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São Paulo se reinventa nos jogos e segue em busca de reforços para o elenco

Em resumo

  • Roger Machado, técnico de 51 anos, assina contrato com o São Paulo válido até 31 de dezembro de 2026, alinhado ao término da gestão do presidente Juan Massis.
  • Cinco jogadores foram liberados pela diretoria e não participaram da reapresentação do elenco: o goleiro Young, o lateral-direito Cédric Soares, Matheus Belém, o volante Luan e Paulinho.
  • A diretoria tricolor realizou negociações importantes para gerar receita e equilibrar o orçamento.
  • Enquanto alguns atletas saem, a diretoria trabalhou para manter seus pilares.

O São Paulo demitiu o técnico Hernán Crespo na segunda-feira (9) e acertou a contratação de Roger Machado como novo treinador, marcando uma virada estratégica no clube após a eliminação na Copa do Brasil. A mudança no comando técnico chega acompanhada de uma reformulação profunda do elenco, com saídas confirmadas, chegadas de jovens atletas e uma definição clara do novo perfil de contratações para os próximos ciclos.

A chegada de Roger Machado e o fim da era Crespo

Roger Machado, técnico de 51 anos, assina contrato com o São Paulo válido até 31 de dezembro de 2026, alinhado ao término da gestão do presidente Juan Massis. A contratação foi respaldada internamente por Rui Costa, executivo de futebol do clube, que vê no treinador a figura capaz de salvar a campanha do Brasileirão após um desempenho aquém das expectativas.

Crespo, que recebia aproximadamente R$ 1 milhão por mês, foi demitido após a eliminação precoce na Copa do Brasil. O novo contrato de Machado segue uma lógica de contenção orçamentária, refletindo as restrições financeiras enfrentadas pelo Tricolor nesta janela de transferências. A mudança representa não apenas uma troca de comando técnico, mas um sinal de que a diretoria busca reposicionar o projeto desportivo com urgência.

A reformulação do elenco: saídas e chegadas estratégicas

Cinco jogadores foram liberados pela diretoria e não participaram da reapresentação do elenco: o goleiro Young, o lateral-direito Cédric Soares, Matheus Belém, o volante Luan e Paulinho. Todos devem deixar o clube no segundo semestre, marcando uma limpeza significativa de atletas sem futuro no projeto técnico ou com contratos próximos do vencimento.

No sentido oposto, o volante Newton (26 anos) já realizou exames médicos, treina com o elenco e assinou contrato até dezembro de 2030. O lateral-direito Lucas Ramon chegou antecipadamente em fevereiro, proveniente do Mirassol com contrato até maio de 2026, enquanto o volante Danielzinho foi o primeiro reforço anunciado, vindo também do Mirassol com vínculo de dois anos. Essas chegadas seguem um padrão claro: atletas jovens, sem histórico de lesões e com salários menores, buscando rejuvenescer um elenco carregado de jogadores acima de 30 anos.

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As vendas que financiam a reformulação

A diretoria tricolor realizou negociações importantes para gerar receita e equilibrar o orçamento. O meia Rodriguinho acertou sua saída para o Red Bull Bragantino por 3 milhões de dólares (aproximadamente R$ 15,6 milhões), com pagamento dividido em 2,5 milhões à vista e 500 mil dólares em janeiro de 2027. O atacante Erick foi vendido ao Vitória por R$ 6,3 milhões, mantendo o São Paulo com 20% dos direitos econômicos do jogador.

Essas transações são cruciais para os cofres do clube, permitindo investimentos em novos reforços sem comprometer ainda mais a saúde financeira. Rodriguinho e Erick chegaram com expectativas elevadas, mas não conseguiram se consolidar no Morumbis, tornando suas saídas operacionais e necessárias para a continuidade do projeto.

As renovações que garantem estabilidade

Enquanto alguns atletas saem, a diretoria trabalhou para manter seus pilares. Luciano e Sabino renovaram contrato até 2028, enquanto Marcos Antônio assinou novo vínculo até 2030. Essas renovações garantem a continuidade de peças centrais do elenco, mesmo com a mudança de comando técnico e a reformulação geral em andamento.

A permanência desses jogadores oferece estabilidade em um momento de transição. Luciano segue como referência ofensiva, Sabino como zagueiro fundamental e Marcos Antônio como volante de importância estratégica para o meio-campo tricolor.

O caso Oscar e a questão da idade do elenco

O meia Oscar deve anunciar sua aposentadoria em breve após descobrir um problema cardíaco em meados do segundo semestre. O clube e o jogador divergem sobre os termos de rescisão, mantendo-o vinculado ao São Paulo mesmo com a aposentadoria planejada. A saída do ícone recente é um ponto sensível na reformulação, especialmente considerando a divergência financeira que impede sua liberação imediata.

Oscar representa simbolicamente o grande desafio enfrentado pelo São Paulo: um elenco envelhecido que precisa ceder espaço a atletas mais jovens. Além dele, Luiz Gustavo já deixou o clube, reforçando a necessidade urgente de rejuvenescimento que a diretoria agora persegue com contratações como Newton, Lucas Ramon e Danielzinho.

O contexto desportivo: fora da Libertadores 2026

O São Paulo terminou o Brasileirão de 2025 na oitava colocação com 45 pontos e não disputará a Copa Libertadores de 2026. A ausência do torneio continental ocorre porque o clube ficou fora do G7 e não pode contar com a classificação via Copa do Brasil, já que o campeão viria de times já qualificados ou do próprio G7. Essa realidade financeira torna ainda mais urgente a contenção de custos e a busca por eficiência nas contratações.

O Tricolor disputará a Copa Sul-Americana em 2026, uma competição de menor expressão internacional que demanda menos investimento, permitindo ao clube focar recursos na recuperação no Brasileirão. A situação reforça por que Roger Machado chega com contrato curto e por que a estratégia de contratações se volta para jovens com menores salários.

O novo perfil de contratações para 2026

A diretoria definiu claramente o caminho a seguir: atletas jovens, sem histórico de lesões graves e com salários menores. Essa estratégia reflete não apenas as restrições orçamentárias, mas também uma aprendizagem das contratações anteriores que não vingaram, como Erick. O clube busca custo-benefício inteligente, trazendo nomes de clubes menores como o Mirassol, que ofereceram bom rendimento a preços acessíveis.

Newton, Lucas Ramon e Danielzinho exemplificam essa abordagem. Todos vêm de caminhos alternativos, sem os altos custos de transferências internacionais ou de grandes clubes brasileiros. A aposta é que a juventude, a saúde física e o menor impacto orçamentário compensem a falta de experiência internacional ou de histórico em grandes competições.

O que acompanhar nos próximos meses

A integração de Roger Machado ao elenco será crucial para avaliar se a reformulação conseguirá surtir efeito já na reta final do Brasileirão. Os próximos confrontos do São Paulo dirão muito sobre a capacidade do novo técnico de potencializar os jogadores disponíveis e implementar sua filosofia tática. Além disso, o mercado segue aberto para possíveis chegadas adicionais, caso a diretoria consiga novas vendas ou liberar recursos.

O São Paulo entra em uma fase de reinvenção onde a juventude, a eficiência orçamentária e a liderança técnica de Roger Machado precisam convergir para resultados positivos. A reformulação está em marcha, e os próximos meses serão decisivos para determinar se a nova cara do elenco conseguirá devolver o clube aos patamares de competitividade esperados.

Written by
Thiago Venâncio

Thiago Venâncio acompanha a base e as categorias de formação do São Paulo, uma das mais tradicionais fábricas de craques do país. Escreve sobre os talentos que despontam em Cotia antes de chegarem ao profissional.