Em resumo
- A 23ª rodada concentra confrontos diretos que podem redistribuir as posições do G-4 (Libertadores) e Z-4 (rebaixamento).
- Fluminense enfrenta Palmeiras liderando sem técnico após dispensá-lo, enquanto Corinthians mede forças com Cruzeiro na Neo Química Arena.
- A análise de Gols Esperados utiliza 127.562 finalizações de 5.154 jogos do Brasileirão desde 2013 para calcular o potencial real de cada time.
Uma rodada decisiva se aproxima no Brasileirão 2026. A 23ª jornada promete confrontos que ressoarão na tabela de classificação, especialmente naqueles pontos que mais importam: as vagas na Libertadores e a luta contra o rebaixamento.
Na ponta superior da classificação, o Palmeiras, líder isolado, viaja para enfrentar o Fluminense, que ocupa a quarta colocação. O time carioca chega com três pontos de vantagem sobre o Corinthians e dois sobre o Cruzeiro. Uma vitória do Fluminense pode afastá-lo da ameaça, enquanto um tropeço combinado com sucesso são-paulino na Neo Química Arena reconfiguraria o G-4 em instantes.
A situação do Fluminense se complica ainda mais: o time acabou de dispensar seu técnico e terá Marcão, seu interino, à beira do campo. O Bahia, também na briga por uma dessas quatro vagas que garantem acesso à competição sul-americana, recebe a Chapecoense, lanterna da competição. Esse é outro jogo onde os três pontos podem significar uma mudança estrutural nas aspirações de cada clube.
No extremo oposto da tabela, o drama do descenso move Vasco e Santos, que se enfrentam em São Januário, enquanto Internacional entra em campo sabendo que precisa de um resultado específico para não cair na zona de queda. Remo e Internacional fecham a rodada na segunda-feira, e só o Inter sai dela fora do Z-4.
Os confrontos que mexem com o G-4
O Palmeiras segue como principal candidato ao título, mas não pode tropeçar agora, especialmente contra um Fluminense que, apesar da turbulência interna, segue como ameaça legítima. A equipe de Marcão entra em uma partida que pode definir sua temporada.
Fluminense sob pressão
Os cariocas não apenas enfrentam o líder, como o fazem recém-despedidos de seu treinador anterior. Essa mudança, que pode trazer ou frescor tático ou ainda mais instabilidade, chega em um momento crítico da temporada. Três pontos de colchão sobre o terceiro melhor time é margem fina.
Corinthians x Cruzeiro: duelo paulista e mineiro
Na Neo Química Arena, São Paulo receberá o Cruzeiro em um confronto onde apenas uma equipe sairá com a sensação de avançar. O Corinthians, perseguido, não pode ceder espaço, enquanto o Cruzeiro tenta recuperar-se das quedas recentes.
Bahia quer aproveitar a deixa
Enquanto os gigantes se enfrentam, o Bahia viaja para pegar a Chapecoense, última colocada. Mais uma equipe que sonha em se infiltrar no G-4 antes que seja demasiado tarde.
A luta pela permanência
No fim da tabela, a história é tão intensa quanto no topo. Vasco e Santos disputam um clássico que pode significar vida ou morte dentro da zona de rebaixamento. Internacional, que começa a rodada fora do Z-4, entrará sabendo exatamente qual resultado o mantém seguro.
Remo e Internacional encerram o fim de semana na segunda-feira, com o Inter já ciente das matemáticas que o envolvem. Das quatro equipes em confronto direto nesse fim de tabela, apenas uma sai garantida fora da queda na segunda-feira ao final.

Como as estatísticas avançadas analisam essa rodada
A plataforma Favoritismos, em parceria com o economista Bruno Imaizumi, traz uma análise profunda de cada uma das dez partidas dessa jornada. Não é apenas um palpite; é um estudo estruturado sobre o que cada time carrega potencial de fazer naquele domingo ou segunda-feira.
O modelo de Gols Esperados (xG)
A ferramenta central dessa análise é o conceito de “Gols Esperados”, uma métrica que calcula quantos gols uma equipe deveria ter marcado e sofrido em uma partida com base em dados históricos de qualidade de chances.
O modelo trabalha com um banco gigantesco: 127.562 finalizações catalogadas em 5.154 jogos de Brasileirão desde 2013. Cada tiro é analisado não apenas por seu resultado, mas por seus atributos estruturais.
Os parâmetros que entram na conta
Não é tão simples quanto “quantos chutes foram dados”. A distância da finalização, o ângulo de ataque, se foi executada dentro ou fora de casa, a origem da jogada (cruzamento, roubo de bola, falta direta), a parte do corpo utilizada, se foi de primeira ou depois de controlar a bola—tudo importa.
Além dos aspectos técnicos, o modelo considera a diferença de valor mercado entre os times em cada temporada, o tempo decorrido quando o tiro saiu e até a diferença no placar no exato momento do chute. Um time desesperado, perdendo 3 a 0, chuta diferente de um time que está ganhando.
A especificidade por posição
Cada jogador é comparado com a média histórica de sua posição no campo. Um atacante é medido contra outros atacantes; um zagueiro, contra a média de defensores.
Além disso, o modelo leva em conta se a conclusão foi feita com o “pé bom”—o direito para destros, o esquerdo para canhotos—ou com o “pé ruim”, o inverso. Jogadores ambidestros, que chutam aproximadamente a mesma quantidade de vezes com cada pé, foram identificados e separados da análise.
Os números que revelam o padrão
Um exemplo ilustrativo: de cada cem finalizações executadas da meia-lua (região entre a entrada da grande área e o meio-campo), apenas sete viram gol. Portanto, uma finalização típica dessa zona tem uma expectativa de gol, ou xG, de aproximadamente 0,07.
Cada posição do campo traz sua própria expectativa. Um chute de dentro da área grande tem xG bem superior ao de fora. E há exceções: um contra-ataque, onde há menos defensores posicionados para interromper a jogada, tem xG mais alto do que o mesmo tipo de finalização em uma situação de jogo estático.
Ao longo dos 90 minutos, esses valores se somam. Um time que acumula xG de 1,5 deveria ter marcado, em média, algo próximo a 1 ou 2 gols (dependendo da variação natural do futebol). Se marcou 3, teve sorte ou eficiência extraordinária. Se marcou 0, sofreu com o guarda-redes adversário ou foi ineficiente.
Dimensões do jogo além do xG
Favoritismos também avalia o desempenho defensivo e ofensivo de cada time em duas dimensões: o jogo aéreo (bolas altas, cabeçadas) e o jogo no rasteiro (passes, movimentação, finalizações de primeira).
Gols marcados em cobranças diretas, pênaltis ou faltas livres não entram no cálculo de influência aérea ou rasteira, pois são situações excecionais onde a origem da jogada não segue os padrões normais. O foco está nas jogadas onde a construção foi coletiva e onde o padrão estatístico se repete.
A equipe que produz as análises
Toda essa estrutura de análise é operada por uma equipe experiente e multidisciplinar. Arthur Sandes, Davi Barros, Felipe Tavares, Guilherme Maniaudet, Gustavo Figueiredo, José Victor Meirinho, Leandro Silva, Lorrayne Vieira (estagiária), Roberto Maleson, Rodrigo Breves e Valmir Storti formam o núcleo jornalístico.
Na parte técnica, Bruno Benício e Vitor Patalano, ambos cientistas de dados, trabalham ao lado do programador Gusthavo Macedo para alimentar o modelo e garantir que os cálculos reflitam a realidade do futebol brasileiro atual.
Essa 23ª rodada, portanto, será analisada sob uma lente que vai além da intuição. Números concretos ajudarão a explicar por que um time vence, por que outro fracassa, e qual era a chance real de cada resultado acontecer na jornada que pode redefinir a classificação em ambos os extremos da tabela.
Perguntas frequentes
Quais são os principais confrontos que mexem com o G-4 nesta rodada?
Palmeiras x Fluminense no topo da tabela, Corinthians x Cruzeiro na Neo Química Arena e Bahia x Chapecoense (lanterna). Uma vitória do Fluminense o afasta de Corinthians e Cruzeiro, enquanto derrotas combinadas redefinem as posições das equipes na luta pela Libertadores.
Como funciona o modelo de Gols Esperados?
Analisa 127.562 finalizações de 5.154 jogos desde 2013, considerando distância, ângulo, local (casa/visitante), origem da jogada, parte do corpo, se foi de primeira, diferença mercado, tempo de jogo e diferença de placar. Cada posição do campo tem expectativa diferente; de cada 100 finalizações da meia-lua, apenas 7 viram gol.
Qual é a situação das equipes ameaçadas de rebaixamento?
Vasco, Santos, Internacional e Remo estão na luta contra o Z-4. O Inter inicia a rodada fora da zona de queda mas enfrentará Remo na segunda-feira, quando já saberá de que resultado precisa para manter a condição.