Em resumo
- São Paulo pagará aproximadamente R$ 3,7 milhões de multa para rescindir com a Feng, valor bem menor que os R$ 40 milhões divulgados na mídia.
- A Ticketmaster oferecerá ao clube R$ 110 milhões em antecipação mais R$ 30 milhões adicionais em troca da gestão de ingressos e sócio-torcedor.
- O Conselho Deliberativo votará o contrato com a Ticketmaster nesta quarta-feira, e a aprovação iniciará os 180 dias de aviso prévio à Feng.
O São Paulo vai precisar desembolsar uma quantia significativa para rescindir o contrato com a Feng, empresa que administra o programa de sócio-torcedor do clube desde 2021. A rescisão, porém, só vai ocorrer se o Conselho Deliberativo votar a favor da parceria com a Ticketmaster nesta quarta-feira, 2 de outubro. O contrato atual com a Feng prevê multa variável mediante comunicação prévia de seis meses.
A estrutura da multa contratual
De acordo com Erica Duarte, diretora jurídica do São Paulo, o contrato com a Feng permite que qualquer parte encerre a relação antecipadamente, mas exige aviso prévio de 180 dias. Quando o clube comunica a vontade de sair, a empresa continua prestando serviços por mais meio ano, e ao final desse período, a penalidade é calculada sobre o desempenho alcançado. A multa representa 15% do total arrecadado pelo programa de sócio-torcedor durante esses 180 dias, segundo Erica afirmou ao ge.
Como é calculada a penalidade
O percentual de 15% incide sobre a receita bruta do sócio-torcedor, não sobre estimativas ou projeções. Isso significa que quanto melhor o desempenho do programa durante o período de aviso prévio, maior será a multa que o São Paulo pagará. A diretora jurídica ressaltou que esse mecanismo está explicitamente previsto no documento que ambas as partes assinaram, diferenciando-o de outras penalidades frequentemente encontradas em contratos comerciais.
Por que o período é de seis meses
Os 180 dias de aviso prévio garantem que a Feng tenha tempo para se preparar para a transição ou para tentar buscar alternativas, enquanto continua operando normalmente e recebendo pela prestação de serviços. Essa cláusula é comum em parcerias de longo prazo com empresas especializadas, permitindo que nenhuma das partes seja prejudicada abruptamente.
O valor atual: R$ 3,7 milhões, não R$ 40 milhões
Usando como base os últimos seis meses de operação sob gestão da Feng, o cálculo da multa chega a aproximadamente R$ 3,7 milhões. Erica Duarte deixou claro em sua fala que essa quantia está muito distante dos R$ 40 milhões que vêm sendo divulgados por diversos meios de comunicação. A diferença é gigantesca e reflete, segundo a diretora, um desempenho real do programa que é consideravelmente menor do que rumores e especulações sugeriram.
Por que o número muda com o tempo
O valor de R$ 3,7 milhões não é fixo. Se o desempenho do sócio-torcedor melhorar nos próximos meses, a multa será proporcionalmente maior. Se piorar, será menor. Tudo depende do quanto a Feng arrecadar durante o período de seis meses que se segue à notificação de rescisão. Por isso, é impossível prever com precisão qual será o custo final para o São Paulo, a menos que o clube aguarde esse período inteiro.
A parceria com a Ticketmaster como alternativa
Apesar da multa necessária, o contrato com a Ticketmaster representa uma solução estratégica para as finanças do clube. A empresa americana de ticketing assumiria a gestão de ingressos do Morumbis e, simultaneamente, absorveria as funções de administração do programa de sócio-torcedor. Esse modelo consolidado em uma única parceria oferece alívio financeiro imediato, algo que o São Paulo necessita urgentemente diante da grave crise financeira que enfrenta.
Os números da Ticketmaster
O contrato prevê uma antecipação de R$ 110 milhões ao São Paulo, que serão devolvidos ao longo de cinco anos com juros de 1,99% acrescidos da taxa CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Adicionalmente, o clube receberá R$ 30 milhões de forma imediata em troca da concessão do camarote 29A do Morumbis por um período de cinco anos. O total de recursos que chegariam aos cofres tricolores seria de R$ 140 milhões.
O impacto na receita do clube
Essa injeção de capital representa uma mudança significativa para um clube que enfrenta dificuldades orçamentárias. A combinação entre o empréstimo de R$ 110 milhões e os R$ 30 milhões adicionais forneceria folga imediata para cumprir obrigações financeiras, enquanto a gestão integrada com a Ticketmaster poderia elevar os lucros futuros do programa de sócio-torcedor através de uma operação mais eficiente.
Como funciona a remuneração da Ticketmaster
Os R$ 30 milhões que o clube recebe pela cedência do camarote 29A refletem o entendimento de que esse espaço, durante cinco anos, gerará receita para a empresa. O camarote é um ativo valioso dentro de um estádio como o Morumbis, especialmente para fins corporativos. A Ticketmaster pagará esse valor hoje em troca do direito de explorar economicamente esse espaço durante o período acordado.
Quanto ao empréstimo de R$ 110 milhões, o custo financeiro para o São Paulo é reduzido: 1,99% de juros mais CDI. Essa taxa é considerada competitiva no mercado, levando em consideração o cenário econômico brasileiro e o histórico de crédito de um clube de futebol. O parcelamento em cinco anos distribui a devolução ao longo de um período razoável, evitando que uma grande parcela seja exigida de uma só vez.
O processo de votação no Conselho
Antes de qualquer rescisão com a Feng se efetive, o contrato com a Ticketmaster precisa ser aprovado pelo Conselho Deliberativo do São Paulo. A votação começou na terça-feira à noite e se estende até às 17h desta quarta-feira, 2 de outubro. Apenas com o aval dos conselheiros é que o clube terá a segurança jurídica para notificar a Feng sobre a intenção de rescindir, iniciando a contagem dos 180 dias de aviso prévio.
A urgência da decisão
A votação express, concentrada em menos de 24 horas, reflete a prioridade que a administração do São Paulo atribui ao fechamento desse acordo. A situação financeira do clube não permite dilações, e cada dia de espera para acessar os recursos representa um custo de oportunidade. Os conselheiros enfrentam uma decisão que, se aprovada, transformaria significativamente a estrutura de receitas do clube.
O que muda após a aprovação
Se o Conselho votar positivamente, o primeiro passo será a notificação formal da Feng. A partir daí, começam a contar os 180 dias. Durante esse período, o sócio-torcedor continuará sendo gerenciado pela Feng, que seguirá recebendo suas comissões normalmente. O São Paulo, simultaneamente, iniciará a transição operacional com a Ticketmaster para garantir que o novo sistema esteja pronto quando o período de seis meses se encerrar.
Essa sobreposição é fundamental para evitar interrupções no programa, mantendo os benefícios oferecidos aos sócios-torcedores e garantindo uma experiência contínua de compra de ingressos e acesso a conteúdo exclusivo. A transição precisa ser suave para que o São Paulo não perca receita durante o processo.
Fonte: ge > são paulo
Perguntas frequentes
Qual é o valor exato da multa que o São Paulo pagará à Feng?
Conforme Erica Duerta, diretora jurídica do São Paulo, o valor é de aproximadamente R$ 3,7 milhões, calculado sobre a arrecadação dos últimos 180 dias. Esse número pode variar para cima ou para baixo conforme o desempenho futuro do programa durante o período de aviso prévio.
Por quanto tempo a Feng continuará administrando o sócio-torcedor após o aviso de rescisão?
Por 180 dias, ou seis meses. O contrato prevê esse período de aviso prévio obrigatório, durante o qual a Feng seguirá prestando serviços normalmente enquanto o São Paulo realiza a transição para a Ticketmaster.
Quanto o São Paulo receberá do contrato com a Ticketmaster?
Um total de R$ 140 milhões: R$ 110 milhões em antecipação (que serão devolvidos em cinco anos com juros de 1,99% mais CDI) e R$ 30 milhões adicionais pela concessão do camarote 29A do Morumbis durante cinco anos.