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Dorival cobra reorganização interna após São Paulo cair para Santos

Em resumo

  • São Paulo perdeu 1 a 2 para o Santos no Morumbis e permanece em 11º lugar com 36 pontos, dez atrás do Bahia, primeiro do G-5 da Libertadores.
  • Dorival Júnior qualificou o momento do clube como 'inexplicável' e reconheceu ineficiência ofensiva apesar da criatividade tática.
  • O técnico cobrou reorganização interna e unidade entre os são-paulinos como pré-requisito para o clube 'voltar a ser gigante'.
  • São Paulo enfrenta o Cruzeiro na quarta-feira no Mineirão com cinco jogadores apresentando problemas físicos.

O São Paulo começou melhor e saiu na frente no clássico contra o Santos, mas a falta de capitalização ofensiva e os erros defensivos custaram caro. Voltando à condição de mandante no Morumbis, o Tricolor perdeu 1 a 2 para o Santos na sexta-feira, permanecendo na 11ª colocação do Brasileirão com 36 pontos. Luciano abriu o placar para o time de Dorival Júnior no primeiro tempo, marcando seu segundo gol na competição, mas dois gols de Gabigol na segunda metade viraram a partida a favor dos santistas. A atuação de Toloi, zagueiro tricolor, merece menção especial pelas falhas que resultaram em ambos os gols do adversário — o primeiro numa saída precipitada e o segundo num duelo perdido de forma bizarra. A derrota em um clássico paulista em casa interrompeu qualquer esperança de ascensão na tabela. Pior: a distância para a zona de Libertadores também se ampliou: o Bahia, primeiro colocado do G-5 garantido da competição continental, está dez pontos à frente da atual posição tricolor.

O diagnóstico de Dorival sobre o momento

Após o apito final, o técnico Dorival Júnior foi direto ao ponto ao descrever a situação do clube. Utilizou o termo “inexplicável” para caracterizar o que vem acontecendo com o São Paulo em muitos momentos — uma palavra que resume tanto a fragilidade defensiva quanto a inconstância de um time que ainda no início da temporada brigava pela liderança do Brasileirão. Para Dorival, esse aspecto inexplicável acaba por mascarar o trabalho técnico realizado em campo, apagando muitas das ações positivas que o time consegue executar durante os 90 minutos.

A questão da eficiência ofensiva

Um dos pontos mais aguçados da crítica do técnico foi a ineficiência ofensiva. Segundo Dorival, o São Paulo criou oportunidades suficientes para vencer a partida e merecia colher frutos mais expressivos pelo que apresentou tacticamente. Porém, a precisão no momento de definição (quando se trata apenas de converter em gol as chances criadas) tem sido o calcanhar de Aquiles tricolor. O treinador chegou a afirmar que ficaria feliz se conseguisse transformar toda essa produção em gols proporcionais ao merecimento técnico da equipe. A desconexão entre o volume de jogo e o resultado final é, talvez, o aspecto que mais frustra a comissão técnica.

O paradoxo de explicar o inexplicável

Ao reconhecer que o São Paulo e sua comissão estão “aqui tentando explicar o inexplicável”, Dorival sintetiza a frustração de um processo que não converte esforço em resultado. A desconexão entre o trabalho realizado em treinamentos e a performance nos jogos finais sugere que há algo além de uma simples questão de tática ou execução. Há um desajuste emocional, possivelmente psicológico, que afeta toda a dinâmica do elenco. É o tipo de crise que não se resolve apenas trocando jogadores ou ajustando esquemas.

Responsabilidade e transparência da comissão técnica

Dorival não buscou se esquivar da responsabilidade pelos resultados. O técnico deixou claro que tem plena consciência das dificuldades que encontrou ao chegar ao São Paulo e que já estava ciente do cenário instável quando aceitou o desafio. Reconheceu ainda que a diretoria possui liberdade total para avaliar seu trabalho conforme julgar conveniente, sem qualquer restrição. No entanto, pontuou um argumento que pode ecoar nos bastidores: os resultados do Brasileirão talvez não representem adequadamente o nível de dedicação e entrega que a comissão técnica oferece no dia a dia do clube, nos treinamentos e nas preparações de jogo. A implicação é clara: se a diretoria avaliar apenas números, pode estar cometendo um erro.

O apelo estrutural: reorganização interna do clube

Dorival foi além das análises tácticas convencionais. Sua crítica mais contundente foi dirigida aos processos internos do clube e à necessidade de reorganização profunda para que o São Paulo volte a ocupar uma posição de verdadeiro protagonismo no futebol mundial. Isto não se trata apenas de trocar jogadores ou sistemas, mas de uma mudança de mentalidade institucional que envolve gente em múltiplas camadas da organização. O técnico reconhece que o problema não é exclusivamente de 11 pessoas dentro de campo.

O sacrifício pessoal como pré-requisito

De acordo com Dorival, a reorganização interna depende fundamentalmente de cada pessoa envolvida no projeto abrir mão de seus interesses pessoais em prol da organização e da dignidade institucional do clube de futebol. Quando isso acontecer, afirma o técnico, o São Paulo dará um passo muito grande em direção à recuperação. A fala deixa implícito que existem conflitos internos que extrapolam o campo, possivelmente envolvendo divergências entre diretoria, comissão técnica, jogadores, conselheiros e até setores da torcida organizada. Sem resolver essas tensões estruturais, nenhuma formação tática consegue funcionar plenamente.

O apelo por unidade em contexto divisivo

Dorival foi além e fez um apelo emocional pelos são-paulinos. Pediu que “todos os são-paulinos de verdade se juntem”, comparando o efeito das divisões políticas e faccionalismos no clube com o que ocorre na sociedade em geral. Para o técnico, essas divisões não têm feito bem para ninguém. Espera que quando houver unidade dentro do São Paulo, quando os conflitos entre grupos internos forem resolvidos e as pessoas priorizarem o coletivo, o clube consiga “voltar a ser gigante”, uma expressão que remete ao passado glorioso do Tricolor como potência continental.

Contexto da eleição de final de ano

O pronunciamento de Dorival ocorre em um momento particularmente sensível para o clube: às vésperas de uma eleição de presidente e diretoria, marcada para o fim de 2026. A composição que sairá dessa votação pode determinar os caminhos institucionais do São Paulo nos próximos anos. As falas do técnico parecem direcionadas tanto à atual gestão quanto aos possíveis candidatos que se movimentam nos bastidores, reforçando que qualquer saída passa obrigatoriamente por consenso e unidade interna. Não há solução técnica pura: há necessidade de liderança política dentro do clube.

Desfalques preocupam para sequência de compromissos

Durante o clássico contra o Santos, cinco jogadores apresentaram problemas físicos em diferentes momentos: o goleiro Rafael, o lateral Iago, o zagueiro Wendell, o meia Danielzinho e o camisa 10 Luciano. Este último, responsável pelo único gol tricolor, permaneceu em campo apesar de sentir dores na virilha, uma situação que reflete as limitações de Dorival naquela fase do jogo, pois o técnico já havia realizado todas as cinco substituições permitidas pelo regulamento. Todos esses atletas são dúvidas importantes para o próximo confronto diante do Cruzeiro, e dependendo de quantos não se recuperarem, pode forçar improvisações ainda mais delicadas.

Cruzeiro no Mineirão com calendário apertado

O São Paulo volta aos gramados na próxima quarta-feira, às 21h30, contra o Cruzeiro no Mineirão, pela 29ª rodada do Brasileirão. Com uma sequência de desfalques potenciais e apenas alguns dias entre as partidas, o Tricolor chega a este confronto em situação delicada. Dorival terá de improvisar e reorganizar a equipe sem os atletas que possam vir a não se recuperar das lesões sofridas contra o Santos, enquanto o Cruzeiro, também em busca de pontos para sair da zona de risco, busca aproveitar a situação. O volume de lesões e o cansaço acumulado provavelmente pautarão as decisões do treinador.

Fonte: ge > são paulo

Perguntas frequentes

Qual foi o resultado de São Paulo x Santos?

O Santos venceu 2 a 1, com Luciano marcando para o São Paulo e Gabigol fazendo dois gols para os santistas.

Qual é a posição do São Paulo na tabela?

O time está em 11º lugar com 36 pontos, dez pontos atrás do Bahia, primeiro colocado do G-5 da Libertadores.

Quando é o próximo jogo do São Paulo?

O próximo compromisso é contra o Cruzeiro no Mineirão na quarta-feira, às 21h30, pela 29ª rodada do Brasileirão.

Written by
Marina Calábria

Marina Calábria é especialista em mercado da bola, cobrindo negociações, valores de contrato e a movimentação de empresários envolvendo o Tricolor Paulista. Já cobriu janelas de transferência na Europa e no Brasil.