Em resumo
- Dorival Júnior reclamou que nenhum dos três campos do CT está em condições adequadas, com pisos duros e molhados causando lesões.
- Hernán Crespo criticou a estrutura em 2021 com mais de 30 lesões registradas, e novamente em janeiro de 2026 ao encontrar o CT de Cotia com gramados esburacados.
- Rogério Ceni também cobrou melhorias em 2022, encontrando a piscina sem água e instalações precárias.
- Com Lucas Moura em campo após 160 dias afastado, o aproveitamento na Libertadores sobe para 66,7%, enquanto sem ele cai para 38,2%.
A reclamação de Dorival Júnior após a vitória do São Paulo contra o Vitória, na 30ª rodada do Brasileirão, trouxe novamente à tona um problema que o clube não consegue resolver há anos: a infraestrutura precária do Centro de Treinamento da Barra Funda. De acordo com ge > são paulo, o treinador afirmou que nenhum dos três gramados disponíveis está em condições adequadas de treino, e relacionou essa situação ao número de lesões no elenco, que atualmente contabiliza seis jogadores no departamento médico.
Uma reclamação recorrente na história do clube
Desde a inauguração do CT da Barra Funda em 1988, quando o complexo era referência de modernidade no futebol brasileiro, a infraestrutura vem acumulando críticas públicas de diferentes técnicos ao longo dos anos. A falta de investimento consistente em manutenção e modernização transformou um espaço que já foi modelo em alvo constante de reclamações e preocupações.
Hernán Crespo e a primeira luta por mudanças
O diagnóstico alarmante de 2021
Hernán Crespo foi um dos primeiros técnicos do São Paulo a expor publicamente essa questão. Em sua primeira passagem pelo clube, em 2021, o argentino não apenas criticou a infraestrutura oferecida aos jogadores, como também cobrou melhorias diretas da administração. Naquela temporada, segundo o ge > são paulo, o clube registrou mais de 30 lesões, número que alarmou toda a comissão técnica e levou a discussões sobre as causas do alto índice de problemas físicos.
Nas declarações que fez na época, Crespo reconheceu que se tratava de um problema estrutural de longo prazo que não seria resolvido rapidamente. “É uma situação que vou conviver por muito tempo. Se chegamos a 33 lesões, quero dizer que estamos em um momento de reconstrução. Com certeza vamos tomar decisões no futuro para mudar, construir. Não só a nível técnico, mas de estrutura”, declarou o técnico. Ao ser indagado sobre quando essas melhorias viriam, Crespo foi realista: “Não vai acontecer hoje, porque há muito tempo o São Paulo precisa melhorar essa estrutura.”
A desilusão na segunda passagem
Quatro anos se passaram. Quando Crespo retornou ao clube em sua segunda passagem, em 2026, o cenário não havia mudado substancialmente. Em janeiro de 2026, durante o período de pré-temporada, a delegação foi deslocada para o CT de Cotia, onde encontrou condições ainda piores do que as enfrentadas na primeira oportunidade. De acordo com ge > são paulo, gramados esburacados e instalações danificadas no complexo fizeram com que o elenco permanecesse apenas três dias no local antes de decidir antecipar o retorno à Barra Funda para concluir a preparação. As condições encontradas em Cotia desagradaram tanto ao técnico quanto às principais lideranças do elenco.
Rogério Ceni: cobranças públicas que geraram desgaste
O inventário de deficiências
No ano seguinte à primeira passagem de Crespo, quem subiu o tom foi Rogério Ceni. O ídolo do clube fez críticas significativamente duras à organização interna e à infraestrutura geral do CT da Barra Funda. Em fevereiro de 2022, durante entrevista coletiva, Ceni fez um desabafo público sobre as deficiências que encontrou no complexo.
“Eu conheço os porteiros que estão no CT há 20 anos, os seguranças, pessoal da cozinha, trato todo mundo bem, faço o melhor por todos. Agora, tem departamentos que a gente precisa melhorar mesmo. Quando cheguei, não tinha água na piscina, só mesas e cadeiras. Então, eu sou o chato que pediu para colocar água na piscina”, disse Ceni, conforme registrado pelo ge > são paulo.
A defesa das críticas
As declarações do ex-goleiro geraram desgaste interno no clube. Posteriormente, Ceni explicou que suas cobranças tinham como objetivo único e exclusivo melhorar as condições de trabalho disponíveis aos jogadores e acelerar o processo de recuperação após lesões. “O clube atravessa problemas sérios. Penso em gerar o que há de melhor pro clube, tentar fazer com que o atleta fique até mais tarde, disponibilizar condições para que o atleta volte mais rápido pro campo. Talvez eu incomode um pouco esses departamentos. Eu acho que é uma coisa pro bem do clube, mas entendo que uma pessoa ou outra possa se sentir insatisfeita”, afirmou Ceni à época, segundo o ge > são paulo.
A situação atual sob comando de Dorival
Dorival Júnior chegou ao São Paulo em 2024 e rapidamente se viu confrontado com o mesmo problema estrutural que havia afetado seus antecessores no cargo. Depois da Copa do Mundo, o campo principal do CT da Barra Funda precisou passar por reparos significativos. Um dos outros dois gramados disponíveis havia sido reformado recentemente, porém ainda exigia cuidados especiais para evitar sobrecarga e novos danos.
Com essa situação, a maior parte dos treinamentos da delegação passou a ser realizada no terceiro campo, que apresenta maior desgaste em relação aos outros dois e gera preocupação interna quanto aos riscos de lesões aos jogadores. O técnico não escondeu sua frustração ao falar sobre a situação em entrevista coletiva.
“Hoje temos três campos e nenhum deles em condições de estarmos em cima desse campo. Estamos improvisando de toda maneira para dar sequência aos treinamentos. Na minha opinião, vêm acontecendo algumas lesões até em relação a isso, o que vem sobrecarregando o trabalho. Pisos muito duros, outros muito molhados, alguns jogadores perdendo aceleração, frenagem e, de repente, provocando lesões”, declarou Dorival, de acordo com ge > são paulo.
O técnico destacou que o improviso afeta tanto a qualidade técnica do trabalho realizado quanto a integridade física dos atletas sob sua responsabilidade. O cenário atual obrigou a comissão técnica a improvisar completamente as rotinas de trabalho em um único campo que está longe de ser adequado para um time de elite, enquanto dois outros estão inutilizáveis para treinamentos de qualidade competitiva.
O reflexo direto nas lesões e no desempenho em campo
O retorno recente de Lucas Moura após 160 dias lesionado ofereceu um exemplo concreto e mensurável do impacto que as condições do CT têm no desempenho geral da equipe. Segundo o ge > são paulo, o aproveitamento do São Paulo na Libertadores com Lucas em campo sobe para 66,7% na temporada, enquanto sem o jogador esse índice cai para 38,2%. A lesão prolongada do meia-atacante, assim como a de outros integrantes importantes do elenco, pode estar diretamente relacionada às deficiências crônicas na infraestrutura de treinamento.
Atualmente, o departamento médico do São Paulo conta com seis jogadores em recuperação de lesões, um número que ilustra claramente a dimensão do problema. A reclamação de Dorival, portanto, não se restringe a uma questão de conforto ou de estrutura administrativa, mas toca em algo fundamental para qualquer clube: a saúde e o desempenho dos atletas que representam a instituição.
Fonte: ge > são paulo
Perguntas frequentes
Por que Dorival criticou os campos do CT da Barra Funda?
Dorival afirmou que nenhum dos três gramados está em condições adequadas de treino, com pisos muito duros ou muito molhados, causando lesões nos jogadores e obrigando a comissão técnica a improvisar nos treinamentos.
Outras técnicos já haviam reclamado da estrutura do CT?
Sim. Hernán Crespo reclamou em 2021, quando o São Paulo registrou mais de 30 lesões, e novamente em janeiro de 2026. Rogério Ceni também criticou em fevereiro de 2022, encontrando a piscina sem água e instalações danificadas.
Qual é o impacto das condições do CT no desempenho do time?
Com Lucas Moura em campo, após retornar de 160 dias lesionado, o aproveitamento na Libertadores sobe para 66,7%, enquanto sem ele cai para 38,2%, mostrando que as lesões relacionadas às condições do CT afetam diretamente o desempenho.