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Marcelo Portugal Gouvêa oficializa candidatura à presidência do São Paulo

Em resumo

  • Marcelo Portugal Gouvêa lançou sua candidatura à presidência do São Paulo com a chapa 'São Paulo de Volta', alertando sobre dívida acima de R$ 1 bilhão e crise institucional no clube.
  • O candidato propõe auditoria nos 100 primeiros dias, contratação de CEO e executivos de mercado, e redução de vendas de jogadores da academia de Cotia.
  • A eleição ocorrerá após Assembleia Geral do Conselho Deliberativo, onde 133 conselheiros apoiam a situação e 101 integram a oposição.

Marcelo Portugal Gouvêa formalizou sua candidatura à presidência do São Paulo em evento realizado na terça-feira à noite. A chapa “São Paulo de Volta”, que se posiciona como oposição ao grupo que comanda o clube atualmente, reuniu apoiadores, conselheiros, ex-jogadores e torcedores para o lançamento do programa de governo.

O candidato abordou em seu discurso o cenário institucional, financeiro e desportivo vivido pelo São Paulo nos últimos meses. Segundo Gouvêa, apenas o ano de 1935 pode ser comparado ao momento atual da instituição em termos de gravidade. “É a maior missão da minha vida. Estamos em um dos dois piores momentos, só 1935 pode ser comparado a hoje. Não faz jus ao São Paulo que aprendemos a amar. Crise institucional, financeira e desportiva. Impeachment, renúncia, acusação e expulsão do clube. Tudo em um ano. O inexplicável aconteceu no clube”, afirmou durante o evento.

A chapa apresentou Eduardo Alfano Vieira como candidato a vice-presidente e Fábio Mariz de Oliveira como candidato a presidente do Conselho Deliberativo. Os principais grupos políticos que formam o bloco de apoio são “Salve o Tricolor Paulista”, “Novo São Paulo” e “Força São Paulo”.

A dívida bilionária e as propostas de reforma

A dívida do São Paulo ultrapassa R$ 1 bilhão, e o endividamento de curto prazo é particularmente preocupante. O valor dobrou desde 2021, amplificando a urgência da questão financeira no clube. “Uma dívida que já ultrapassa R$ 1 bilhão, uma dívida que dobrou de 2021 e é pior, de curto prazo. Por isso, encaramos esse desafio sabendo que a situação é muito ruim, mas é reversível. Talvez seja a última chance do São Paulo. Encaramos com responsabilidade e dever, mas para isso precisamos reformar o São Paulo. Romper a administração, gestão profissional, sem reforma não há futuro”, afirmou Gouvêa.

O programa de Gouvêa inclui reestruturação financeira, reforma administrativa e implementação de uma cultura institucional de responsabilidade em todas as áreas do clube. Durante os primeiros 100 dias de gestão, o candidato promete fazer uma auditoria completa da administração tricolor. Também pretende contratar um CEO e executivos de mercado com experiência corporativa, além de cumprir rigorosamente o orçamento anual do clube, interrompendo a prática de descontrole que marcou administrações anteriores.

Novas receitas pelo marketing e continuidade na base

Na área de receitas, Gouvêa prometeu reformular completamente o departamento de marketing, com a criação de um setor específico responsável por captação de patrocínios e identificação de novas fontes de receita para o clube. Pela primeira vez em seu discurso de campanha, tocou na política de transferências de jogadores, tema sensível no São Paulo. O candidato prometeu transformar o futebol, reduzindo as vendas de jogadores revelados pela academia de Cotia e buscando manter talentos desenvolvidos internamente, mudando uma trajetória de anos de transferências de atletas promissores para o exterior.

Quem é Marcelo Portugal Gouvêa

Marcelo Portugal Gouvêa possui 44 anos de idade e é advogado de formação. Ele foi eleito para o Conselho Deliberativo do São Paulo em 2008, consolidando seu vínculo com a instituição quando se tornou conselheiro vitalício em 2014. Sua história no clube atravessa também a trajetória de seu pai, Marcelo Figueiredo Portugal Gouvêa, que foi presidente de 2002 a 2006. A escolha de Gouvêa como candidato representa uma continuidade de envolvimento familiar com a gestão tricolor, oferecendo, segundo seus apoiadores, experiência prévia com os processos internos e políticos da instituição.

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A composição do Conselho Deliberativo

O Conselho Deliberativo do São Paulo pode ter no máximo 260 conselheiros, sendo 100 deles eleitos e 160 vitalícios. Atualmente, o Conselho conta com 252 integrantes, dos quais 152 são vitalícios e 100 são eleitos. Quatro conselheiros não participam das votações: três vitalícios e um eleito.

A situação: cinco grupos com 133 votos

Os grupos que compõem a situação, isto é, apoiadores da gestão atual do São Paulo, são cinco: Vanguarda, Legião, Participação, Sempre Tricolor e Somos SPFC. Juntos, reúnem 133 conselheiros, sendo 60 deles vitalícios e 73 eleitos. O Legião é o maior, com 38 conselheiros.

  • Legião: 38 conselheiros (16 vitalícios, 22 eleitos)
  • Somos SPFC: 30 conselheiros (10 vitalícios, 20 eleitos)
  • Participação: 29 conselheiros (12 vitalícios, 17 eleitos)
  • Sempre Tricolor: 20 conselheiros (7 vitalícios, 13 eleitos)
  • Vanguarda: 16 conselheiros (15 vitalícios, 1 eleito)

A oposição “São Paulo de Volta”: 101 conselheiros

O bloco de oposição “São Paulo de Volta” é formado por três grupos principais: Força SP, Novo São Paulo e Salve o Tricolor Paulista. No total, reúnem 101 conselheiros, sendo 75 deles vitalícios e 26 eleitos. O Salve o Tricolor Paulista é o maior grupo da oposição.

  • Salve o Tricolor Paulista: 47 conselheiros (37 vitalícios, 10 eleitos)
  • Novo São Paulo: 28 conselheiros (17 vitalícios, 11 eleitos)
  • Força SP: 23 conselheiros (18 vitalícios, 5 eleitos)
  • Força-Super: 3 conselheiros (todos vitalícios)

O papel dos 14 conselheiros independentes

Há ainda 14 conselheiros independentes, todos com status vitalício. Esses conselheiros não formam um bloco único e costumam dividir seus votos entre situação e oposição, funcionando como fator decisivo em eleições acirradas. Com a votação entre 133 votos da situação e 101 da oposição, os independentes podem ter peso significativo no resultado final, dependendo de como se dividirem.

A Assembleia Geral e o peso dos novos conselheiros

Antes da disputa presidencial acontecer, o São Paulo realizará uma Assembleia Geral para eleger novos conselheiros que integrarão o Conselho Deliberativo. A Assembleia está marcada para algumas semanas antes da eleição presidencial e será determinante para o resultado final da disputa. Quem conseguir mais votos entre os conselheiros será eleito presidente do clube, o que significa que a mudança na composição do Conselho — aumentando ou diminuindo a força numérica de cada bloco — pode alterar completamente o cenário político.

Grupos da situação e da oposição já trabalham para garantir que seus candidatos saiam vitoriosos na eleição de novos conselheiros eleitos. A estratégia agora é concentrada em conquistar votos antes da Assembleia Geral, fase que será crucial para determinar qual grupo terá força suficiente para levar seu candidato à presidência do São Paulo.

Fonte: ge > são paulo

Perguntas frequentes

Quem são os candidatos da chapa 'São Paulo de Volta'?

Marcelo Portugal Gouvêa é candidato à presidência, Eduardo Alfano Vieira candidato a vice-presidente, e Fábio Mariz de Oliveira candidato a presidente do Conselho Deliberativo.

Quais são as principais propostas de Gouvêa?

Reestruturação financeira, auditoria completa nos primeiros 100 dias, contratação de CEO e executivos de mercado, cumprimento do orçamento anual, reformulação do marketing e redução de vendas de jogadores da base.

Como está dividido o Conselho Deliberativo?

Atualmente 252 conselheiros (152 vitalícios e 100 eleitos), sendo 133 na situação, 101 na oposição 'São Paulo de Volta' e 14 independentes.

Written by
Júlia Matarazzo

Júlia Matarazzo cobre a torcida e a cultura tricolor — organizadas, clássicos contra Corinthians, Palmeiras e Santos, e o que significa ser são-paulino dentro e fora do Morumbi.