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Cruzeiro feminino lidera ranking de lesões de LCA; seis no departamento

Em resumo

  • O Cruzeiro registrou seis casos de ruptura de ligamento cruzado anterior em 2026, maior número entre todos os clubes da elite do futebol feminino.
  • A gestora Luiza Parreiras garantiu que o clube não vai tratar o problema como fatalidade e implementará novas mudanças nos protocolos de treinamento.
  • O clube modificou monitoramento de ciclo menstrual das atletas, controle de carga interna e externa, além de focar em recuperação com atenção ao sono e alimentação.

O Cruzeiro vive um período turbulento no futebol feminino em 2026. Finalista do Campeonato Brasileiro em 2025 e com objetivos ambiciosos para a Libertadores, o clube mineiro está sendo assolado por uma série preocupante de lesões graves. Seis jogadoras estão afastadas de suas atividades, todas recuperando-se de rupturas do ligamento cruzado anterior (LCA), um quadro que coloca em xeque o desempenho da equipe na temporada.

Uma sequência de traumas

O período de infortúnios começou no dia 16 de abril. A atacante Milena foi a primeira vítima dessa sequência lamentável de lesões graves. Apenas treze dias depois, a situação se agravou. Gaby Soares saiu do campo com expressão de dor e angústia, confirmando-se nos dias seguintes que também sofrera uma ruptura do ligamento cruzado anterior. Particularmente preocupante foi saber que Gaby Soares enfrentava sua segunda ruptura de LCA durante sua carreira, evidenciando o risco elevado de reincidência que paira sobre as atletas.

A sequência de maio

O mês de maio trouxe novos sobressaltos. No dia 22, a jovem atacante Ravenna, com apenas 17 anos, também sofreu ruptura do ligamento cruzado anterior. Na época, ela estava convocada para representar a seleção brasileira de base, o que torna a lesão ainda mais crítica para seu desenvolvimento. Seis dias depois do acidente com Ravenna, Tainara e Laura Felipe entraram na lista de afastadas, ambas precisando de cirurgia para reconstrução do ligamento.

O caso de Paloma Maciel

Paloma Maciel foi a última jogadora a sofrer ruptura de LCA. A zagueira se lesionou durante um período de treinamentos na Granja Comary, enquanto participava de atividades com a seleção brasileira. Seu afastamento completou o quadro de seis atletas simultaneamente fora de ação pelo mesmo motivo, um cenário raramente visto nos clubes brasileiros.

O impacto na temporada

A sequência de lesões prejudicou significativamente o planejamento do Cruzeiro para a temporada. O time havia feito mudanças estruturais pensando em uma campanha importante, com a participação na Libertadores em vista. Porém, ficou sem opções defensivas adequadas e acumulou desfalques importantes em posições estratégicas, forçando o técnico a improvisos e ajustes frequentes.

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A resposta do clube

Diante dessa crise, o Cruzeiro não optou por culpar o acaso ou a fatalidade. Luiza Parreiras, gestora do futebol feminino do clube, afirmou com segurança que o departamento avaliaria profundamente seus processos. “Isso nos trouxe um questionamento da qualidade do nosso trabalho. A partir do momento que a gente falou ‘não, nosso trabalho é muito bom’. As pessoas que estão vendo são pessoas muito competentes. O clube nos dá condição e não vamos tratar como fatalidade de forma nenhuma. Vamos tratar com que realmente precisamos melhorar”, disse Parreiras.

Novos protocolos de monitoramento

Para evitar novos episódios, o Cruzeiro modificou desde a estrutura dos treinamentos até o acompanhamento personalizado de cada atleta. Parreiras destacou que não se tratava apenas de prevenção genérica de lesões, mas de “um cuidado mais atento para a melhoria de alguns processos principalmente pensando num olhar mais individualizado para cada atleta”. O foco agora é identificar quais melhorias precisam ser implementadas para evitar novas rupturas.

Recuperação e práticas de prevenção

Entre as mudanças está o monitoramento detalhado do ciclo menstrual das atletas em relação aos sintomas que apresentam em cada fase. O departamento passou a realizar questionários diários pré-treino e pós-treino, registrando a resposta de cada jogadora. Segundo Parreiras: “Entrou na discussão a carga interna e carga externa. Fazemos um controle diário com o questionário pré-treino e pós-treino. Tivemos um foco muito voltado para a recuperação, que é o que chamam de prática de recovery. Isso basicamente se passa por sono, alimentação e práticas que a gente adota dentro do clube, seja no período de folga ou quando a gente está aqui pra elas poderem recuperar.”

O suporte médico especializado

Todas as seis atletas passaram por cirurgia realizada pelo médico do clube Dr. Sérgio Campolina, profissional que atua regularmente com o departamento masculino do Cruzeiro. A experiência acumulada pela equipe do Dr. Campolina foi colocada a serviço do núcleo feminino. Juntos, médicos e preparadores físicos passaram a estudar as possíveis causas da concentração anormalmente alta de lesões, além de acompanhar de perto a recuperação de cada uma das seis jogadoras.

Comparativo nacional

O Cruzeiro desponta isolado em um ranking preocupante. Entre todos os clubes da elite do futebol feminino brasileiro:

  • Cruzeiro: 6 casos
  • Grêmio: 3 casos
  • Botafogo, Internacional, América, Bahia, Ferroviária, Juventude e Palmeiras: 1 caso cada

Diversos clubes não registraram qualquer ruptura de LCA durante a temporada. O Corinthians, procurado sobre o assunto, optou por não informar se ocorreram lesões desse tipo na instituição.

Esperança de retorno

Apesar do cenário desafiador, há perspectiva de recuperação. A expectativa do departamento médico e da comissão técnica do Cruzeiro é que todas as seis jogadoras voltem a atuar no próximo ano. Enquanto isso, o clube segue ajustando seus processos e estruturas para garantir que a sequência de 2026 não se repita. A temporada atual segue com desafios intensos, mas com esperança renovada de que mudanças profundas evitem futuras tragédias dessa magnitude.

Perguntas frequentes

Quantas jogadoras do Cruzeiro sofreram ruptura de LCA em 2026?

Seis jogadoras: Milena, Gaby Soares, Ravenna, Tainara, Laura Felipe e Paloma Maciel.

Qual foi a primeira jogadora a se lesionar com ruptura de LCA no Cruzeiro em 2026?

A atacante Milena foi a primeira, sofrendo a lesão no dia 16 de abril.

Qual foi a resposta do Cruzeiro para tentar evitar novos casos de lesão?

O clube mudou os protocolos de treinamento, implementando monitoramento de ciclo menstrual das atletas, controle de carga interna e externa, além de focar em recuperação com atenção ao sono e alimentação.

Written by
Thiago Venâncio

Thiago Venâncio acompanha a base e as categorias de formação do São Paulo, uma das mais tradicionais fábricas de craques do país. Escreve sobre os talentos que despontam em Cotia antes de chegarem ao profissional.