo sobre sua idade (33 anos). Na Indonésia, sua permanência depende apenas do desempenho em campo, enquanto no Brasil a idade é fator decisivo para diretores e treinadores, reduzindo as chances de continuidade.

Qual foi o percurso de Patrick Cruz antes de retornar à Indonésia?

Após sua primeira experiência na Indonésia em 2016, quando conquistou a Copa Surdiman com o Mitra Kukar, Patrick rodou pela Malásia, Rússia, Malta, Vietnã e Tailândia antes de retornar à Indonésia ano passado para assinar com o Kendal Tornado.

Written by
Ricardo Bittencourt

Ricardo Bittencourt cobre o São Paulo FC há mais de quinze anos, com foco em bastidores do clube e decisões da diretoria. Acompanha de perto o dia a dia do CT da Barra Funda e as movimentações que antecedem cada janela de transferências.