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Críticas de técnicos ao CT da Barra Funda expõem falta de estrutura

Em resumo

  • Dorival Júnior criticou o estado dos três gramados do CT da Barra Funda após vitória sobre Vitória, relacionando as más condições ao número de lesões no elenco.
  • Hernán Crespo em 2021 e Rogério Ceni em 2022 também denunciaram problemas na infraestrutura, com registros de mais de 30 lesões e deficiências básicas como falta de água na piscina.
  • Crespo criticou as condições do CT de Cotia em janeiro de 2026, onde gramados esburacados forçaram apenas três dias de permanência da equipe.
  • Atualmente, seis jogadores estão no departamento médico do São Paulo, reflexo direto da falta de segurança nos gramados disponíveis para treino.

Dorival Júnior não é o primeiro técnico do São Paulo a denunciar problemas na infraestrutura do CT da Barra Funda. Depois da vitória 2×1 sobre o Vitória, o treinador reclamou publicamente dos campos do complexo, relacionando as más condições ao volume de lesões no elenco. Esse padrão se repete há anos na casa tricolor, com técnicos sucessivos apontando as mesmas falhas.

Um Problema Que Persiste Há Anos

Hernán Crespo: A Primeira Denúncia

Hernán Crespo foi o pioneiro em expor a falta de estrutura entre os técnicos recentes. Em 2021, durante sua primeira passagem, o argentino criticou as condições oferecidas aos jogadores e cobrou melhorias explícitas. Naquela temporada, o elenco acumulou mais de 30 lesões, um volume que Crespo associou diretamente ao estado das instalações.

“É uma situação que vou conviver por muito tempo. Se chegamos a 33 lesões, quero dizer que estamos em um momento de reconstrução. Com certeza vamos tomar decisões no futuro para mudar, construir. Não só a nível técnico, mas de estrutura”, declarou na época. Suas palavras deixavam claro que as falhas afetavam não apenas o conforto, mas a saúde física dos atletas.

Rogério Ceni e o Improviso Básico

Um ano depois, Rogério Ceni também desabafou publicamente sobre a infraestrutura do CT. O ídolo do clube fez críticas duras à organização e às instalações disponíveis, destacando deficiências que iam além do futebol.

“Quando cheguei, não tinha água na piscina, só mesas e cadeiras. Então, eu sou o chato que pediu para colocar água na piscina”, afirmou em fevereiro de 2022. A declaração caricaturava, mas com precisão, o nível de abandono que Ceni encontrou. Suas cobranças geraram desgaste interno, mas o treinador manteve sua posição de que melhorias beneficiavam o clube como um todo, facilitando a recuperação de atletas e seu retorno mais rápido ao campo.

Dorival Sobe o Tom: O Diagnóstico Atual

Agora é Dorival Júnior quem torna pública a insatisfação com os gramados. Após a vitória sobre o Vitória, o treinador descreveu com detalhes o cenário que enfrenta diariamente.

“Hoje temos três campos e nenhum deles em condições de estarmos em cima desse campo. Estamos improvisando de toda maneira para dar sequência aos treinamentos. Na minha opinião, vêm acontecendo algumas lesões até em relação a isso, o que vem sobrecarregando o trabalho. Pisos muito duros, outros muito molhados, alguns jogadores perdendo aceleração, frenagem e, de repente, provocando lesões”, explicou.

Ao nomear três campos e declarar que nenhum atende os padrões, Dorival reforça que o problema não é uma falha isolada, mas um colapso na infraestrutura do complexo.

O Estado Real dos Gramados

O contexto que Dorival enfrenta é bem específico. Depois da Copa do Mundo, o campo principal do CT da Barra Funda necessitou de reparos, saindo de circulação. O segundo gramado, recentemente reformado, ainda exigia cuidados para evitar sobrecarga nos jogadores durante os trabalhos.

Com apenas um campo plenamente seguro mas com restrições, a maior parte dos treinamentos concentrou-se no terceiro gramado, que apresenta maior desgaste. Esse cenário força a equipe a treinar numa superfície comprometida, multiplicando o risco de lesões. Atualmente, seis jogadores estão no departamento médico do clube, um número que reflete o custo prático dessa situação.

Críticas Que Se Ampliam: Cotia e Seus Problemas

O CT de Cotia: Três Dias de Desaprovação

O problema não ficou restrito ao CT da Barra Funda. Em janeiro deste ano, Crespo já em sua segunda passagem pelo São Paulo, demonstrou insatisfação com as condições do CT de Cotia, onde a equipe realizou parte da pré-temporada.

Os gramados estavam esburacados e as instalações danificadas. Essas condições forçaram apenas três dias de permanência no complexo, antecipando o retorno à Barra Funda para conclusão da preparação. Tanto Crespo quanto lideranças do elenco desaprovaram o encontrado. A ampliação das reclamações para um segundo CT sugere que se trata de um problema estrutural mais amplo, envolvendo falta de manutenção ou investimento contínuo em reformas.

Treinar Sem Segurança: O Improviso Diário

O que Dorival chama de improviso é a gestão forçada de uma crise. Sem opções adequadas, o clube adapta os trabalhos às superfícies disponíveis, independentemente da qualidade oferecida.

Pisos muito duros causam impacto excessivo nas articulações e aumentam risco de contusões. Campos molhados comprometem a tração, elevando o risco de distensões e entorses. Jogadores perdem confiança na aceleração e frenagem, movimentos que dependem de um solo estável e responsivo. Justamente ali lesões se concretizam.

Esse quadro afeta não apenas a segurança física, mas a qualidade do trabalho tático. Um técnico não consegue implementar esquemas que exigem mudanças de direção abruptas ou velocidade máxima quando o terreno não oferece segurança. O treinamento se reduz a versões funcionais, mas drasticamente limitadas.

A Trajetória do CT: De Referência ao Compromisso

O CT da Barra Funda, inaugurado em 1988, representou um salto em qualidade para o futebol brasileiro daquela época. A modernidade era indiscutível. Décadas depois, porém, o envelhecimento combinado com falta de reinvestimento contínuo transformou o complexo de referência em ponto de preocupação persistente.

A paciência tem limite. Cada técnico que chega enfrenta os mesmos dilemas e, tarde ou cedo, os torna públicos. Quando lesões acumulam e a tabela sente as ausências dos atletas, o silêncio deixa de ser uma opção.

Fonte: ge > são paulo

Perguntas frequentes

Quais técnicos do São Paulo criticaram o CT da Barra Funda?

Hernán Crespo, Rogério Ceni e Dorival Júnior criticaram a infraestrutura do CT. Crespo em 2021 associou as más condições aos 30+ lesões daquele ano, Ceni em fevereiro de 2022 criticou a falta de água na piscina, e Dorival em 2026 afirmou que nenhum dos três gramados está em condições adequadas.

Como as condições dos gramados afetam o treinamento?

Segundo Dorival, pisos muito duros causam impacto excessivo, campos molhados comprometem a tração, e jogadores perdem aceleração e frenagem. Isso sobrecarrega o trabalho e contribui para lesões, forçando a equipe a improvisar em superfícies inadequadas.

Quantos jogadores estão lesionados atualmente no São Paulo?

Atualmente, seis jogadores estão no departamento médico do São Paulo, reflexo das más condições dos gramados do CT da Barra Funda e da concentração forçada de treinamentos num único campo com maior desgaste.

Written by
Júlia Matarazzo

Júlia Matarazzo cobre a torcida e a cultura tricolor — organizadas, clássicos contra Corinthians, Palmeiras e Santos, e o que significa ser são-paulino dentro e fora do Morumbi.