Em resumo
- Lucas Moura pensou em se aposentar quando sofreu ruptura total do tendão de Aquiles em maio contra o Bahia, com contrato terminando em dezembro.
- Sua esposa Larissa foi fundamental para mudar sua perspectiva durante a recuperação, transformando incerteza em determinação de trabalho.
- Enquanto se recuperava, exerceu papel de liderança fora de campo, inspirado em Rogério Ceni, ajudando companheiros durante temporada complicada.
- Futuro em aberto: contrato termina em dezembro e aguarda definições políticas do clube para decidir sobre possível renovação.
A ruptura total do tendão de Aquiles direito que Lucas Moura sofreu no início de maio, durante o jogo entre São Paulo e Bahia pelo Brasileirão, desencadeou um processo de recuperação que o fez questionar o futuro profissional. Aos 34 anos, com contrato terminando em dezembro, o meia enfrentou um período de incerteza que começou no vestiário do estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista, momento em que a lesão foi confirmada.
O choque da confirmação e o pensamento de aposentadoria
No vestiário daquele dia de maio, quando a gravidade da lesão foi comunicada, Lucas Moura admitiu que a possibilidade de encerrar a carreira passou por sua mente. Os relatos sobre o tendão de Aquiles apontavam para um período de recuperação de dez meses a um ano, e ele realizou um cálculo simples que o preocupou: se precisasse de um ano para se recuperar, seu contrato já teria expirado. “Na emoção do momento, quando cheguei ao vestiário, confesso que passou pela minha cabeça. Porque, quando confirmou ali, os relatos que ouvimos sobre o tendão de Aquiles são de que demora de dez meses a um ano para voltar. Pensei: ‘Meu contrato acaba em dezembro. Vou estar onde? Vou estar sem clube?’. Vem aquela dúvida”, revelou ao ge.
A cirurgia foi realizada no dia seguinte na capital paulista. Porém, a previsão médica apresentou um cenário mais otimista que os primeiros relatos: seis meses de recuperação em vez de um ano. Ainda assim, o período inicial de afastamento foi marcado por incertezas sobre o que o futuro traria.
O papel da família na recuperação psicológica
Durante a fase mais difícil do tratamento, Lucas recebeu apoio fundamental de sua esposa, Larissa, cujas palavras funcionaram como um divisor de águas em sua mentalidade. “Ela disse: ‘Amor, imagina quantas pessoas chegam ao hospital e não sabem se vão sair amanhã. Você está com uma lesão que, em seis meses, está recuperado’. Isso foi um tapa para mim. Vamos sair mais fortes. Aí virou a chave para mim. Vamos trabalhar, fazer tudo o que preciso fazer”, contou o jogador.
A conversa com Larissa transformou sua perspectiva sobre a lesão. Ao invés de focar na incerteza sobre o futuro, Lucas redirecionou sua energia para o trabalho de recuperação. Ficou cinco meses afastado dos gramados até retornar no jogo contra o Vitória no Morumbis, em 10 de outubro.
Liderança além do campo durante o afastamento
O surgimento de um capitão fora dos gramados
Enquanto se recuperava da lesão, Lucas assumiu um papel ainda mais ativo como líder do elenco. Impossibilitado de atuar, precisava contribuir de outras formas para auxiliar os companheiros em uma temporada complicada. “Meu papel principal é dentro de campo, mas, diante da lesão que tive, que me deixou muito tempo afastado, tinha que ajudar como podia. Aí era fora de campo, com discursos, nas reuniões, motivando meus companheiros. Tive que aflorar meu lado capitão nesse período”, explicou.
Desafios de liderança em momento crítico
Enfrentou situações delicadas que exigiram palavras de encorajamento antes dos jogos, intervenções no intervalo e participações em reuniões internas onde precisava fazer cobranças. “Tive alguns desafios, momentos delicados, em que tinha que encontrar palavras para passar a eles antes do jogo, no intervalo. Reuniões internas em que tinha que colocar uma opinião, fazer cobranças, às vezes, por algo de que estávamos precisando. São desafios que temos como líder, mas é mais fácil jogar bola”, destacou Lucas.
Inspiração em Rogério Ceni e a função de capitão
Para exercer essa função de liderança, Lucas buscou inspiração em uma figura que acompanhava desde o início de sua carreira em 2010: Rogério Ceni. O ex-goleiro do São Paulo é sua maior referência de liderança no futebol. “Longe de ser o Rogério Ceni. Ele é o maior exemplo de liderança que já tive. Procurei aprender um pouco com ele. Nunca fui capitão nos outros times, mas, pela minha experiência e idade também, exerço essa função aqui no São Paulo“, comentou.
Seu exercício de capitania se concentra em dois pilares: estar presente nos jogos, assistindo pessoalmente e ajudando no vestiário com orientações, e reconhecer que os jogadores o enxergam como um dos líderes do grupo. A maturidade adquirida ao longo dos anos, combinada com a experiência anterior em outros clubes, formaram o alicerce para essa atuação.
Rafinha como intermediário entre vestiário e diretoria
Durante a temporada marcada por trocas de treinadores, instabilidade política, atrasos salariais e resultados frustrantes, Lucas destaca a importância de Rafinha, que assumiu função na diretoria de futebol do São Paulo. O ex-jogador ajudou a aproximar o elenco dos dirigentes em meio às dificuldades. “Sem dúvidas, ajudou muito. Primeiro, porque ele conhecia muito bem o clube. Segundo, porque ele, sim, é um líder nato. O Rafinha tem esse perfil, conhecia os problemas do clube, sabia do que precisávamos. Ele é um cara de vestiário, sempre presente, então ajudou bastante. Sabe do que o jogador gosta, do que precisa. Fez esse intercâmbio entre os jogadores e a diretoria”, afirmou.
Diagnóstico sobre a temporada e responsabilidades divididas
Lucas reconhece que os problemas institucionais do São Paulo tiveram impacto direto no desempenho, mas evita colocá-los como único culpado. “O São Paulo atravessa uma crise muito grande nos últimos anos, então não tem como não falar que isso influencia. Mas não vou colocar como principal ponto. Cada um tem sua parcela de culpa. As coisas não aconteceram como queríamos. A gente tinha objetivos que achávamos que poderíamos ter alcançado, ter chegado mais longe em algumas competições, ter tido mais capricho em alguns jogos”, analisou.
O camisa 7 menciona oscilações de desempenho, falta de eficiência e a troca de treinadores como fatores que compuseram o cenário desafiador da temporada. Houve jogos em que o São Paulo apresentou um bom futebol sem conseguir resultado, situação que se repetiu ao longo do campeonato.
O futuro incerto de um camisa 7 aos 34 anos
Com contrato terminando em dezembro, Lucas vive indefinição sobre sua permanência no clube. A eleição presidencial, marcada para o fim do ano, representa um fator que pode influenciar seu destino. Ele não descarta uma renovação, mas aguarda respostas da nova gestão.
“Sendo sincero, bem honesto, eu não parei para pensar no que vai ser no ano que vem. Meu foco maior era retornar de lesão, ajudar o São Paulo nessa reta final. Graças a Deus, se eu ficar livre de contrato, posso descansar com a minha família, posso pensar com a cabeça tranquila, ver o que aparece, analisar, porque não é uma decisão simples de ser tomada quando aparecem propostas”, confessou o meia.
Apesar da indefinição, Lucas reforça sua identificação profunda com o São Paulo. “O São Paulo é o clube que amo, minha casa, tenho uma identificação grande. Então, vamos ver o que vai acontecer nos próximos capítulos. Tem eleição em dezembro, mudança na diretoria… Se tiverem interesse, vamos sentar, conversar e negociar. Se não tiverem interesse, é pensar no que vai aparecer. Enfim, não dá para falar nada agora. É agir com a razão, ter a cabeça fria”, finalizou.
Fonte: ge > são paulo
Perguntas frequentes
Qual foi o momento em que Lucas Moura pensou em se aposentar?
Quando chegou ao vestiário do estádio Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista, após sofrer a ruptura total do tendão de Aquiles direito na partida contra o Bahia no início de maio. Realizou o cálculo de que a recuperação poderia levar até um ano, tempo superior ao que faltava em seu contrato.
Quanto tempo Lucas Moura ficou afastado dos gramados?
Ficou cinco meses afastado até retornar no jogo contra o Vitória no Morumbis, em 10 de outubro. Inicialmente receava ficar um ano longe dos campos, mas a previsão médica indicou seis meses de recuperação.
Qual é a situação contratual de Lucas Moura com o São Paulo?
Seu contrato termina em dezembro e ele não descarta renovar com o clube. Aguarda definições políticas, já que a eleição presidencial também está marcada para o fim do ano, para negociar sua permanência com a nova gestão.