Em resumo
- São Paulo conquistou o Brasileirão feminino 2026 em empate 1 X 1 com o Corinthians, quebrando uma hegemonia do rival que durou uma década.
- Quatorze jogadoras do elenco campeão foram formadas nas categorias de base do São Paulo, consolidando uma estratégia de investimento na formação em lugar de grandes contratações.
- Thiago Viana, técnico desde 2023, rejeitou ofertas de outros clubes para manter a confiança no projeto de longo prazo.
- O público recorde de 49.405 torcedores no Morumbis reflete o crescimento do futebol feminino e a mudança cultural no clube.
O São Paulo enfrentou o Corinthians na final do Brasileirão feminino 2026 e conquistou o título em uma partida que terminou empatada em 1 X 1. Sete anos depois de reabrir o departamento de futebol feminino, o Tricolor desbancou o rival e encerrou a hegemonia que o time alvinegro mantinha sobre a categoria há uma década. O resultado consolida um projeto de longo prazo baseado em decisões estratégicas muito específicas sobre como construir uma equipe vencedora no futebol feminino.
Uma estratégia diferente da concorrência
Quando o São Paulo decidiu retomar seu investimento em futebol feminino sete anos atrás, o clube não escolheu a mesma via que adotavam Palmeiras e Corinthians, seus principais competidores. Enquanto esses times usavam sua capacidade financeira para contratar jogadoras consagradas, o Tricolor preferiu focar seus esforços no investimento em categorias de base. Essa escolha não resultou de idealismo, mas de uma avaliação clara das circunstâncias: sem a mesma capacidade para brigar por atletas estabelecidas, o clube encontrou seu próprio caminho.
A formação como diferencial competitivo
Das 14 jogadoras que vieram das categorias de base do São Paulo e integravam o elenco campeão, cada uma delas representa a execução prática dessa aposta estratégica. Antes de chegarem ao título profissional, essas atletas ajudaram o São Paulo a acumular troféus nas categorias menores. Em 2025, somente, o clube conquistou os títulos paulistas sub-15, sub-17 e sub-20, demonstrando que a pipeline de talento estava funcionando conforme planejado.
Como se destacar sem gastar tanto
Investimentos de outros clubes na contratação direta impulsionaram o São Paulo de forma indireta: ao observar as despesas crescentes de Palmeiras e Corinthians, ficou claro que o Tricolor precisaria de um modelo alternativo. A formação interna não era apenas idealisticamente preferível; era a única rota viável. O resultado foi um elenco construído organicamente, com jogadoras que conhecem a cultura do clube desde jovens e compreendiam o projeto desde o início.
Thiago Viana e a continuidade do trabalho
Um componente fundamental para a concretização desse plano foi a permanência de Thiago Viana no comando técnico desde 2023. O treinador assumiu o time em um momento em que o projeto de base já acumulava frutos, mas estava longe de ter atingido seu objetivo final. Desde então, Thiago acumula o recorde de jogos dirigidos no comando da equipe feminina do São Paulo.
Recusando ofertas para acreditar no projeto
O que torna a trajetória de Thiago especialmente significativa é o fato de ele ter rejeitado propostas de outros clubes e até de seleções sul-americanas para continuar com o Tricolor. Essa lealdade ao projeto não era baseada em falta de opções, mas em uma confiança genuína na estratégia da diretoria. “Sabíamos que a construção levaria alguns anos, mas que, em algum momento, íamos conseguir mesclar a base com atletas mais experientes e conquistar títulos”, comentou o técnico após a conquista, resumindo a filosofia que norteou suas decisões.
A evolução constante da estrutura
Conforme o time avançava nas competições e a base amadurecia, o São Paulo também ampliava gradualmente a infraestrutura de suporte disponível para as jogadoras. Esse investimento não acontecia de forma isolada; fazia parte de um plano integrado de desenvolvimento. Ao longo dos anos, a equipe incorporou uma nutricionista, um fisiologista e novas tecnologias de treinamento. Melhorias nas condições dos campos e dos espaços de treinamento acompanharam esse processo, criando um ambiente competitivo mesmo diante das restrições orçamentárias que o clube enfrentava.
O papel da psicologia no último passo
Na temporada 2026, a diretoria deu um passo adicional ao contratar uma psicóloga para integrar a estrutura da equipe. Em setembro de 2026, Djara Fortes se juntou ao projeto do São Paulo. O detalhe relevante é que Djara trabalhara durante uma década no time feminino do Corinthians, trazendo não apenas experiência em psicologia do esporte, mas também conhecimento direto de como o rival operava. Segundo Thiago Viana, essa adição foi considerada fundamental para o grupo que buscava o título nacional.
Carlinha: sete anos de paciência
A goleira Carlinha frequenta os registros do São Paulo desde 2019, quando o departamento feminino foi reaberto. Ela acompanhou pessoalmente cada fase da construção: os troféus nas categorias de base, a evolução gradual na elite, os terceiros lugares, quartos lugares e o vice-campeonato em 2024. Naquela final contra o Corinthians em 2026, Carlinha vivenciou um momento que sintetizava toda essa trajetória.
Durante a partida, a goleira cometeu um erro no primeiro gol sofrido, contribuindo para o empate em 1 X 1. Mas futebol, como ela própria afirmou depois, “sempre te dá uma chance de ser diferente”. Essa chance veio quando a goleira defendeu um pênalti de Gabi Zanotti, vedando uma derrota que teria prolongado a espera pelo título. “Bati quatro vezes na trave com esse time, mas dentro do jogo você sempre tem uma nova oportunidade”, refletiu Carlinha após conquistar o troféu que perseguia desde que chegou ao clube.
A jornada de 2019 até agora
Antes de chegar ao título de 2026, o São Paulo participou de cada edição do Brasileirão como membro da elite. O clube terminou em terceiro lugar em 2020, quinto em 2021, quarto em 2022 e novamente quarto em 2023. Em 2024, finalmente chegou à final, mas o Corinthians se saiu melhor e conquistou o troféu. Naquele ano, o Tricolor foi vice-campeão. A trajetória de 2025 voltou a ser de quarto lugar, estendendo a espera. Cada resultado acumulava evidência de que a estratégia estava funcionando, mesmo que o prêmio final demorasse.
Público recorde e perspectivas futuras
A final contra o Corinthians no Morumbis atraiu 49.405 torcedores, um recorde para jogos de futebol feminino entre clubes no Brasil. O público reflete a mudança cultural que o título representa: não é apenas uma conquista desportiva, mas um reconhecimento de que o futebol feminino do São Paulo merecia estar em primeiro plano.
O trabalho, porém, está longe de terminar. O São Paulo segue competindo na Copa do Brasil Feminina, onde enfrenta o Bahia nas quartas de final. Thiago Viana encerrou sua coletiva após o título com uma frase que resume o pensamento do clube: “é só o começo”. A conquista do Brasileirão não representa o fim de um projeto, mas um ponto de inflexão que valida a estratégia adotada e autoriza novos investimentos e ambições.
Fonte: ge > são paulo
Perguntas frequentes
Por quanto tempo o São Paulo vinha se preparando para este título?
O clube reabre o departamento de futebol feminino há sete anos, investindo principalmente na formação de jogadoras e na evolução gradual da estrutura, acumulando títulos nas categorias de base antes de chegar ao título profissional em 2026.
Quantas jogadoras do elenco campeão vieram das categorias de base?
Quatorze das jogadoras que conquistaram o Brasileirão foram formadas nas categorias de base do São Paulo.
Qual foi o resultado da final contra o Corinthians?
São Paulo 1 X 1 Corinthians. O Tricolor conquistou o título em empate, encerrando a hegemonia do rival que dominou a categoria há uma década.