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Torcedor são-paulino guarda medalha de Ceni há 20 anos

Em resumo

  • Guilherme Parra pegou a medalha que Rogério Ceni lançou no Morumbi em 26 de novembro de 2006 e a guarda há duas décadas sem nunca vendê-la.
  • Após pegar a medalha, o torcedor virou celebridade de um dia: participou de entrevistas na TV Globo e foi ao quadro "Amigo Oculto" do Fantástico perto do Natal.
  • Guilherme promete devolver a medalha de pronta entrega se Rogério Ceni pedir, mas nunca conseguiu encontrá-lo pessoalmente para agradecer por tudo que fez pelo São Paulo.

Guilherme Parra guarda há 20 anos a medalha que Rogério Ceni lançou à arquibancada do Morumbi no dia 26 de novembro de 2006, quando o São Paulo conquistou seu tricampeonato brasileiro. O profissional do mercado financeiro e torcedor são-paulino recorda cada detalhe daquele domingo: estava em um culto de manhã quando surgiu o convite para acompanhar a vitória sobre o Cruzeiro por 2 a 0.

Um Jogo Imprevisto

Ninguém planejava estar no Morumbi naquele 26 de novembro. Guilherme conversava com amigos na saída de um culto religioso quando ouviu a sugestão: “Vamos ao jogo?”. Em poucos minutos, o grupo cresceu para 13 pessoas, todas dispostas a vivenciar a premiação do tricampeonato. Nenhuma preparação prévia, nenhum ingresso comprado antecipadamente — tudo aconteceu por impulso.

Guilherme optou por se posicionar na térrea do estádio, próximo ao símbolo tricolor — uma escolha estratégica, pois sabia que se tratava de um dia de comemoração. Gostava daquela região, e o conhecimento de que haveria premiação pesava na decisão. Não era porque esperava pegar uma medalha; a ideia nunca havia passado por sua mente.

Durante a partida, Ceni começou a lançar objetos para a torcida. Primeiro vieram a luva. Guilherme se esticou, quase pegou — sua mão apenas roçou os dedos e o objeto passou. Frustrado, comentou com os amigos: “Caramba, quase peguei a luva! Passou na minha mão”. De repente, o goleiro fez o movimento de jogar a medalha.

“Quando ele jogou a medalha, eu não olhei para nada. Pisei no braço da cadeira e tentei pular o mais alto possível”, relembrou em entrevista ao ge. O impulso era automático. Seu braço subiu, sua mão se abriu, e a medalha “simplesmente encaixou”. Não olhou para verificar. Trouxe o punho fechado para baixo, abriu devagar, e só então acreditou: ali estava a relíquia do tricampeonato.

De Torcedor a Celebridade

A Transmissão da Globo

O momento foi registrado pelas câmeras da Globo. Imagens de Guilherme com a medalha nas mãos foram ao ar. Instantaneamente, se viu cercado por fotógrafos e torcedores. A movimentação em torno dele crescia a cada minuto. Galvão Bueno, narrador do encontro, perguntava ao vivo: “Como é o nome desse menino? Quero saber. Quem souber, fala aqui para a Globo”.

Alguns presentes puxavam Guilherme de um lado e do outro, gritando: “A Globo quer falar com você lá”, “outra emissora quer falar ali”. Era caos — confusão de jogo ganho misturada com fama súbita. Uma entrevista foi feita perto do fosso, no meio das comemorações. Guilherme gritava pedindo que o Mineiro permanecesse no clube; mal ouvia nada, apenas berrava enquanto era entrevistado.

A Segurança da Medalha

Conforme o caos aumentava, Guilherme e seus amigos perceberam o risco. A aglomeração ia crescendo, e a medalha estava nas mãos de um torcedor comum. Os amigos tomaram uma decisão: um deles se ofereceu para levar a medalha enquanto Guilherme saía do estádio sem nenhum objeto de valor. A segurança da relíquia dependia dessa separação.

Vida em Destaque

No dia seguinte, Guilherme levou a medalha ao banco onde trabalhava para mostrar aos colegas. A movimentação foi ainda maior que no estádio. Repórteres haviam conseguido seu contato e marcavam entrevistas no local de trabalho. A instituição transbordava com profissionais de mídia querendo falar com o torcedor que havia pegado a medalha de Ceni.

Guilherme não trabalhou naquele dia inteiro. Seu calendário foi completamente tomado por entrevistas. O banco acionou seu próprio assessor de imprensa para organizar aquele caos de demandas. Ele encerrou a edição do Globo Esporte daquela segunda-feira como personagem principal, legitimando aquele encontro fortuito com a história viva do São Paulo.

A vibrant aerial view of São Paulo cityscape showcasing its dense skyline and urban architecture.

O Convite do Fantástico

Perto do Natal de 2006, quando a repercussão havia diminuído e Guilherme retomava sua vida habitual, recebeu uma ligação inesperada. Era do programa Fantástico. O convite era para participar do quadro “Amigo Oculto”, que reunia personalidades que se destacaram naquele ano. Guilherme titubeou — sequer compreendia bem do que se tratava. Respondeu: “Não vou nisso aí”.

Seu irmão não aceitou a recusa. Quase acabou com ele verbalmente, insistindo: “Você vai!”. Repensei a situação e aceitou. No programa, Guilherme presenteou o ator Marcos Caruso com um livro e recebeu em troca uma camiseta de Marília Pêra. A experiência consolidou 2006 como uma sequência de eventos que poucos torcedores vivenciam: de espectador a personagem de transmissão nacional.

Duas Décadas de Custódia

Vinte anos depois, aos 43 anos, Guilherme ainda guarda a medalha como uma relíquia. Nos primeiros anos, pensava em enquadrá-la e expô-la na sala de casa. Mudou de ideia. Quanto mais bem guardada, longe dos olhos públicos, melhor — é uma questão de “gestão do tesouro”. Nunca revelou o local exato onde a mantém.

Desde 2006, mantém uma promessa que não quebrou: nunca vender a medalha. Embora reconheça sua importância, a venda nunca entrou em suas considerações. Há uma exceção claramente definida. Se Rogério Ceni um dia pedisse o retorno da medalha, Guilherme a devolveria sem hesitação. “O detentor dela é o Rogério. Se um dia ele me pedir, de pronta entrega eu devolvo. Mas, se ele não pedir, vou guardar com muito carinho”, afirmou ao ge.

O Encontro que Nunca Aconteceu

Apesar de guardar a medalha do ídolo por duas décadas, Guilherme nunca conseguiu encontrá-lo pessoalmente para agradecer — não apenas pela medalha, mas por tudo que Ceni fez pelo São Paulo como jogador. Os caminhos dos dois voltam a se cruzar quando o São Paulo enfrenta o Bahia, clube comandado por Rogério, pelo Brasileirão. Mesmo vendo o ídolo do outro lado, é difícil ter outro sentimento que não seja gratidão.

Guilherme ainda sonha com Ceni treinando o São Paulo. As vezes em que esteve no comando tricolor não tiveram “uma oportunidade correta”. Por isso, acredita que todo são-paulino nutre esse desejo: ver o ídolo tendo outra chance no banco do São Paulo, desta vez com condições apropriadas.

Se encontrasse Rogério pessoalmente, Guilherme sabe exatamente o que diria: “Rogério, essa medalha aqui significa muito para mim, mas o que você fez pelo nosso time significa muito mais do que a medalha. O que posso falar é obrigado pelo que você fez, pela defesa no Mundial, por tudo, além daquele gol contra o Corinthians”. Era uma mensagem guardada há 20 anos, esperando o momento que ainda não havia chegado.

Fonte: ge > são paulo

Perguntas frequentes

Como Guilherme Parra conseguiu a medalha de Rogério Ceni?

Durante o jogo entre São Paulo e Cruzeiro no Morumbi em 26 de novembro de 2006, quando o São Paulo recebeu o troféu de tricampeão, Rogério Ceni lançou sua medalha para a arquibancada. Guilherme se esticou sobre o braço da cadeira e conseguiu pegar a medalha no ar.

Que programas de TV Guilherme participou depois de pegar a medalha?

No dia seguinte à conquista, Guilherme foi entrevistado pela Globo Esporte e participou de entrevistas em outros meios de comunicação. Perto do Natal de 2006, participou do quadro "Amigo Oculto" do programa Fantástico, onde presenteou o ator Marcos Caruso com um livro e recebeu uma camiseta de Marília Pêra.

Guilherme Parra já vendeu ou pensa em vender a medalha?

Não. Desde 2006, Guilherme mantém a promessa de nunca vender a medalha. A única exceção seria devolver o objeto de pronta entrega se Rogério Ceni um dia pedisse de volta, pois considera que o ídolo é o verdadeiro detentor da medalha.

Written by
Camila Forlán

Camila Forlán é analista tática, especializada em decompor esquemas de jogo, variações de formação e o estilo de cada treinador que passa pelo Morumbi. Escreve com foco em dados e vídeo.