Em resumo
- São Paulo e Novorizontino acertaram pagamento de R$ 1,1 milhão em três parcelas de R$ 366,7 mil cada até o fim do ano, mediado pelos presidentes Harry Massis e Genílson da Rocha Santos.
- O acordo evita o segundo transfer ban do Tricolor em 2024, depois de sofrer punição da FIFA em julho por dívida com a Lazio de R$ 6,2 milhões.
- Djhordney, volante de 19 anos, foi emprestado em julho de 2025 e teve sua compra exercida em fevereiro, com contrato vigente até janeiro de 2030.
- São Paulo aguarda votação no dia 29 de setembro do contrato com a Ticketmaster, que prevê injeção de R$ 140 milhões para aliviar problemas de fluxo de caixa.
O São Paulo conseguiu resolver uma pendência financeira com o Novorizontino nesta semana, evitando uma punição que comprometeria seus planos para o mercado de transferências. Os dois clubes chegaram a um acordo sobre a dívida de R$ 1,1 milhão relacionada ao volante Djhordney, que foi contratado pelo clube paulista no ano anterior. O parcelamento, assinado na quinta-feira, impede que a Anresf imponha um transfer ban ao Tricolor, mantendo a capacidade operacional do time.
O acordo e seus termos
A pendência havia se arrastado desde a contratação do atleta em meados do ano passado. O São Paulo tinha apenas cinco dias para acertar a situação após a Anresf fixar um ultimato em agosto, quando concedeu um prazo total de 45 dias para resolver o problema. A situação ganhou urgência na semana passada, quando conversas intensificadas entre as diretorias levaram ao consenso final.
Os presidentes Harry Massis, do São Paulo, e Genílson da Rocha Santos, do Novorizontino, mediaram as negociações até alcançar um acordo que satisfizesse ambas as partes. O acerto prevê três parcelas de aproximadamente R$ 366,7 mil cada uma, a serem pagas até o encerramento do ano. A divisão do valor em prestações reflete uma estratégia comum entre os clubes brasileiros quando o pagamento único coloca em risco a saúde do caixa, uma realidade que o Tricolor vivencia há alguns meses.
Djhordney e sua trajetória
Origem e ascensão
Djhordney começou sua carreira no Novorizontino, clube onde foi revelado nas categorias de base. O volante construiu sua reputação no interior de São Paulo, desenvolvendo habilidades defensivas que despertaram atenção de instituições maiores. Uma breve passagem pelo Palmeiras marcou sua trajetória, mas o jogador não conseguiu consolidar-se no clube alviverde, retornando suas buscas por oportunidades em novos ambientes.
Sua permanência no Novorizontino o manteve em desenvolvimento constante e competitivo. As características técnicas do volante, particularmente seu posicionamento defensivo e leitura de jogo, despertavam interesse entre dirigentes que acompanhavam o futebol paulista. Participou de campanhas importantes nas categorias de base, inclusive do título da Copa do Brasil sub-20 no ano anterior e da vice-campanha da Copinha em janeiro, consolidando seu currículo de desenvolvimento.
Chegada ao São Paulo
O São Paulo trouxe Djhordney por empréstimo em julho de 2025, em um período em que o clube buscava reforços para o meio de campo defensivo. A inserção do jogador na equipe paulista ocorreu em momento de transição, quando o Tricolor reorganizava seu elenco após mudanças na comissão técnica. Djhordney logo demonstrou adaptação rápida, disputando minutos importantes enquanto adquiria experiência no principal palco do futebol paulista.
Em fevereiro deste ano, satisfeito com o desempenho, o São Paulo exerceu o direito de compra de 70 por cento de seus direitos econômicos, consolidando a permanência do atleta. O contrato estende-se até janeiro de 2030, garantindo uma janela longa para que o clube aproveite a evolução contínua do jogador. Durante este ano, Djhordney disputou dez partidas pela equipe principal, somando experiência valiosa. Aos 19 anos, ainda está no início de sua trajetória profissional com potencial inexplorado para crescimento técnico e tático.
Perspectivas futuras
O volante representa uma aposta interna na formação de um meio-campo mais robusto para os próximos anos. Para o São Paulo, manter o jogador sob contrato longo significa preservar um ativo que pode valorizar significativamente com o passar do tempo. A permanência de Djhordney no elenco, garantida pelo acerto desta semana com o Novorizontino, permite que o Tricolor continue investindo em sua evolução sem riscos de perda precipitada do atleta.
Riscos evitados e histórico de punições
O transfer ban e o regulamento
A Anresf havia fixado um ultimato em agosto, concedendo 45 dias para que o São Paulo resolvesse a pendência. A agência, responsável por fiscalizar a aderência aos princípios de fair play financeiro, aplica sanções automáticas quando os prazos vencem sem resolução. A restrição impediria o clube de registrar qualquer novo jogador até que a situação fosse normalizada, um golpe significativo para uma equipe em reconstrução que depende de movimentação constante no mercado de transferências.
O regulamento da Anresf, que entrou em vigor em janeiro, diferencia as dívidas conforme sua origem. Pendências contraídas após a publicação das regras enfrentam punição imediata, enquanto aquelas anteriores a este ano só sofrem sanções a partir de dezembro. A dívida com o Novorizontino enquadrava-se na primeira categoria, tornando a situação urgente. O cumprimento do prazo final nesta quinta-feira demonstra que a diretoria compreendeu a gravidade e priorizou a resolução.
Punições anteriores
Este era o segundo risco de transfer ban que o clube enfrentava em apenas alguns meses, um cenário alarmante para qualquer instituição de futebol profissional. Em julho, o Tricolor já havia sido punido pela FIFA por uma dívida com a Lazio referente à contratação de Marcos Antônio. Aquele débito, no valor de R$ 6,2 milhões, só foi quitado em agosto, permitindo que o clube solucionasse a restrição após sofrer as consequências operacionais da punição.
A sucessão de pendências revelou fragilidades no acompanhamento financeiro, motivando críticas de dirigentes experientes e torcedores atentos. Historicamente, o São Paulo nunca havia enfrentado dois transfer bans em uma mesma temporada, um registro negativo que demonstra descontrole na gestão de compromissos internacionais. O acerto desta semana interrompe uma sequência preocupante, mas a diretoria precisará implementar sistemas mais rigorosos para evitar repetição nos próximos anos.
Prioridades financeiras
Enquanto resolve pendências do passado, o São Paulo trabalha em soluções para estabilizar sua situação financeira de forma mais permanente. O clube aguarda a aprovação de um contrato com a Ticketmaster para a gestão de ingressos no Morumbis, votação marcada para 29 de setembro no Conselho Deliberativo. A parceria prevê um adiantamento de R$ 110 milhões, além de R$ 30 milhões na assinatura, valores que poderiam aliviar as pressões de caixa que levaram às renegociações sucessivas.
Os R$ 140 milhões previstos na operação representariam uma injeção significativa de recursos para uma instituição que enfrentou dificuldades recorrentes de fluxo de caixa. A aprovação ainda é incógnita, já que o contrato precisa passar pela votação no Conselho. A combinação desses recursos com uma gestão mais rigorosa das dívidas futuras representa o caminho que a diretoria espera trilhar. O acordo com o Novorizontino é um passo necessário mas insuficiente para resolver os desafios estruturais que marcam a administração tricolor.
Perguntas frequentes
Qual o prazo para o São Paulo pagar as parcelas?
O pagamento será feito em três parcelas de aproximadamente R$ 366,7 mil cada uma até o final de 2024.
Até quando Djhordney tem contrato com o São Paulo?
O volante tem contrato vigente até janeiro de 2030.
Quantos transfer bans o São Paulo sofreu em 2024?
Este é o segundo transfer ban enfrentado pelo clube em 2024, sendo o anterior em julho por dívida com a Lazio de R$ 6,2 milhões.