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Clube de leitura tricolor esgota vagas em uma semana com 600 interessados

Em resumo

  • Débora França criou o Tricoler com meta inicial de 100 membros, mas recebeu mais de 600 inscrições em menos de uma semana, triplicando as vagas.
  • O projeto foi inspirado pelo Galeitura, clube de livro do Atlético-MG criado pelo meia Gustavo Scarpa, que publica resenhas em seu canal do YouTube.
  • Débora recrutou três coordenadoras para estruturar o crescimento: Vanessa Dias, Camila Machado e Caroline Moraes, cada uma trazendo expertise diferente.
  • O Tricoler funciona com votação mensal de livros no X, leitura em quatro partes semanais e debates nos finais de semana em grupos de WhatsApp.

Débora França, designer de 29 anos, criou há poucos dias uma comunidade que surpreendeu até ela mesma. O Tricoler nasceu como uma ideia modesta, com plano para 100 vagas num grupo de WhatsApp dedicado a discutir um livro por mês entre torcedores do São Paulo. Uma semana depois, porém, mais de 600 pessoas demonstraram interesse em participar. “Pensei que fosse bater umas 15 pessoas, e para mim já era o suficiente. De repente, um turbilhão de notificações, DMs, quase 100 pessoas no formulário no primeiro dia. Fiquei assustada, e as coisas não paravam”, contou ao ge. Diante do crescimento inesperado, Débora triplicou as vagas.

A inspiração vem do rival

O ponto de partida foi uma discussão na rede social X. Débora acompanhava postagens sobre a Bienal do Livro quando se deparou com publicações do Galeitura, clube de leitura criado por torcedoras do Atlético-MG. O projeto surgiu em homenagem ao meia Gustavo Scarpa, após o jogador começar a fazer resenhas de livros em seu canal no YouTube. No X, as meninas do Galeitura estavam relatando ameaças que receberam pela existência do projeto. “Resolvi me inteirar sobre a situação, pois achei um absurdo”, disse Débora. “Nunca imaginei que a discussão sobre violência no futebol acabaria englobando ameaças por um projeto lindo só porque a ideia inicial veio do rival.”

A iniciativa atleticana despertou em Débora vontade de criar algo semelhante para o São Paulo. Ela passou a pesquisar sobre o tema e, em um dos posts, comentou que seria interessante um grupo de leitura para torcedoras tricolores. A ideia começou a amadurecer.

Uma maneira de se reconectar

Distância provocada pela fase atual

Débora saiu do Morumbis após a vitória sobre o Inter com o que descreveu como um gosto amargo. O contexto atual do clube a preocupava. “Costumo interagir bastante em uma comunidade do São Paulo no Reddit, mas a situação atual está desanimando muita gente. Comentamos jogos, mas você nota que está todo mundo cansado. A cada notícia de bastidores dá mais desânimo”, relatou.

Esse sentimento de distanciamento foi determinante. Débora chegou a temer estar perdendo a conexão com o São Paulo, um dos elos mais fortes que mantém com seu pai e a memória dele. Quando olhou para sua estante repleta de livros intocados, decidiu unir duas vontades: retomar o hábito de leitura e reunir torcedores em torno de algo diferente do cotidiano desanimador do clube.

Uma comunidade além do campo

“Juntar os torcedores para conversar sobre algo que não seja sempre as mesmas notícias desastrosas”, sintetizou seu objetivo. Débora sempre acreditou na leitura como ferramenta para criar repertório cultural, social e político. No dia 23 de setembro, criou a conta do Tricoler. Sem muito planejamento, preparou um formulário simples com uma apresentação sincera. “Falei sobre como meu amor pelo São Paulo veio do meu pai e o incentivo à leitura também, e como o objetivo do clube era esse, unir o amor pelo São Paulo e tornar a leitura um hábito saudável.”

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Três coordenadoras para estruturar o crescimento

Vanessa Dias, produtora de conteúdo

Diante da avalanche de inscrições, Débora recrutou três torcedoras para ajudar na organização. Vanessa Dias, 31 anos, reside em Araras e tem formação em Relações Públicas. Trabalha como produtora de conteúdo sobre São Paulo há oito anos. Começou a ler incentivada por sua mãe e foram os livros que a ajudaram a superar a perda dela há 11 anos. No Tricoler, auxilia principalmente na divulgação do projeto.

Camila Machado, curadora literária

Camila Machado, 27 anos, é natural da capital paulista, formada em Letras e ingressou este ano no curso de Biblioteconomia. O contexto atual do São Paulo também a afastou do futebol, mas viu no Tricoler uma oportunidade de retorno. “Apesar de toda decepção com o contexto atual do clube, que gerou um grande afastamento do esporte na minha vida, vi no projeto uma oportunidade. Queria colaborar na curadoria literária para atingir o maior número de torcedores possível e me reaproximar desse clube que tanto amo”, afirmou ao ge.

Caroline Moraes, integradora

Caroline Moraes, 21 anos, cursa Biotecnologia no Rio de Janeiro. Diferentemente das outras coordenadoras, não trabalha em área com ligação direta com o projeto, mas enxerga justamente isso como força do clube. “Unir pessoas diferentes, com histórias e experiências diferentes, que compartilhem o amor pelo São Paulo e pela leitura”, definiu sua visão para o grupo.

Como funciona o Tricoler

O primeiro livro escolhido foi “A Cabeça do Santo”, de Socorro Acioli, e os debates começam a partir de 4 de outubro. A estrutura foi planejada para ser acessível e participativa. A cada mês, os membros sugerem indicações que passam por curadoria da equipe de coordenação. Quatro títulos são selecionados e votados no perfil do clube no X, com resultado divulgado com 15 dias de antecedência.

Após a escolha, cada livro é dividido em quatro partes, uma para cada semana do mês. Aos finais de semana, há horário marcado para discussão da parte lida na semana anterior. No último fim de semana do mês, o debate engloba a obra como um todo. O clube mantém dois grupos de WhatsApp: um aberto para bate-papo geral e outro reservado exclusivamente para os debates semanais. O grupo de debates fica fechado a maior parte do tempo, abrindo-se apenas aos finais de semana para essa finalidade. Quem não conseguir acompanhar pelos aplicativos poderá participar das discussões abertas no X e no Instagram.

A operação do sorteio

Entre os mais de 600 interessados, 300 serão sorteados para participarem dos grupos no WhatsApp. Novas vagas podem ser liberadas posteriormente. O clube planeja fazer moderação para remover membros inativos e abrir espaço para novos participantes. A previsão é incluir meses temáticos com leituras que explorem a história e a cultura do São Paulo de forma específica.

Débora encerra com uma mistura de susto e entusiasmo sobre os rumos do projeto. “Estou assustada, mas ao mesmo tempo empolgada com os rumos que isso pode levar. Acho que só tem coisas positivas a sair de pessoas que se unem para ler. É um movimento de várias torcidas se unindo. Muitos falaram da Galeitura no formulário e como isso os inspirou também a voltarem a ter o hábito ou começar a tê-lo.”, refletiu. O crescimento inesperado do Tricoler evidencia como iniciativas focadas em comunidade e cultura conseguem mobilizar torcedores que se sentem afastados pelo contexto adverso do clube.

Fonte: ge > são paulo

Perguntas frequentes

Como surgiu a ideia do Tricoler?

Débora França foi inspirada pelo Galeitura, clube de leitura do Atlético-MG criado em homenagem ao meia Gustavo Scarpa, ao ver postagens sobre o projeto na rede social X. Ela resolveu criar uma iniciativa semelhante para torcedoras do São Paulo como forma de reunir a comunidade tricolor em torno da leitura.

Quantas pessoas se inscreveram no Tricoler?

Mais de 600 pessoas demonstraram interesse em participar em menos de uma semana. Débora, que inicialmente planejava 100 vagas, triplicou o número. Serão sorteadas 300 pessoas para os grupos do WhatsApp, e novas vagas podem ser liberadas no futuro.

Qual é o primeiro livro e como funcionam os debates?

O primeiro livro escolhido foi "A Cabeça do Santo", de Socorro Acioli, com debates iniciando em 4 de outubro. Cada livro é dividido em quatro partes semanais, com discussões marcadas para os finais de semana. A cada mês, os membros sugerem indicações que passam por curadoria e votação no X.

Written by
Marina Calábria

Marina Calábria é especialista em mercado da bola, cobrindo negociações, valores de contrato e a movimentação de empresários envolvendo o Tricolor Paulista. Já cobriu janelas de transferência na Europa e no Brasil.