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Favoritismos #27: análise de chances e históricos da 27ª rodada

Em resumo

  • O Coritiba domina como mandante sobre o Athletico-PR, com sete vitórias em 11 confrontos pelo Brasileirão de pontos corridos.
  • Times visitantes quebraram jejuns históricos em 2026: Coritiba venceu fora o Corinthians (23 anos), Cruzeiro (22 anos) e Santos (25 anos); Athletico-PR derrotou o Santos fora pela primeira vez em 28 jogos desde 1976.
  • O modelo de Gols Esperados (xG) utiliza 128.769 finalizações catalogadas desde 2013 para estimar a probabilidade de cada chute resultar em gol, considerando distância, ângulo, contexto tático e histórico.
  • O desempenho de cada jogador é comparado com a média de sua posição, incluindo-se análises do pé bom, pé ruim e se a finalização saiu de primeira ou após controle.

A 27ª rodada do Campeonato Brasileiro abre nesta sexta-feira com o duelo entre Coritiba e Athletico-PR, marcando o ponto de partida de uma semana repleta de confrontos em que o fator casa apresenta importância decisiva. Pelo menos seis das dez partidas programadas refletem uma tendência consolidada ao longo da história: o favoritismo estatístico do time que atua em seu domínio.

Domínio Histórico do Mandante

O Coritiba, ao receber o Athletico-PR, chega munido de números impressionantes. Dos 11 confrontos entre as equipes no Brasileirão de pontos corridos com 20 times, a Democracia venceu sete vezes, enquanto seu adversário conquistou apenas uma vitória e empatou em três oportunidades. Esse padrão de supremacia em casa não é excepcional: repetindo-se em quase todas as partidas da rodada.

O Grêmio, quando joga sob seus domínios, demonstra uma força semelhante diante do Vasco. O clube gaúcho não sofre uma derrota em casa contra os cariocas desde 2006, quando o Brasileirão já contava com vinte equipes. Em todo o período de pontos corridos, acumula doze vitórias e dois empates contra apenas uma derrota. A diferença de desempenho entre mandar e não mandar é abissal.

A lista continua. O Atlético-MG recebe o Fluminense com vantagem histórica amplamente consolidada. Igualmente, a Chapecoense enfrenta o Inter, o Botafogo joga contra o Bragantino e o Flamengo aguarda o Corinthians, todos em seu estádio e com registros que favorecem o mando. No confronto rubro-negro contra os paulistas, a vantagem é ainda mais evidente: em dezenove jogos, o Flamengo somou treze vitórias, enquanto o Corinthians conquistou apenas três, com três empates no meio.

Quebra de Grandes Jejuns

Paradoxalmente, o mesmo Coritiba que domina em casa vem provocando fraturas nos históricos adversários. Como visitante, o time curitibano vinha acumulando períodos prolongados de insucesso que finalmente foram interrompidos em 2026.

Recordes Interrompidos

Contra o Corinthians, a seca durava vinte e três anos. Desde 2003, o Coritiba não conseguia uma vitória na capital paulista. Este ano, mudou a narrativa: venceu por 2 a 0 longe de seus domínios. O resultado chocou pela magnitude do jejum interrompido.

A mesma reviravolta ocorreu diante do Cruzeiro. Desde 2004, eram vinte e dois anos sem uma vitória do Coritiba em Minas Gerais pelo Campeonato Brasileiro. Em 2026, conquistou o triunfo por 2 a 1 fora de casa, encerrando outro período estendido de frustração. Ante o Santos, o jejum era ainda mais longo: vinte e cinco anos separavam a última vitória do Coritiba como visitante, em 2011. Quando enfrentou os santistas novamente fora, o resultado foi expressivo — vitória de 3 a 0.

O Histórico do Athletico-PR

O Athletico-PR também marcou presença nesse fenômeno de rupturas. Em 2026, derrotou o Santos pela primeira vez fora de casa em toda a série histórica de confrontos pelo Brasileirão. O jejum anterior era extraordinário: durava vinte e oito jogos de encontros diretos desde 1976, um período de cinco décadas em que a equipe paranaense não conseguia levar os três pontos da capital paulista.

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A Metodologia do Favoritismos

A coluna Favoritismos, produzida em colaboração com o economista Bruno Imaizumi, oferece análises estruturadas sobre cada confronto da rodada. O trabalho não se restringe a intuição ou experiência — baseia-se em modelos estatísticos robustos aplicados a décadas de dados competitivos.

Parâmetros de Desempenho

O modelo examina o desempenho recente das equipes segundo o contexto em que atuam. Considera os últimos sessenta dias com enfoque na condição de mandante ou visitante, abrangendo todas as competições disputadas nesse período. Paralelamente, avalia os últimos seis jogos de cada time sem distinção de local, oferecendo uma visão das tendências mais imediatas.

A análise também segmenta o comportamento ofensivo e defensivo em duas dimensões: o jogo aéreo e o rasteiro. Como uma equipe cria e sofre perigos através de bolas altas difere significativamente de como se comporta em situações de posse com passes curtos. Um detalhe importante: os cálculos que medem a influência de bolas altas e passes rasteiros consideram apenas as jogadas que resultaram em gols. Situações como gols olímpicos, cobranças de pênaltis e faltas diretas ficam excluídas, pois são conclusões feitas diretamente ao arco, sem a característica progressiva de um lance construído.

O Acervo de Dados

A base sobre a qual tudo repousa é vasta. Desde 2013, a equipe do Gato Mestre catalogou cento e vinte e oito mil setecentos e sessenta e nove finalizações espalhadas por cinco mil cento e noventa e cinco jogos de Brasileirões. Esse acervo monumental permite calibrações precisas nos modelos, reduzindo margem de erro e aumentando confiabilidade nas projeções oferecidas a cada rodada.

Os Gols Esperados Desvendados

A métrica dos “Gols Esperados” (xG) consolidou-se como referência na análise futebolística moderna. O Favoritismos utiliza esse conceito para estimar a qualidade das chances geradas por cada equipe.

Quando um jogador finaliza, o sistema calcula a probabilidade de aquele chute resultar em gol. Essa probabilidade não é arbitrária; emerge de análises históricas de milhares de situações similares. A distância da meta importa: um chute de dentro da área tem expectativa diferente de um de trinta metros. O ângulo também: chutar de frente para o gol difere de um chute lateral.

O contexto tático enriquece o cálculo. Se a finalização surgiu de um contra-ataque, há menos defensores organizados, elevando a probabilidade de sucesso. Se veio de um cruzamento, reflete o sucesso ofensivo de uma equipe em transições ofensivas pela ala. Roubadas de bola que terminam em tiro indicam qualidade na transição defensiva.

Variáveis que Influenciam o Cálculo

A parte do corpo com a qual se chuta — pé direito, esquerdo ou cabeça — influencia o resultado final. Um chute com o pé bom (dominante para o jogador) tem expectativa maior que um com o pé ruim. Se o chute saiu de primeira ou após controle, ambas as situações recebem ponderações distintas.

Minutos decorridos também entram na equação. Uma finalização aos vinte minutos ocorre em contexto diferente de uma aos quarenta e cinco, quando a fadiga e o estado psicológico das equipes mudam. O placar do jogo no instante do chute altera o comportamento de quem ataca e de quem defende. A diferença de valor mercado entre os times em cada temporada reflete a capacidade relativa de cada elenco.

Variação por Posição e Setor

Cada zona do gramado possui sua própria taxa histórica de conversão. Uma finalização da meia-lua é convertida em gol em apenas sete de cada cem tentativas — resultando numa expectativa de xG de 0,07. As imediações da pequena área possuem taxas drasticamente maiores. O desempenho de um jogador comparado com a média de sua posição revela se apresenta qualidade excepcional ou abaixo do esperado.

Um atacante que produz xG acima da média de seus pares está gerando chances de elevada qualidade. Um zagueiro que sofre muito xG em finalizações defensivas indica vulnerabilidade em suas costas. A soma dos xG individuais ao longo de uma partida oferece o xG total da equipe, sintetizando a qualidade das oportunidades criadas e sofridas.

A Estrutura por Trás dos Números

O modelo estatístico operacionalizado no Favoritismos repousa sobre microdados coletados desde 2013 pela equipe do Gato Mestre. Essa estrutura multidisciplinar envolveu os jornalistas Arthur Sandes, Davi Barros, Felipe Tavares, Guilherme Maniaudet, Gustavo Figueiredo, José Victor Meirinho, Leandro Silva, Lorrayne Vieira, Roberto Maleson, Rodrigo Breves e Valmir Storti, além dos cientistas de dados Bruno Benício e Vitor Patalano e do programador Gusthavo Macedo.

Semanalmente, o modelo recalcula probabilidades baseado no desempenho mais recente, oferecendo uma visão atualizada sobre as chances de cada time conforme evoluem suas campanhas pela temporada. Para cada uma das dez partidas da rodada 27, Favoritismos e Bruno Imaizumi oferecem análises detalhadas que permitem aos torcedores e analistas compreender não apenas o que deve acontecer, mas o porquê por trás de cada previsão.

Perguntas frequentes

O que é Gols Esperados (xG)?

É uma métrica que estima a probabilidade de cada finalização resultar em gol, considerando fatores como distância da meta, ângulo de tiro, contexto tático (contra-ataque ou construção), parte do corpo utilizada e histórico de situações similares desde 2013.

Qual é o jejum mais longo quebrado nesta temporada?

O Athletico-PR derrotou o Santos fora de casa pela primeira vez em 28 encontros desde 1976, encerrando um período de cinco décadas sem vitória visitante na capital paulista.

Como o desempenho de um jogador é avaliado dentro do modelo?

É comparado com a média estatística de sua posição (atacante, meia, volante, lateral ou zagueiro), considerando-se se o chute veio do pé bom (dominante) ou pé ruim (oposto), e se a conclusão saiu de primeira ou após controle da bola.

Written by
Eduardo Pacheco

Eduardo Pacheco escreve sobre a história centenária do São Paulo — títulos, ídolos e os momentos que marcaram o clube desde a fundação até os tricampeonatos mundiais e continentais dos anos 1990.