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Eleição paralisa planejamento do São Paulo para 2027; Dorival e cinco jogadores ficam em limbo

Em resumo

  • Dorival Júnior tem contrato até 31 de dezembro e aguarda sinais da instituição sobre continuidade, mas reconhece dificuldades na temporada.
  • Cinco jogadores (Toloi, Lucas, Iago, Cauly e Artur) têm contratos vencendo em 2026 e nenhuma negociação foi iniciada.
  • Iago, Cauly e Artur estão emprestados com cláusulas que exigem negociações complexas com Bahia e Botafogo.
  • Eleição presidencial em dezembro paralisa todo planejamento; sem dinheiro e sem liderança, ninguém se compromete com renovações.

O São Paulo enfrenta uma paralisação administrativa que vai muito além dos problemas dentro de campo. Com a eleição presidencial marcada para primeira quinzena de dezembro, o clube atravessa um vazio de decisões que atinge tanto a comissão técnica quanto o elenco. Sem dinheiro em caixa e com Harry Massis vivendo seus últimos 60 dias na presidência, nenhuma negociação de renovação de contrato foi iniciada no último trimestre, deixando seis pessoas-chave com futuro indefinido.

Dorival Júnior no fio da navalha

O técnico Dorival Júnior está entre os maiores afetados pela crise institucional. Com contrato que vence no dia 31 de dezembro de 2026, ele aguarda sinais sobre sua permanência, enquanto a turbulência no comando do clube impede qualquer conversa formal a respeito. Em coletiva de imprensa após a derrota para o Santos, Dorival revelou a incerteza que envolve sua situação.

“Primeiro precisa ver se as pessoas que estão no São Paulo vão querer que o Dorival fique. Estou aqui para desenvolver um trabalho. Vim aqui pensando em deixar o meu melhor aqui dentro. Não imaginava um ano tão difícil em alguns aspectos. Os resultados não nos satisfazem”, afirmou o comandante. Ele reconhece que a temporada não correspondeu às expectativas, mas se mostra resiliente diante dos desafios estruturais enfrentados.

Dorival também refletiu sobre o ciclo de incerteza que atravessa. “Talvez seja um momento que tenhamos que passar. É assim que encaro a vida. Já convivi em outras equipes e situações semelhantes, fomos felizes e nos organizamos. O que vai acontecer depois do final do ano, temos que deixar as pessoas se estabilizarem dentro do clube e verem o que é melhor”, completou, deixando claro que aguarda estabilidade institucional para qualquer decisão sobre seu futuro.

Cinco jogadores em situações diferentes

Além de Dorival, cinco atletas do elenco têm contratos vencendo no fim de 2026: o zagueiro Rafael Toloi, o lateral Iago, o meia Cauly e os atacantes Lucas e Artur. Cada um enfrenta uma realidade distinta, desde renovações diretas até negociações complexas envolvendo clubes parceiros.

Toloi e Lucas: os casos internos

Rafael Toloi e Lucas são os casos mais simples de resolver do ponto de vista administrativo. Ambos pertencem ao São Paulo e dependem unicamente de um movimento do clube para saber se haverá renovação de contrato. Ainda assim, a paralisia causada pela eleição impede até essas negociações mais diretas de avançarem.

Iago: negociação com o Bahia

Iago representa um caso de maior complexidade. O lateral está emprestado pelo Bahia e não possui uma cláusula de compra com valor fixado. Isso significa que, caso o São Paulo deseje manter o jogador, precisará negociar valores diretamente com o clube baiano. A falta de termo claro torna a situação ainda mais dependente de movimentos que não acontecem neste momento.

Cauly e Artur: empréstimos com valores definidos

Cauly e Artur possuem cláusulas com valores estipulados, porém cada uma apresenta características distintas. O meia, cedido também pelo Bahia, tinha uma obrigação de compra que não foi acionada porque o jogador não atingiu a meta de partidas estabelecida. A cláusula previa 2 milhões de euros (R$ 11,2 milhões) por 50% dos direitos econômicos, valor que o São Paulo não vai precisar desembolsar dado o não cumprimento da condição.

Artur, emprestado pelo Botafogo, está em situação distinta. A cláusula prevê preferência de compra no valor de 6 milhões de euros (R$ 36 milhões) por 60% dos direitos econômicos. Além disso, existe um acordo de “cashback” do salário do jogador conforme sua utilização, montante que hoje é dividido entre São Paulo e Botafogo. Essas camadas de negociação tornam a resolução ainda mais delicada.

Por que nada avança

A raiz do problema está na ausência de direção clara no comando do clube. Harry Massis não deve ser candidato à reeleição, e até o momento Marcelo Portugal Gouvêa é o único nome oficial concorrendo à presidência pela oposição. As eleições estão previstas para a primeira quinzena de dezembro, deixando o São Paulo em limbo por mais dois meses.

Sem caixa disponível e sem liderança que possa assumir compromissos de médio prazo, o clube preferiu não iniciar nem mesmo conversas preliminares com seus atletas. É uma estratégia defensiva comum em períodos de transição presidencial, mas que tem custo alto: quanto mais próximo do fim do ano, mais urgentes e menos vantajosas se tornam as negociações, seja para renovar, vender ou deixar sair um jogador.

O que muda quando a eleição termina

A primeira quinzena de dezembro trará respostas sobre quem vai dirigir o São Paulo pelos próximos anos. A partir daí, novo presidente, novo diretor executivo ou novo diretor de futebol terão de tomar decisões imediatas sobre Dorival, Toloi, Lucas, Iago, Cauly e Artur.

Nenhuma negociação está em andamento neste momento, exatamente porque a tendência é de que Massis viva seus últimos 60 dias como presidente. Decisões sobre futuro de técnico e jogadores ficarão para o novo comando, junto com todas as outras prioridades que acumularem até lá. O resultado é um bimestre de espera enquanto o mercado de transferências mundial continua em movimento e oportunidades podem ser perdidas.

Fonte: ge > são paulo

Perguntas frequentes

Quem são os cinco jogadores com contratos vencendo em 2026?

Rafael Toloi (zagueiro), Iago (lateral), Cauly (meia), Lucas (atacante) e Artur (atacante). Toloi e Lucas pertencem ao São Paulo; Iago está emprestado do Bahia, Cauly também do Bahia, e Artur do Botafogo.

Por que as negociações estão totalmente paralisadas?

Porque Harry Massis está nos últimos 60 dias de seu mandato e a eleição presidencial está marcada para primeira quinzena de dezembro. Sem dinheiro em caixa e sem liderança definida, o clube preferiu não iniciar conversas de renovação.

Qual é a situação mais complexa entre esses jogadores?

A dos três emprestados. Iago não tem cláusula de compra fixada, então precisará de negociação direta com o Bahia. Cauly teve obrigação de compra de 2 milhões de euros que não foi acionada por falta de minutos. Artur tem preferência de compra de 6 milhões de euros mais acordo de cashback de salário com o Botafogo.

Written by
Eduardo Pacheco

Eduardo Pacheco escreve sobre a história centenária do São Paulo — títulos, ídolos e os momentos que marcaram o clube desde a fundação até os tricampeonatos mundiais e continentais dos anos 1990.