Em resumo
- Perícia da Polícia Técnico-Científica descarta qualquer edição, corte ou manipulação no áudio de 44 minutos que revelou o esquema
- As vozes de Mara Casares, Douglas Schwartzmann e Rita de Cássia Adriana Prado foram confirmadas com o mais alto nível de confiabilidade fonético-forense
- O laudo integra investigação da Força-Tarefa que apura exploração ilegal do camarote 3A desde 2023
- Todos os envolvidos já deixaram o São Paulo após a revelação do áudio
A Polícia Técnico-Científica concluiu que o áudio revelado pelo ge em dezembro contendo conversas sobre a exploração clandestina de um camarote no Morumbis não sofreu qualquer edição ou manipulação. O Instituto de Criminalística da Polícia validou a integridade da gravação de 44 minutos e confirmou, com o mais alto nível de confiabilidade, que as vozes pertencem a Mara Casares, Douglas Schwartzmann e Rita de Cássia Adriana Prado.
O Laudo e suas Conclusões Técnicas
O documento pericial analisou o áudio em busca de sinais técnicos que indicassem manipulação, como cortes, emendas, montagens, supressão de trechos ou alterações artificiais de velocidade. O laudo constatou que não há qualquer evidência desse tipo. A gravação mantém uma continuidade espaço-temporal e sequência lógica, sem “deficiências qualitativas ou quantitativas que impedissem a aplicação dos procedimentos periciais”.
Integridade da Gravação Confirmada
De acordo com a conclusão técnica, o sinal mantém condições compatíveis com uma conversa genuína, registrada sem interrupções ou manipulações digitais. A Polícia Técnico-Científica afirmou não haver “sinais técnicos compatíveis com edição, cortes, emendas, montagens, supressão de trechos, alterações artificiais de velocidade” no arquivo.
Metodologia de Análise
A investigação comparou o áudio com outras amostras de voz dos três investigados, obtidas mediante oitivas e entrevistas. O objetivo era validar tanto a autenticidade técnica da gravação quanto a identidade dos locutores. A Polícia baseou a análise na análise de padrões de fala e nas características forense das vozes.
Identificação das Vozes no Mais Alto Nível de Confiança
O laudo confirmou que as vozes gravadas correspondem a Mara Casares, Douglas Schwartzmann e Rita de Cássia Adriana Prado numa escala verbal de análise que coloca a compatibilidade no nível mais elevado. Segundo o texto da perícia, “o contexto favorável proporcionado pela qualidade e pela disponibilidade do material encaminhado, aliado ao elevado grau de distintividade das vozes e dos padrões de fala dos locutores examinados, permitiu concluir que as evidências de natureza fonético-forense fornecem suporte extremamente forte”.
O Mais Alto Nível da Escala Verbal
O laudo situa a compatibilidade das vozes no ponto mais elevado da escala adotada pela perícia. A conclusão é que “Douglas Eleutério Schwartzmann, Mara Casares e Rita de Cássia Adriana Prado são os participantes da conversa registrada”. Esse nível máximo de confiabilidade reforça a autenticidade das falas reveladas ao público.

O Esquema Revelado na Gravação
A conversa de 44 minutos registra discussões detalhadas sobre a exploração ilegal do camarote 3A do Morumbis. No arquivo, Douglas Schwartzmann admitia que todos os envolvidos haviam ganho dinheiro com o esquema. Ele afirmava: “Teve negócio que você ganhou dinheiro, eu ganhei, todo mundo ganhou. Mas foi feito tudo na confiança. Coisa errada? Errou, tem que comer com farinha”.
A Origem do Camarote e os Responsáveis
Segundo as falas registradas, Marcio Carlomagno foi quem cedeu o camarote a Mara Casares. Douglas Schwartzmann abordava a questão alertando sobre as consequências caso o esquema fosse descoberto: “A Mara vai ter que se explicar. Como é que faz no clube a hora que souber que ela te deu um camarote para explorar? Você vai acabar com a vida da Mara dentro do clube. E do Julio, porque ela é (ex) mulher do Julio”.
Negação de Envolvimento Pessoal
Na conversa, Schwartzmann insistia em sua isenção pessoal, dizendo “Eu não tenho camarote lá” e “Não peguei camarote nenhum, não tenho nenhum documento lá”. Afirmava que os responsáveis diretos eram Mara e Marcio, enquanto tentava se distanciar do esquema mesmo participando da discussão sobre a sua exploração.
A Investigação em Andamento
O laudo integra a investigação conduzida por uma Força-Tarefa formada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público, que apura possíveis irregularidades cometidas por ex-dirigentes do São Paulo nos últimos anos. Mara Casares, Douglas Schwartzmann, Rita de Cássia Adriana Prado e Julio Casares são os investigados neste inquérito policial em andamento desde o início de 2026.
A Justiça já decretou a quebra do sigilo fiscal e bancário de todos os investigados. A Polícia Civil e o Ministério Público já possuem provas de que o camarote era explorado irregularmente desde pelo menos 2023.
Saídas do Clube e Consequências
Todos os envolvidos no caso deixaram o São Paulo. Horas após o ge revelar o áudio em dezembro, Mara Casares e Douglas Schwartzmann renunciaram às suas respectivas diretorias. Mara era diretora feminina, cultural e de eventos, enquanto Douglas era diretor adjunto de futebol de base. Com o impeachment e renúncia de Julio Casares no início do ano, Marcio Carlomagno foi demitido da instituição.
Fonte: ge > são paulo
Perguntas frequentes
O áudio foi editado ou manipulado?
Não. O laudo da Polícia Técnico-Científica descartou qualquer sinal técnico de edição, cortes, emendas, montagens ou manipulação digital. A gravação de 44 minutos mantém continuidade espaço-temporal e sequência lógica genuína.
As vozes no áudio foram confirmadas como sendo do trio?
Sim. O Instituto de Criminalística confirmou com "suporte extremamente forte" — o mais alto nível na escala de análise fonético-forense — que as vozes pertencem a Mara Casares, Douglas Schwartzmann e Rita de Cássia Adriana Prado, após comparar com outras amostras de voz obtidas em oitivas e entrevistas.
Qual era o esquema revelado no áudio?
De acordo com o ge, o áudio revelava a exploração clandestina do camarote 3A do Morumbis, com venda ilegal de acesso. Na gravação, Douglas Schwartzmann admitia que todos os envolvidos haviam ganho dinheiro com o esquema, confirmado por investigações que apontam exploração desde 2023.