Em resumo
- Cadu Santoro mostrou pessimismo sobre Cauly bater as metas do empréstimo ao São Paulo, prevendo reapresentação ao Bahia em 2027.
- O meia tem 24 jogos pelo São Paulo, mas disputou mais de 45 minutos em apenas 15 oportunidades, muito aquém dos 20 necessários.
- O Bahia recebeu R$ 3 milhões pelo empréstimo e poderia ganhar até R$ 22 milhões se todas as metas fossem atingidas.
A permanência de Cauly no São Paulo ganhou novos contornos de incerteza. Sete meses após o empréstimo do meia do Bahia ao clube paulista, o diretor de futebol baiano Cadu Santoro revelou ceticismo real sobre as chances de efetivar a compra do jogador. Segundo as declarações do executivo, a tendência agora aponta para a reapresentação de Cauly à Cidade Tricolor já no início de 2027, cenário que muda completamente o planejamento do São Paulo para o meio-campo nos próximos meses.
O acordo financeiro e suas metas
O Bahia emprestou Cauly ao São Paulo em troca de 500 mil euros, valor que aproxima dos R$ 3 milhões. O contrato prevê uma obrigação de compra estruturada exclusivamente em metas de desempenho do atleta durante o período do empréstimo. O São Paulo terá de adquirir 50% dos direitos econômicos do jogador por dois milhões de euros (aproximadamente R$ 12 milhões) caso Cauly dispute mais de 45 minutos em 20 partidas pelo clube.
A projeção inicial do Bahia era significativamente mais otimista. Caso todas as metas contratuais fossem batidas, o tricolor baiano poderia receber até R$ 22 milhões pela transação completa. Esse número representava não apenas a receita da compra obrigatória, mas também possíveis acréscimos previstos no acordo para atingir objetivos secundários e incrementais ao longo da temporada.
Esse modelo de negócio reflete uma aposta calculada do Bahia no desempenho do jogador em um grande clube. O executivo baiano entendia que a exposição no São Paulo, combinada com a oportunidade de jogar num time de maior envergadura, poderia acelerar a evolução de Cauly e, consequentemente, valorizar seu passe no mercado.
Desempenho aquém das expectativas
Cauly está longe de alcançar os números necessários para disparar qualquer uma das metas contratuais. Em sete meses no São Paulo, o meia soma 24 jogos pelo clube, mas só ultrapassou a marca de 45 minutos em apenas 15 oportunidades. O cenário ficou ainda mais crítico quando se observa os últimos quatro meses: nesse período, o jogador entrou em campo apenas quatro vezes.
Minutagem e participação
A análise dos números deixa evidente o distanciamento em relação às metas. Para bater a obrigação de compra, Cauly precisava jogar mais de 45 minutos em 20 partidas. Até agora, atingiu a marca de 45 minutos em apenas 15 das suas 24 participações, o que significa que ainda precisa de cinco jogos dentro dessa régua de minutos. Mais importante: o ritmo de participação despencou drasticamente nos últimos meses, tornando matematicamente difícil, embora ainda possível, atingir o objetivo.
Últimas chances no São Paulo
O jogo mais recente funcionou como um reacendimento da esperança para Cauly. Foi titular na última rodada contra o Palmeiras, pelo Campeonato Brasileiro, mas o São Paulo saiu derrotado por 2 a 0 no confronto. A atuação marcou sua volta ao destaque após longo período longe da bola, mas a derrota reforçou os problemas táticos e ofensivos do time paulista na temporada.
Antes dessa rodada, Cauly havia acumulado meses de ausência das atuações regulares. A falta de continuidade afetou seu ritmo competitivo, sua adaptação ao esquema tático montado pela comissão técnica e sua integração geral ao projeto do São Paulo. Cada semana sem participação tornava mais distante a possibilidade de atingir os patamares de minutos necessários até o fim do contrato de empréstimo.

O pessimismo declarado pelo Bahia
Cadu Santoro, diretor de futebol do Bahia, não deixou margem para esperança em suas declarações públicas. Perguntado diretamente sobre as possibilidades de Cauly alcançar os objetivos contratuais, o executivo respondeu: “Acho que vai ser difícil ele bater a meta, mesmo ainda sendo possível matematicamente”.
A resposta reflete a análise fria dos dados. O Bahia acompanha constantemente todos os seus jogadores emprestados através de um trabalho estruturado de scouting. O clube gera relatórios detalhados sobre o desempenho desses atletas, comparando evolução, minutos disputados, rendimento em campo e perspectivas de atingir as metas acordadas. No caso de Cauly, esses relatórios deixam claro: a probabilidade de sucesso é baixa.
Cadu complementou sua análise explicando a metodologia: “A gente tem como parte do trabalho de scout acompanhar todos os atletas emprestados e gerar relatórios sobre eles. Cauly é um jogador que a gente vem acompanhando, assim como os outros”. Essa vigilância constante posiciona o Bahia para tomar decisões rápidas caso a situação se materialize conforme suas projeções.
Planos para 2027
A fala de Cadu Santoro traça um caminho claro para o próximo ano. Se Cauly não atingir as metas contratuais até o final do empréstimo, o jogador se reapresentará ao Bahia no início de 2027, quando a temporada do Brasileirão recomeça. Nesse momento, o tricolor baiano e o próprio jogador terão de debater o próximo passo da carreira dele.
O executivo foi direto sobre o cenário: “Se ele não bater a meta, se reapresenta aqui na próxima temporada e aí vamos debater o que vai acontecer com ele”. A declaração indica que o Bahia está preparado para receber Cauly de volta e que essa volta não é vista como um fracasso, mas sim como um resultado esperado de uma negociação de risco.
Isso não significa, porém, que todas as portas estejam fechadas para o meia. O Bahia afirmou estar aberto a receber propostas de compra de Cauly, caso outras equipes se interessem antes de 2027. Rogério Ceni, treinador do Bahia, ainda não foi consultado sobre eventuais negociações futuras, conforme admitiu Cadu Santoro. Mas a posição do técnico já é conhecida: Ceni havia criticado a saída do meia no momento do empréstimo, sinalizando que gostaria de contar com o jogador nas suas opções de meio-campo.
O histórico de Cauly no Bahia
Compreender o caso de Cauly exige olhar para trás. O meia chegou ao Bahia em 2023 com contrato inicial até dezembro de 2026. No início de 2024, quando o Palmeiras demonstrou interesse público no jogador, o tricolor baiano optou por renovar o vínculo até dezembro de 2028. A decisão refletia a confiança da comissão técnica e da diretoria no potencial do atleta.
Essa renovação deixa evidente que o Bahia sempre viu em Cauly um ativo importante para o futuro. O empréstimo ao São Paulo, portanto, não foi uma cessão por falta de espaço, mas sim uma estratégia de desenvolvimento. A ideia era simples: colocar um jogador jovem e talentoso em um grande clube, permitir que evoluísse competitivamente e, ao mesmo tempo, gerar receita financeira através das metas contratuais. A fórmula não funcionou conforme planejado.
O impacto para o São Paulo
A situação coloca o São Paulo diante de um dilema tático e financeiro. O clube apostou recursos no potencial de Cauly como uma solução para o meio-campo, investindo na sua contratação e na sua integração ao esquema tático. Contudo, a falta de adaptação rápida e de chances continuadas não permitiu que o meia correspondesse às expectativas depositadas no empréstimo.
Replanejamento do setor
Se Cauly realmente se reapresentar ao Bahia em 2027, o São Paulo terá gasto tempo valioso e recursos em um empréstimo que não se concretizou em compra. Isso afeta diretamente o planejamento de investimentos futuros e força a busca por alternativas mais viáveis para fortalecer o meio-campo tricolor na próxima temporada.
O atual momento do São Paulo na temporada também pesa sobre qualquer análise da situação. Com resultados inconsistentes e deficiências técnicas recorrentes, há pouca margem para erros de casting em posições críticas como o meio-campo. A dependência de um jogador em processo de adaptação como Cauly simplesmente não é sustentável em longo prazo, especialmente quando o clube está em busca de recuperação.
Perguntas frequentes
Qual é a meta que Cauly precisa atingir para o São Paulo efetuar a compra?
Cauly precisa disputar mais de 45 minutos em 20 partidas pelo São Paulo para que o clube tenha a obrigação de comprar 50% dos seus direitos por aproximadamente R$ 12 milhões.
Quanto o Bahia projetava receber pela venda de Cauly?
O Bahia projetava receber até R$ 22 milhões se todas as metas fossem batidas, sendo R$ 3 milhões pelo empréstimo e aproximadamente R$ 12 milhões pela compra obrigatória.
O que deve acontecer com Cauly em 2027?
Se Cauly não atingir as metas contratuais, ele se reapresentará ao Bahia no início de 2027, quando a temporada do Brasileirão recomeça, e a diretoria baiana debaterá seu futuro.