Em resumo
- Flamengo lidera com R$ 37,5 milhões de folha salarial, seguido por Palmeiras e Corinthians com R$ 30 milhões cada; São Paulo aparece em 10º lugar com R$ 18 milhões
- Neymar é o jogador mais bem pago do futebol brasileiro com R$ 4,14 milhões mensais, enquanto Flamengo gastou R$ 430 milhões em contratações este ano
- Palmeiras alega gastos de R$ 30 milhões mas balanço mostra R$ 45 milhões; falta de padronização entre clubes torna comparações imprecisas e contestáveis
- Atletico-PR retornou à elite com folha baixa e é 3º colocado, enquanto Grêmio com R$ 20 milhões corre risco de rebaixamento, provando que gastos altos não garantem resultados
Saber quanto cada time da Série A investe em salários de jogadores parece ser uma pergunta objetiva, mas a resposta é tudo menos clara. Nem as associações nem as Sociedades Anônimas do Futebol divulgam esses números de forma padronizada, tornando qualquer comparação direta entre os clubes uma tarefa repleta de armadilhas. Mesmo quando os documentos financeiros separam os custos do futebol dos demais departamentos, continua sendo impossível determinar com precisão quanto é gasto especificamente com a folha salarial do elenco, já que os balanços englobam premiações, bônus e despesas com toda a estrutura técnica de apoio.
O desafio de medir a folha salarial
Quando o ge buscou mapear os gastos dos 20 clubes da Série A com salários, esbarrou nessa falta de transparência. Os números apresentados por dirigentes e conselheiros frequentemente diferem daqueles registrados nos balanços públicos, criando uma divergência que complica qualquer tentativa de ranking confiável. Apesar dessa imprecisão, é possível ter um panorama aproximado do que cada clube gasta atualmente, cruzando informações de balanços e apurações diretas.
O Palmeiras ilustra bem essa confusão. O clube publica balancetes mensais informando quanto gasta com salários, encargos e direitos de imagem no departamento de futebol, apontando para cerca de R$ 45 milhões ao mês. Porém, dirigentes e conselheiros contestam esse número, alegando que a folha real fica próxima de R$ 30 milhões. Segundo eles, a diferença ocorre porque o balanço abrange premiações, bônus e custos com funcionários que não jogadores, como massoterapeuta, roupeiro, nutricionista, preparadores físicos e auxiliares. Um caso praticamente idêntico aparece no Bragantino: pelo balanço de 2025, o “custo do departamento de futebol profissional” foi de R$ 314 milhões, o que resulta em aproximadamente R$ 24 milhões mensais quando descontado o décimo terceiro. A direção do clube, porém, afirma que a folha salarial corresponde a menos da metade, cerca de R$ 10 milhões.
Flamengo lidera com folha expressiva
Apesar dessas imprecisões, é possível traçar um ranking dos clubes que gastam mais com salários. O Flamengo, tal como ocorre na classificação do Brasileirão, encabeça a lista com R$ 37,5 milhões mensais. Esse número foi atualizado após o clube contestar apuração inicial que indicava R$ 50 milhões, apresentando ao ge o que alega ser o valor oficial. O investimento do Rubro-Negro em salários reflete a estratégia de reforçar o elenco: neste ano, o clube gastou mais de R$ 430 milhões em contratações.
No elenco carioca, as estrelas possuem vencimentos similares. Arrascaeta e Jorginho ganham na casa dos R$ 3 milhões mensais, enquanto Saúl, Lucas Paquetá e Samuel Lino recebem R$ 2 milhões. Pedro embolsa menos de R$ 1 milhão, mas esse valor deve aumentar significativamente quando sua renovação contratual for concluída. O Flamengo planeja ser o primeiro clube a alcançar R$ 3 bilhões de faturamento até 2030, movimento que provavelmente elevará ainda mais os gastos salariais.
Palmeiras, Corinthians e Cruzeiro na faixa dos R$ 30 milhões
Logo atrás do Flamengo, Palmeiras e Corinthians aparecem empatados com R$ 30 milhões mensais de folha salarial, enquanto o Cruzeiro também se aproxima desse patamar. O Palmeiras, que busca acompanhar o Flamengo na briga pelo título do Brasileirão, incrementou consideravelmente seus gastos com a chegada de reforços de peso nos últimos anos: Andreas Pereira, Vitor Roque e Paulinho custaram quase R$ 400 milhões em investimento direto. Especula-se que Andreas Pereira seja o jogador com os vencimentos mais altos do elenco, em torno de R$ 2,6 milhões, seguido por Paulinho e Vitor Roque, ambos próximos aos R$ 2 milhões mensais. O clube não confirma esses números.
O Cruzeiro, que se tornou Sociedade Anônima do Futebol, registrou um aumento de 72% nos gastos com futebol entre 2024 e 2025 — a data do último balanço divulgado. Mais de R$ 362 milhões foram destinados a salários e direitos de imagem, considerando também os encargos sobre as quantias pagas aos jogadores e funcionários. A Raposa possui três dos vencimentos mais altos do futebol brasileiro, todos na casa dos R$ 3,5 milhões: Matheus Pereira, Gerson e Gabigol. Parte do salário de Gabigol, aproximadamente R$ 1 milhão, é financiada pelo Santos, seu clube de origem, no qual está emprestado até o final do ano.
São Paulo na série A com folha de R$ 18 milhões
O São Paulo aparece na décima posição do ranking com uma folha salarial de R$ 18 milhões mensais. Esse valor posiciona o Tricolor no meio da tabela, distante dos gigantes que encabeçam os gastos mas acima dos clubes que enfrentam maiores dificuldades financeiras. A cifra reflete a estrutura do elenco profissional do clube, que compete tanto no Brasileirão quanto nas competições continentais e nacionais.
Casos polêmicos: transparência e revisões
Neymar puxa os gastos do Santos
A folha salarial do Santos é impulsionada principalmente por Neymar, que recebe R$ 4,14 milhões mensais — o maior salário de todo o futebol brasileiro. O movimento contrasta com Memphis Depay, do Corinthians, que chegou a receber aproximadamente R$ 6 milhões por mês mas renovou contrato por cerca de R$ 2 milhões, perdendo o posto de jogador mais bem remunerado do país. O Santos, em grave crise financeira e frequentemente punido pela Fifa por atrasos nos pagamentos, aumentou consideravelmente seus gastos salariais desde as chegadas de Everton Cebolinha, Rodinei, Gabigol e Philippe Coutinho, totalizando R$ 25 milhões mensais. O clube argumenta que abriu espaço na folha com saídas durante o ano, como Mayke, Zé Rafael e Adonis Frias, mas permanece sob risco de transfer bans pela dificuldade em honrar compromissos.
Internacional, Remo e correções de números
O Internacional apresentou contestação ao ge após a publicação inicial, informando que o valor de R$ 20,5 milhões mensais apontado incluía gastos com times masculino e feminino, categorias de base e funcionários de todos os departamentos. Segundo o clube, o valor real para o futebol profissional masculino é de R$ 12,5 milhões. De forma similar, o Remo procurou a redação através de sua assessoria para contestar o valor inicial de R$ 10 milhões, informando que os gastos atuais com futebol ficam em torno de R$ 5,5 milhões mensais.
Histórias de eficiência e ineficiência
Atletico-PR retorna à elite com folha baixa
O Atletico-PR apresenta um caso de notável eficiência. Após disputar a Série B em 2024, o Furacão retornou à elite conseguindo aliar uma folha salarial entre as mais baixas da Série A — ocupa apenas o 14º lugar com R$ 14 milhões mensais — com um desempenho excepcional em campo. O time atualmente é o terceiro colocado do Brasileirão e conta em seu elenco com Viveros, artilheiro da competição com 21 gols marcados, contratado do futebol colombiano.
Grêmio gasta alto mas corre risco
Em contraste, o Grêmio investiu pesadamente em folha salarial — R$ 20 milhões mensais — mas enfrenta o risco de rebaixamento para a Série B. O Tricolor gaúcho permanece na oitava colocação, demonstrando que altos gastos não garantem necessariamente resultados positivos. Esse cenário reforça que o investimento financeiro por si só não determina o desempenho dentro de campo.
Mirassol após o sucesso na Libertadores
O Mirassol experimentou um aumento significativo de 50% em sua folha salarial em um ano, saltando para R$ 6 milhões — ainda assim muito abaixo dos rivais da Série A. O crescimento refletiu o sucesso da temporada anterior, quando o Leão conseguiu se classificar para a Conmebol Libertadores. Apesar da injeção de recursos, o clube não conseguiu repetir o desempenho da campanha anterior e atualmente briga contra o rebaixamento.
A relação entre gastos e posição na tabela
Os dados revelam que os gastos com salários não refletem necessariamente a posição final na classificação, com exceção das duas extremidades do ranking. O Flamengo, que mais investe em folha salarial, lidera o Brasileirão, enquanto a Chapecoense, com o menor investimento entre os vinte clubes com apenas R$ 3,8 milhões mensais, ocupa a última colocação. Entre esses extremos, a relação se torna muito menos previsível: equipes com folhas altas convivem com o risco de queda, enquanto outras com investimentos modestos conseguem resultados surpreendentes.
É importante ressaltar que os números apresentados no ranking são aproximações. Os jogadores também recebem ganhos variáveis por objetivos, popularmente conhecidos como “bichos” pagos após vitórias em jogos e competições, valores que não figuram sempre nos registros de salário fixo. Essa realidade torna qualquer comparação ainda mais frágil e aproximada, refletindo a complexidade de acessar dados precisos sobre os investimentos reais de cada agremiação em seus elencos profissionais.
Fonte: ge > são paulo
Perguntas frequentes
Quanto São Paulo gasta por mês com salários na Série A?
São Paulo aparece em 10º lugar no ranking com uma folha salarial de R$ 18 milhões mensais, segundo a apuração do ge.
Quem é o jogador mais bem pago do futebol brasileiro?
Neymar, do Santos, é o jogador com o maior salário do futebol brasileiro, recebendo R$ 4,14 milhões por mês.
Por que os números de folha salarial são imprecisos?
Porque os balanços dos clubes englobam premiações, bônus e custos com funcionários de apoio além dos salários de jogadores, e nem todas as associações divulgam esses dados de forma padronizada. Dirigentes frequentemente contestam os números apresentados.