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Terceiro uniforme: São Paulo aposta em branco enquanto Série A se reinventa

Em resumo

  • O São Paulo escolheu simplicidade no terceiro uniforme de 2026: branco com detalhes em bordô, posicionando-se contra a ousadia visual dominante.
  • Palmeiras, Corinthians e Santos trilharam caminhos distintos, com homenagens ao Palestra Itália (1916), ao goleiro Tobias (1976) e à temporada de 1997, respectivamente.
  • Dos 18 terceiros uniformes lançados na Série A, a maioria resgata elementos históricos em vez de inventar cores desconexas da identidade de cada clube.
  • O terceiro uniforme cumpre função prática além de estética: resolve conflitos visuais em transmissões e oferece variedade ao longo de um calendário apretado.

O terceiro uniforme virou uma instituição no futebol brasileiro de alto rendimento. Praticamente todos os 20 clubes da Série A já lançaram sua alternativa para a temporada de 2026. As exceções são apenas Vitória e Chapecoense, que ainda guardam seus terceiros uniformes. O resultado é um catálogo impressionante de 18 modelos diferentes, cada um refletindo decisões estratégicas sobre design, história e identidade de marca para o público torcedor.

O uniforme do São Paulo

Simplicidade e elegância em branco

O São Paulo optou pela discrição num momento em que muitos clubes escolhem a ousadia. Seu terceiro uniforme é predominantemente branco com detalhes em bordô nas golas e punhos. Longe dos grafismos audaciosos e das cores vibrantes que dominam a temporada, a camisa tricolor abraça uma estética de sobriedade e elegância contida. A escolha reflete uma filosofia diferente: de que nem sempre o impacto visual depende de cores explosivas ou desenhos complexos.

Estreia discreta contra o Coritiba

O time usou o modelo pela primeira vez no empate por 1 a 1 contra o Coritiba, no Morumbis, pelo Campeonato Brasileiro. Uma apresentação sem alarde, compatível com a austeridade visual da peça. O branco da camisa oferecia contraste claro contra o uniforme tradicional coritibano, resolvendo de imediato a questão funcional que leva os clubes a precisarem de terceiros uniformes.

Os paulistas em confronto

Caminhos radicalmente diferentes para Palmeiras, Corinthians e Santos

Os três grandes paulistas fizeram escolhas radicalmente diferentes para seus terceiros uniformes. O Palmeiras lançou um uniforme azul que homenageia as raízes italianas do clube e marca os 20 anos da conquista da Itália na Copa do Mundo de 2006. A peça traz a Cruz de Savoia, o mesmo escudo que estava no uniforme do Palestra Itália em 1916, antes de a instituição tomar o nome de Palmeiras. O time estreou o modelo num triunfo de 3 a 0 sobre o Santos nas quartas de final da Copa do Brasil, dando peso simbólico à apresentação.

O Corinthians também escolheu o azul para seu terceiro uniforme, mas a inspiração vem de um período específico da história da instituição: 1976. A camisa faz referência ao modelo usado pelo ex-goleiro Tobias, falecido em 2024, cuja lenda foi selada na semifinal do Campeonato Brasileiro daquele ano, quando defendeu duas cobranças de pênalti do Fluminense durante a histórica invasão corintiana no Maracanã.

O Santos escolheu um rumo totalmente diferente. O time optou pelo preto para homenagear a temporada de 1997, quando conquistou o Torneio Rio-São Paulo contra o Flamengo num período de grande relevância para o clube. O escudo estampado na camisa também remete àquele período, criando uma ponte entre o presente e um passado recente mas significativo.

A breathtaking view of São Paulo's skyline at dusk, featuring vibrant pink and orange clouds.

As tendências da temporada

Resgate histórico vence sobre inovação radical

Analisando os 18 uniformes lançados até agora, um padrão emerge com clareza: a maioria absoluta dos clubes busca elementos históricos ou símbolos significativos da própria trajetória em vez de inventar cores completamente novas ou desconexas de sua identidade. O resgate histórico predomina sobre a inovação radical. Isso não significa que os clubes sejam conservadores — muitos dos terceiros uniformes apresentam designs sofisticados e bem executados —, mas que as cores e conceitos geralmente ancoram em algum ponto relevante da história do clube.

Cores e homenagens especiais

  • Flamengo: vermelho em tom significativamente mais claro que o rubro-negro tradicional, complementado com grafismos do escudo estampados em direções contrárias, criando uma composição visual dinâmica
  • Vasco: amarelo, cor que remete às velas das embarcações que fazem parte dos códigos históricos do clube, incluindo uma imagem da caravela cruzmaltina como elemento central
  • Fluminense: verde escuro com detalhes em bege e gola polo, exibindo o antigo escudo do clube em tons de bege vazado, remetendo a períodos anteriores da instituição
  • Botafogo: preto com elementos que fazem referência à fundação do clube e sua tradição centenária em esportes náuticos, incluindo o escudo tradicional e um selo comemorativo na nuca
  • Atlético-MG: laranja, em alusão direta à festa efusiva dos torcedores na chegada do ônibus à MRV Arena, celebração conhecida como “Rua de Fogo”
  • Cruzeiro: branco com detalhes em azul e amarelo nas mangas e ombro, exibindo as cinco estrelas do cruzeiro e o mapa do Brasil nas costas em posição de destaque

Aniversários maiores e conceitos diferenciados

O Internacional marca 20 anos do Mundial de 2006 com um uniforme em tons variados de vermelho que traz o grafismo de um dragão japonês. Próximo à gola há uma inscrição com as coordenadas geográficas do estádio de Yokohama, local da final contra o Barcelona, transformando a camisa numa verdadeira homenagem cartográfica. O Grêmio celebra os 30 anos da tríplice coroa de 1996, quando conquistou o Campeonato Gaúcho, a Recopa Sul-Americana e o Campeonato Brasileiro no mesmo ano. O distintivo aparece em dourado na camisa azul, e na parte superior das costas os números 4, 6 e 12 fazem alusão aos meses de abril, junho e dezembro, respectivamente as datas das três conquistas.

O Bahia apresentou um conceito diferente, resultado de uma parceria com a Federação Indígena das Nações Pataxó e Tupinambá do Extremo Sul da Bahia. A camisa foi confeccionada sob o conceito “O Brasil sempre esteve aqui”, combinando azul e dourado como cores principais. O time venceu o Remo por 2 a 1 na partida de estreia do uniforme, pelo Campeonato Brasileiro.

O Athletico-PR apostou num uniforme predominantemente preto com detalhes em vermelho inspirados nos ventos de um furacão, reforçando a identidade visual que o clube vem construindo nos últimos anos. O Coritiba optou por uma homenagem ao artista curitibano Poty Lazzarotto, desenhista, gravurista, ilustrador e muralista de renome. As costas da camisa apresentam os nomes e números dos jogadores numa fonte tipográfica especial, inspirada nos traços característicos do artista.

Funcionalidade além da estética

O calendário apretado do futebol brasileiro transforma esses uniformes numa questão funcional além de meramente visual. Com partidas frequentes entre adversários que utilizam cores semelhantes, complementares ou que criariam conflitos visuais em transmissões, ter três opções de camisa é necessário do ponto de vista prático. O terceiro uniforme resolve conflitos de cor com oponentes, oferece variedade visual ao torcedor ao longo de uma temporada extensa, e permite que cada clube apresente sua identidade de múltiplas formas. Para um país com tantos times de cores semelhantes, essa funcionalidade é tão importante quanto a estética.

Os demais clubes da Série A

O Bragantino escolheu a cor vinho com detalhes em preto, num tributo explícito às categorias de base do clube. O Mirassol, disputando pela primeira vez a Libertadores, lançou uma camisa verde com detalhes dourados que homenageia Pelé. A peça traz o logo do Rei do Futebol com a silhueta de sua icônica comemoração com o soco no ar, transformando a homenagem num elemento visual direto. O Remo apresentou um uniforme vermelho em alusão à bandeira do estado do Pará. O design incorpora grafismos inspirados na cultura marajoara e na tradicional cerâmica de Icoaraci, em Belém. A camisa traz ainda texturas com as palavras “ribeirinhos”, “Remo” e “Orgulho do Norte”, criando uma composição que enraíza o clube na identidade regional.

O debate permanente

A profusão de terceiros uniformes reflete uma tendência consolidada: a produção de alternativas cada vez mais ousadas e esteticamente calculadas para capturar a atenção dos torcedores. Alguns clubes assumem riscos consideráveis com cores inusitadas ou conceitos ousados. Outros, como o São Paulo, apostam na elegância contida da simplicidade, convictos de que o refinamento também atrai. Ambas as estratégias encontram espaço e justificativa numa temporada que está apenas começando e já oferece 18 opções diferentes para análise e debate.

Qual modelo representa melhor a identidade do seu clube? Qual combina história, design e impacto visual de forma mais equilibrada? Com uma temporada longa pela frente, os torcedores ainda têm tempo para formar opinião robusta sobre essas peças e para votar no terceiro uniforme mais bonito do futebol brasileiro em 2026.

Perguntas frequentes

Qual é o terceiro uniforme do São Paulo em 2026?

O uniforme do São Paulo é predominantemente branco com detalhes em bordô nas golas e punhos. O time estreou o modelo no empate de 1 a 1 contra o Coritiba, no Morumbis, pelo Campeonato Brasileiro.

Como os outros grandes paulistas escolheram seus terceiros uniformes?

O Palmeiras lançou um azul em homenagem aos 20 anos da Itália de 2006 com a Cruz de Savoia, o Corinthians escolheu azul referenciando o goleiro Tobias de 1976, e o Santos optou por preto remetendo ao Torneio Rio-São Paulo de 1997.

Quantos clubes da Série A apresentaram terceiros uniformes em 2026?

Dezoito dos vinte clubes da Série A já lançaram seus terceiros uniformes para 2026. As exceções são Vitória e Chapecoense, que ainda não apresentaram seus terceiros modelos.

Written by
Eduardo Pacheco

Eduardo Pacheco escreve sobre a história centenária do São Paulo — títulos, ídolos e os momentos que marcaram o clube desde a fundação até os tricampeonatos mundiais e continentais dos anos 1990.